Saiba o que faz uma gerente de experiência do colaborador
Profissionais procuram aumentar a satisfação dos colaboradores no escritório, cuidando para que a relação deles com a empresa seja o mais positiva possível.
Quem é leigo no assunto pode achar que a moça da foto acima, Natália Berce, é “gerente de festinha” – e que seu trabalho é levantar o astral no escritório.
A simplificação é até uma brincadeira na Foundever, empresa de atendimento ao cliente onde a executiva trabalha, porque ela, volta e meia, participa da organização de eventos internos. Mas o cerne de seu cargo é ouvir os outros profissionais da organização e gerar dados mensuráveis sobre os talentos para o negócio. Melhorar a “experiência do colaborador” (ou employee experience, como você já deve ter lido por aí).
Isso significa investigar a relação dos funcionários com a empresa, continuamente e sob diversos aspectos, avaliar a satisfação de todos e, quando necessário, desenvolver estratégias que melhorem o cotidiano de trabalho.
Natália busca entender se os salários e os benefícios oferecidos pela empresa agradam aos funcionários, claro. Mas a apuração acontece, sobretudo, em um nível mais profundo e subjetivo.
Uma gerente de experiência do colaborador precisa saber, por exemplo, se os colegas acreditam que têm oportunidades suficientes de crescimento e se eles confiam nos próprios empregadores. Se as pessoas sentem que pertencem àquele lugar de alguma forma e se ali desejam permanecer.
Há duas formas principais de acessar esse tipo de informação: pesquisas de clima e reuniões focais. “Todo mês, eu organizo cinco conversas com operações diferentes”, explica Natália. “São reuniões com 10 a 20 pessoas, escolhidas randomicamente, e sem a participação dos gestores, para ninguém ficar acanhado [ao trazer opiniões sobre o cotidiano corporativo].”
Depois, vêm as reuniões com as lideranças. Se o diagnóstico de certa operação é negativo, Natália traça um plano de ação com a diretoria correspondente para melhorar os indicadores desejados e, nos meses seguintes, acompanha os resultados da iniciativa. Isso acontece por meio de mais conversas, claro, mas também a partir das informações que os chefes disponibilizam em uma plataforma de gestão usada na Foundever.
A área cresceu de importância
A pandemia colocou a experiência do colaborador em outro patamar. Afinal, ela virou o mundo do trabalho de cabeça para baixo: causou a Grande Resignação [quando um número recorde de trabalhadores pediu demissão voluntariamente, repensando suas prioridades e buscando maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional] nos EUA, por exemplo, e mostrou que o home office é uma possibilidade interessante.
Também nunca falamos tanto sobre saúde mental no escritório. No Brasil, veja só, averiguar riscos psicossociais no ambiente de trabalho só virou oficialmente uma obrigação do RH em 2024, com a notícia da atualização da NR-1.
Uma série de estudos também vem deixando cada vez mais claro que investir no bem-estar dos colaboradores é uma decisão que vale a pena. Segundo uma pesquisa da consultoria McKinsey, por exemplo, em parceria com o Fórum Econômico Mundial, melhorias no bem-estar dos trabalhadores podem gerar até US$ 11,7 trilhões globalmente – e companhias que priorizam a saúde são mais produtivas, apresentam taxas maiores de engajamento e retêm mais talentos.
“Antigamente, as lideranças costumavam achar que investir na experiência do colaborador é um gasto”, afirma Natália. “Hoje é diferente.”
A real do trabalho
Atividades-chave
Investigar as condições de trabalho por meio de reuniões focais e pesquisas de clima; acompanhar indicadores de clima organizacional; criar estratégias para melhorar a jornada do colaborador.
Quem contrata
Em teoria, qualquer empresa; na prática, companhias que têm estrutura suficiente de RH para dispor de um profissional especializado.
O que fazer para atuar na área
Certificações relacionadas a people analytics e psicologia. Desenvolver escuta ativa, comunicação clara e visão sistêmica também é fundamental.
Média salarial
Em PMEs, o salário vai de R$ 19 mil a R$ 25 mil de acordo com a experiência do gerente. Em companhias maiores, vai de R$ 22 mil a R$ 30 mil. (Fonte: Guia Salarial 2026 da Robert Half.)
Este texto faz parte da edição 102 da Você RH, que chegou às bancas no dia 6 de fevereiro.







