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Diana Gabanyi Por The School of Life Diretora e sócia-fundadora da The School of Life

Diplomacia: como essa competência pode ajudar no trabalho

Apostar na empatia e na gentileza ao negociar com pessoas difíceis auxilia a encontrar soluções e a fazer uma boa gestão de conflitos

Por Diana Gabanyi, colunista de VOCÊ RH Atualizado em 12 mar 2021, 13h33 - Publicado em 13 mar 2021, 08h00

Quando você pensa na palavra diplomacia, o que vem imediatamente à sua mente? Antes de conhecer os conteúdos da The School of Life (TSOL), ela me conectava diretamente a um passaporte vermelho e uma pessoa elegantemente vestida. Mas, apesar de ela nos remeter a embaixadas, relações internacionais e alta política, hoje se tornou uma habilidade importantíssima na vida cotidiana, especialmente no trabalho.

Todos nós, por exemplo, já passamos por momentos difíceis no trabalho em relação a um determinado colega ou a algum acontecimento que nos inflamou, encheu de raiva e teve consequências graves para ambos os lados. É em contextos como esse que a diplomacia se apresenta como a arte de fazer com que uma ideia ou causa avance sem gerar ou agravar uma situação febril, mantendo todos longe de catástrofes ou rupturas.

  • Diplomacia na prática

    Considerando apenas a minha vida pessoal, se eu parar para pensar profundamente, certamente vou encontrar várias situações para preencher várias páginas com exemplos de casos que resolvi bem e outros, nem tanto. Mas, o mais emblemático pra mim talvez tenha sido, há mais de uma década, quando fui trabalhar no Catar, por alguns meses, em um evento internacional de tênis, chefiando uma área de comunicação.

    Ao chegar em Doha – isso foi bem antes de o país ter sido anunciado como sede da próxima Copa do Mundo, quando ainda havia pouquíssimos eventos internacionais acontecendo por lá -, deparei com outras pessoas envolvidas na organização do evento. Algumas delas com cargos altíssimos ligados ao príncipe. Elas não sabiam da minha existência, assim como eu não as conhecia.

    Tudo o que eu propunha que fosse feito, eles queriam colocar em prática o contrário. As duas primeiras semanas foram dificílimas. No meu imaginário, eu só me via entrando no avião e voltando para o Brasil. Até que chegou uma hora em que eu me dei conta de que a situação estava caminhando para um ponto de se tornar insustentável. Eu precisava fazer algo ou, realmente, arrumar as malas e dizer adeus a um trabalho para o qual eu estava muito animada.

    Resolvi, então, marcar uma conversa com o chefe da comunicação local. Propus a ele um aperto de mão – algo nada comum entre mulheres e homens no Catar daquela época. Contei como eu apreciava muito o trabalho que eles já faziam por lá e que agora, sabendo da nossa coexistência no mesmo espaço, gostaria de começar a nossa relação do zero.

    Como se preparar para uma atitude diplomática

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    Foi um ato diplomático, mas com base em crenças sinceras. Busquei usar as melhores palavras – sim, ensaiei o discurso em frente ao espelho antes do encontro e usei expressões como “será que”, “talvez” e “quem sabe”, em vez de me afirmar diretamente ou impor algo.

    Antes da conversa, calculei até que ponto eu poderia ceder, porque tem horas que é estratégico dar um passo atrás. Avaliei, também, o que seria inegociável para mim. Procurei ser empática tentando me colocar no lugar dele – lembrem: a pessoa não sabia da minha existência até eu desembarcar em Doha -, ouvi tudo o que ele tinha a dizer e no fim firmamos um compromisso entre nós.

    Consegui fazer o meu trabalho até o fim, sem ter que arrumar as malas antes do tempo. Foi uma lição que ficou para o resto da minha vida e me ensinou a resolver conflitos antes que eles fiquem incontornáveis.

    Aprendi que não podemos entrar em pânico. Afinal, todos nós estamos sujeitos a lidar com situações e pessoas indesejáveis ou desafiadoras. Faz parte do processo de quem está vivo ter que resolver essas situações.

    Coloque a diplomacia em prática

    Especialmente neste momento em que a maioria de nós só se encontra virtualmente e que as pessoas estão emocionalmente impactadas pela pandemia de formas muito particulares, procure colocar a empatia em prática. Comece tendo em mente algo muito importante que aprendemos aqui na escola: “para muitas pessoas, muitas vezes é mais importante ser ouvido do que vencer o argumento”. Substitua a exigência pela sugestão e tenha gentileza ao tecer críticas, mas sem esquecer de ressaltar o que existe de bom na pessoa ou situação.

    Tente. Por experiência própria, garanto que você vai ver a diferença nos seus relacionamentos, na sua vida e no seu trabalho.

    Assinatura Diana Gabanyi
    VOCÊ RH/Divulgação

     

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