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Alessandra Costa

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Psicóloga e sócia da S2 Consultoria. Atua na prevenção de fraudes, assédios e na construção de ambientes organizacionais mais seguros.

Em fevereiro vale tudo? Os riscos de misturar bebida, descontração e cargo

Quando o “sim” de uma mulher depende do nível de sua sobriedade ou da pressão de um chefe, não estamos diante de consentimento, mas de vulnerabilidade.

Por Alessandra Costa, colunista da VOCÊ RH
18 fev 2026, 14h04 • Atualizado em 18 fev 2026, 14h26
Mulher com a palma da mão erguida.
 (Oscar Martin/Getty Images)
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  • Fevereiro costuma trazer uma sensação coletiva de suspensão. O mês do Carnaval inaugura um tempo socialmente autorizado de excessos: mais liberdade, menos formalidade, mais álcool, menos filtros. A pergunta que raramente fazemos é o que acontece com os limites éticos quando o contexto convida à descontração, inclusive quando esse contexto é corporativo, como em confraternizações, blocos patrocinados e happy hours estendidos.

    Há uma combinação particularmente sensível nesse período, que mistura bebida, hierarquia e informalidade. A hierarquia não desaparece porque todos estão fantasiados e o cargo não entra em recesso porque o evento é descontraído. A relação de poder continua operando, muitas vezes de forma mais sutil. Mas algumas pessoas podem se esquecer dessa realidade enquanto estão se divertindo, e isso pode levar a comportamentos de risco, como o assédio moral ou sexual.

    Primeiro, é preciso entender que o consumo de álcool em si não transforma pessoas éticas em assediadoras. O que ele faz é reduzir inibições e ampliar padrões já existentes. Além disso, se a cultura organizacional for permissiva, ambígua ou silenciosa diante de pequenas transgressões, o cenário fica ainda mais propício para que o risco comportamental se materialize.

    Informalidade não é ausência de regras

    Toda empresa deve tratar consentimento com nada menos do que alto rigor. E consentimento não é ausência de reação nem um riso nervoso, nem silêncio. Não é algo que se deduz do clima da festa. Ele precisa ser claro, explícito e livre de qualquer influência que comprometa a autonomia da decisão.

    Quando o “sim” depende do nível de sobriedade da pessoa ou da pressão implícita da relação hierárquica, não estamos diante de consentimento, estamos diante de vulnerabilidade.

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    Grande parte das situações de assédio moral ou sexual não começa com uma intenção declarada de ultrapassar limites. Começa com pequenas permissões culturais, como a piada que sempre foi tolerada, o comentário sobre o corpo tratado como elogio, o toque naturalizado como brincadeira. Em ambientes onde a informalidade é confundida com ausência de regra, o risco encontra terreno fértil.

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    É ilusório acreditar que o código de conduta da empresa fica restrito ao horário comercial. Eventos corporativos são extensões da cultura organizacional. A forma como líderes se comportam nesses contextos comunica mais do que qualquer treinamento formal. Eles ensinam pelo exemplo e pelo silêncio.

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    Quando uma organização trata episódios como “exagero”, “mal-entendido” ou “coisa de festa”, ela envia uma mensagem clara sobre o que realmente considera prioridade. E essa mensagem tem efeitos duradouros. A ressaca do Carnaval passa, mas o impacto de um episódio de assédio ignorado permanece na memória da vítima, na confiança da equipe e na reputação institucional.

    Fevereiro não é um mês de relaxamento ético. É um teste de coerência cultural. Empresas maduras entendem que valores não são circunstanciais.

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