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Alessandra Costa

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Psicóloga e sócia da S2 Consultoria. Atua na prevenção de fraudes, assédios e na construção de ambientes organizacionais mais seguros.

Os caminhos do racismo no dia a dia da empresa

Entenda como esse comportamento inaceitável pode se instalar de forma sutil e por que o antirracismo é um pilar inegociável de integridade e governança.

Por Alessandra Costa, colunista da VOCÊ RH 11 abr 2026, 10h05
Colagem de Retratos com diferentes tons de pele
 (RyanJLane/Getty Images)
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Falar sobre integridade nas organizações ainda costuma remeter a temas como compliance, prevenção a fraudes ou cumprimento de normas. Mas há uma dimensão menos explícita, e muitas vezes negligenciada, que precisa entrar de forma definitiva nessa agenda: a prática cotidiana de antirracismo.

É imprescindível ampliar esse olhar. Não apenas para reconhecer manifestações evidentes de preconceito, mas principalmente para discutir aquilo que se instala nas relações de trabalho. Porque, na prática, o racismo corporativo raramente aparece de forma direta. Ele se dilui em decisões aparentemente neutras, em comentários naturalizados, em critérios subjetivos que nunca são questionados.

Mas é possível, sim, identificá-lo. Ao longo de avaliações de integridade organizacional, alguns dilemas se repetem com frequência e ajudam a evidenciar como esses vieses operam na prática.

O primeiro deles costuma vir disfarçado de leveza. Alguém faz uma piada, um comentário sobre aparência, sotaque ou comportamento. A reação imediata, na maioria das vezes, é minimizar, dizer que “foi só uma brincadeira.” Mas essa frase carrega um problema estrutural. O humor, quando não é compartilhado por todos, deixa de ser um elemento de conexão e passa a ser um mecanismo de exclusão. Ele reforça pertencimento para quem está dentro do padrão dominante e, ao mesmo tempo, sinaliza para outros que aquele não é um espaço seguro. O desafio aqui não está em proibir o humor, mas em desenvolver maturidade cultural para reconhecer quando ele atravessa a linha do respeito.

E se um cliente é racista?

O segundo dilema pode ser ainda mais complicado, porque vem não da equipe, mas de fora. Situações em que um cliente adota uma postura discriminatória, e a empresa, mesmo percebendo o problema, opta por não agir. A justificativa costuma ser preservar a relação comercial, evitar desgaste, manter o faturamento, aquela velha história de que “o cliente tem sempre razão”. Mas essa escolha tem um custo, porque comunica internamente quais valores são, de fato, inegociáveis e quais são flexíveis dependendo do contexto. E isso impacta diretamente a confiança dos colaboradores, especialmente daqueles que já se encontram em posições mais vulneráveis.

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O terceiro dilema talvez seja o mais comum e, ao mesmo tempo, o mais difícil de se lidar. Ele não envolve uma ação direta, mas a ausência dela. Um colaborador presencia uma situação inadequada, discorda internamente, mas decide não se posicionar. Seja por receio de exposição, por insegurança ou por acreditar que não terá apoio, ele escolhe o silêncio. Esse é um dos principais mecanismos de perpetuação do preconceito nas organizações. Não porque as pessoas concordem, mas porque não se sentem seguras para discordar publicamente.

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Esses três cenários revelam que o preconceito se sustenta menos por atos extremos e mais por racionalizações cotidianas. E é justamente por isso que tratá-lo como uma questão exclusivamente de diversidade é insuficiente. Estamos falando de um tema de integridade, de governança e de gestão de risco cultural.

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O que a empresa deve fazer

Não basta criar políticas ou promover treinamentos pontuais. É preciso desenvolver a capacidade de leitura sobre comportamentos, identificar padrões de decisão e atuar de forma preventiva. Isso passa por estruturar canais seguros de escuta, revisar critérios de avaliação e promoção, apoiar lideranças na condução de conversas difíceis e, principalmente, criar um ambiente em que o desconforto possa ser expresso sem medo de retaliação.

Isso é antirracismo. É agir preventivamente e com firmeza. Não é teoria nem conversinha para dizer que “aqui na empresa, valorizamos a diversidade”, porque esses valores não se constroem apenas com posicionamentos institucionais ou campanhas. Eles se consolidam na coerência entre discurso e prática. E essa coerência, inevitavelmente, passa pelo RH. Não como área de suporte, mas como agente ativo na construção de ambientes nos quais respeito não seja uma diretriz, mas um comportamento inegociável.

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