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Alessandra Costa

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Psicóloga e sócia da S2 Consultoria. Atua na prevenção de fraudes, assédios e na construção de ambientes organizacionais mais seguros.

Os dilemas éticos de um relacionamento amoroso no trabalho

O romance que culminou com a queda do CEO da Nestlé merece reflexão: há riscos quando existe uma relação de poder entre as partes. Mas cada caso é um caso.

Por Alessandra Costa, colunista da VOCÊ RH
20 set 2025, 17h15 •
Papéis vermelhos em formato de coração dispostos sobre um teclado de computador preto.
 (Evgeny Bagautdinov/Getty Images)
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  • Não se manda no coração. Quem nunca escutou isso, não é? Geralmente, a frase vem acompanhada de histórias românticas improváveis ou até proibidas. Mas, na vida real, não dá para ignorar que muitos relacionamentos podem trazer riscos e impactos imprevistos – especialmente no ambiente de trabalho.

    O “escândalo amoroso” de Laurent Freixe, CEO da Nestlé, que foi afastado por ter se envolvido com uma funcionária, levantou mais uma vez esse assunto. A pergunta que não quer calar é, afinal, se é realmente ruim que pessoas que trabalham juntas se relacionem. Será?

    Em primeiro lugar, é importante ressaltar que, se o código de conduta da empresa proíbe um determinado tipo de relação (por exemplo, entre líderes e seus subordinados diretos), então ela tem o direito de agir caso descubra alguma violação. Cada organização determina suas próprias regras nesse quesito; portanto, não há uma resposta universal para um “pode” ou “não pode”.

    Cada caso (amoroso) é um caso

    Agora, com minha experiência em análise de riscos comportamentais e impactos éticos e culturais nas empresas, posso elaborar um pouco mais a razão por trás das proibições. Não porque acredito que as normas devam ser sempre rígidas ou idênticas, mas para que cada companhia saiba identificar seu cenário e suas necessidades.

    Em muitos casos, o maior dilema vem da falta de transparência ou mesmo de um conflito de interesses que pode prejudicar a empresa, a equipe, os clientes ou outros envolvidos. Nem sempre as pessoas que estão no relacionamento percebem todos os efeitos possíveis – nem mesmo para elas próprias. Por isso, casos entre lideranças e colaboradores são as histórias mais comuns e também as mais complexas: a relação de poder no trabalho facilmente se mistura às vidas particulares, o que torna tudo muito mais frágil eticamente. Se, por exemplo, o subordinado quiser sair do relacionamento, como terá certeza de que não sofrerá nenhum tipo de penalidade?

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    Existem, ainda, outros tipos de relação que não parecem causar nenhum problema, à princípio. Contudo, dependendo dos cargos e posições de cada pessoa, pode ocorrer favoritismo, quebra de confidencialidade, parcialidade em decisões estratégicas, entre outros riscos.

    Já cheguei a encontrar situações de relações forjadas já com má intencionalidade. Colaboradores que se envolveram entre si apenas porque uma das partes estava interessada em receber informações privilegiadas e vendê-las para o mercado. Parece roteiro de filme, mas acontece.

    No fim, a questão não é sobre relacionamentos no trabalho serem positivos ou negativos. O mais relevante é que as empresas tenham políticas claras e saibam lidar com cada cenário conforme ele acontece. É importante reduzir riscos, mas sem esquecer que todo colaborador tem uma vida pessoal ativa. Como em tantas facetas da vida, o equilíbrio é essencial.

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