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O novo perfil do profissional de CX e o fim do “atendente tradicional”

Foco do recrutamento em Customer Experience deixa de ser o diploma ou a capacidade operacional e passa a ser a "alfabetização em IA".

Por Clarissa Wilke, líder de RH na Zenvia 21 abr 2026, 14h00
Imagem de um notebook com uma miniatura de robô na tela.
 (Carol Yepes/Getty Images)
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A inteligência artificial já reformulou a forma como empresas se relacionam com clientes. Agora, está redefinindo quem elas precisam contratar. Setores de alta escala, como o varejo, operam cada vez mais com co-pilots, agentes virtuais e automações avançadas: a dinâmica do mercado mudou de forma irreversível. E esse movimento está transformando radicalmente o perfil do profissional de Customer Experience (CX). Para nós, especialistas de RH, o contexto impõe um desafio imediato: não atualizar os critérios de seleção hoje é contratar para um cenário que já não existe mais.

Habilidades técnicas

O profissional de CX demanda base técnica sólida. As competências englobam o domínio de sistemas de relacionamento com o cliente (como CRM), interpretação de dados de consumo, operação omnichannel e automação de fluxos. O foco é manter o contexto comunicacional íntegro nos canais (chat, voz e e-mail) sem rupturas. A alfabetização em IA ganha relevância, envolvendo a capacidade de interpretar algoritmos, revisar modelos, identificar inconsistências e ajustar comandos (prompts). Não se trata de programar, mas de operar, questionar e corrigir a IA no dia a dia — uma habilidade já mensurável em processos seletivos.

 

 

Habilidades comportamentais

A automação do trabalho consolida as soft skills. Como a tecnologia absorve tarefas operacionais e repetitivas, o fator humano assume de imediato os casos de complexidade técnica e de sensibilidade emocional. A escuta ativa, a comunicação direta e a capacidade analítica tornam-se determinantes para a função. Mais do que isso: cresce a exigência por profissionais capazes de discordar da máquina com embasamento, questionar respostas algorítmicas ilógicas, reconhecer limites dos sistemas e tomar decisões em cenários onde a confiança é crítica.

O que as empresas efetivamente buscam

A demanda corporativa atual descarta o uso genérico da IA. Organizações contratam pessoas capazes de converter a implementação sistêmica em resultados métricos: redução no tempo de resposta, elevação na taxa de resolução imediata e estruturação de jornadas integradas. Na prática, isso elimina perfis operacionais puros e valoriza profissionais orientados a métricas e impacto direto no negócio. A atuação requer interpretar intenções e históricos para acionar soluções adequadas, antecipando churn e sustentando a retenção.

Nova rotina de trabalho

O trabalho em CX migra do formato reativo para a priorização inteligente. Em vez de responder a chamados cronologicamente, as equipes recebem recomendações, alertas de risco de perda e sinais de intenção, alterando os indicadores de produtividade. A estrutura gerencial foca na formação de times híbridos, nos quais colaboradores e sistemas atuam de forma interdependente. Isso reduz o volume de interações humanas, mas aumenta o nível de responsabilidade por decisão.

Perfis em ascensão

O setor estabelece funções direcionadas e altamente especializadas: conversation architect, AI trust and risk lead, CX model trainer e human escalation strategist. Esses papéis mostram que CX deixa de ser uma área operacional e passa a ser uma disciplina estratégica, com forte interseção com dados, tecnologia e governança.

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Governança, ética e confiança: o novo filtro de contratação

Sistemas autônomos elevam os riscos envolvendo privacidade, uso indevido e proteção de banco de dados. Na área de CX, a questão é sensível devido ao uso contínuo de informações pessoais em decisões automatizadas. Erros deixam de ser apenas operacionais e passam a ser reputacionais e regulatórios. O colaborador precisa conjugar conhecimento técnico e confiabilidade, avaliando sempre as implicações éticas. Para o RH, isso significa incorporar critérios de risco, compliance e segurança da informação já no processo seletivo, não apenas no treinamento.

O futuro do trabalho em CX com IA

O mercado consolida o formato operacional em que a tecnologia encabeçará a triagem inicial de contatos, a personalização de atendimento massivo e a automação de rotinas. A atuação humana vai se concentrar na elucidação de casos atípicos, nas negociações comerciais e na retenção estratégica de contas. O atendimento deixa de ser volume e passa a ser intervenção de alto valor.

O papel do RH nessa transição

Diante desse cenário, a própria gestão de Recursos Humanos precisa evoluir. O foco do recrutamento está migrando da exigência estrita de diplomas acadêmicos para a valorização de competências práticas e mensuráveis. O maior risco hoje não é a falta de talento — é a incapacidade de requalificar a base atual na velocidade que a tecnologia exige. Ter raciocínio lógico, facilidade com ferramentas digitais e, acima de tudo, uma genuína predisposição ao aprendizado contínuo são hoje os maiores diferenciais em um currículo.

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O novo profissional de CX não é mais medido pelo volume que atende, mas pelo impacto das decisões que toma: alguém que combina fluência em IA, pensamento crítico e responsabilidade direta sobre impacto de negócio. O desafio central de RH, portanto, é modernizar e reavaliar os próprios métodos de admissão e treinamento, garantindo que nossas equipes não apenas acompanhem a evolução tecnológica, mas saibam usá-la para construir relacionamentos de confiança com o cliente e consumidor.

 

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