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Alessandra Lotufo

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Especialista em aprendizagem, sócia e Managing Director da Afferolab.

Tendências para 2026: o que está mudando em Treinamento e Desenvolvimento

Agora, a aprendizagem corporativa passa a ser medida pela potência para decidir melhor, sustentar escolhas e atravessar ciclos de mudança com coerência.

Por Alessandra Lotufo
23 jan 2026, 19h09 •
Composição criativa de lápis com pequena lâmpada de papel brilhando acima sobre fundo verde
 (MissTuni/Getty Images)
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  • As tendências em educação corporativa para 2026 estão longe dos modismos pedagógicos com nomes em inglês. Elas são influenciadas por forças mais profundas, ligadas às mudanças no mundo do trabalho e à maneira como as organizações passam a reconhecer (ou não) a capacidade de seus colaboradores.

    Entre essas forças, a mais evidente é a inteligência artificial, que deixou de ser tema de curso para se tornar infraestrutura de trabalho. As organizações mais maduras já operam com IA. Copilotos acompanham decisões, tarefas cognitivas são automatizadas, a execução passa a contar com assistência contínua. O trabalho muda de natureza e leva com ele a aprendizagem corporativa, que passa a sustentar a performance mediada por algoritmos. Quando a tecnologia entra no fluxo, o aprendizado deixa de ser episódico, marcado na agenda. Ele passa a acontecer de forma contínua, misturado ao fazer.

    A segunda força é a consolidação da economia de skills como sistema operacional. Funções se redesenham rápido demais, deixando as fronteiras entre os cargos difusas. Em 2026, são as competências que orientam decisões importantes: onde investir, quem desenvolver, como formar times, como viabilizar mobilidade interna. O discurso skill-based exige dados, priorização e, principalmente, coragem. Nem toda habilidade importa ao mesmo tempo. Nem tudo pode ser desenvolvido de uma vez.

    A terceira força é a mudança no tipo de cobrança que recai sobre Learning & Development. Em um cenário de pressão por eficiência, L&D passa a ser avaliado pelo resultado concreto, uma demanda antiga das organizações. Os catálogos amplos e iniciativas bem-intencionadas perderam sustentação depois de não conseguirem demonstrar impacto mensurável. Performance, produtividade, qualidade, tempo de ramp-up, redução de erros e mitigação de riscos entram no centro da conversa. É desse pano de fundo que surgem as tendências de T&D. 

    Aprendizagem com mais foco e intenção

    Uma das mais visíveis é a transição de cursos para copilotos. Em vez de empurrar conteúdos, as organizações passam a integrar conhecimento, dados internos e inteligência artificial no próprio fluxo do trabalho. A aprendizagem acontece no momento da necessidade. Checklists, exemplos, templates, padrões e respostas contextualizadas encurtam a distância entre aprender e fazer. O saber deixa de ficar armazenado em uma plataforma e passa a acompanhar a decisão.

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    Outra mudança importante está na forma como upskill e reskill são desenhados. A lógica deixa de partir do que ensinar e passa a se orientar pela dor do que falta agora. Skills graphs, dados internos e leitura de risco ajudam a priorizar o desenvolvimento onde ele realmente importa, dando mais foco ao aprendizado. 

    Nesse mesmo movimento, cresce a compreensão de que não existe um único nível de fluência em IA. Uma organização precisa pensar em letramento em IA de acordo com a necessidade: alfabetização básica para todos, prática aplicada para determinados papéis e profundidade técnica para times-chave. Um único treinamento não atende a realidades tão distintas. 

    Também ganham espaço as microcredenciais. Credenciais menores, verificáveis e acumuláveis podem pesar mais do que certificados extensos e genéricos. Elas se conectam a evidências práticas, notadas rapidamente por gestores. Não valem pelo nome, mas pelo que comprovam.

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    O portfólio de aprendizagem também muda de lógica. Em vez de ser organizado por temas, passa a se estruturar por capacidades. Dados, IA, liderança, cliente, operações, segurança. Poucas, bem definidas, com governança, níveis claros e métricas próprias. Academias deixam de ser vitrines de conteúdo para funcionar como sistemas de desenvolvimento contínuo.

    Ao mesmo tempo, a prática retoma protagonismo. Reskill efetivo exige problemas concretos, entregáveis que possam ser avaliados. Conteúdo sozinho informa, mas não constrói capacidade. Sprints curtos, com critérios claros, passam a ser o espaço onde o aprendizado se prova. Simulações, role plays e imersões de decisão também retornam, com menos encenação e mais rigor. O ganho está na repetição qualificada, sustentada por debriefs de qualidade. Aprender volta a se parecer com treinar.

    Diante do excesso de conteúdo disponível, a curadoria ganha outro estatuto. Menos biblioteca, mais playlist. Conteúdos organizados por desafio, momento e nível de proficiência ajudam a devolver sentido à experiência de aprender. A inteligência artificial, aqui, atua como aliada. Aprender e se mover passam, cada vez mais, a andar juntos. L&D assume um papel relevante na mobilidade interna, conectando desenvolvimento a projetos, gigs e oportunidades. 

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    Mesmo com toda a automação, as chamadas human skills seguem no topo. Pensamento crítico, comunicação, colaboração e liderança não perdem relevância, ao contrário. O que muda é a forma de desenvolvê-las. Menos abstração, mais casos reais. Menos discurso, mais prática, feedback e repetição.

    Há ainda uma pauta incontornável: inclusão e acesso. Reskill em escala exige alcançar públicos operacionais e menos digitais. Mobile-first, pílulas rápidas, apoio do líder, tutoria e aprendizagem em turnos deixam de ser iniciativas sociais e passam a ser estratégias de produtividade. Tudo isso pede métricas mais maduras. Horas consumidas e NPS já não explicam muita coisa. A leitura se desloca para três níveis: adoção, proficiência e impacto operacional. O que não gera consequência deixa de ser sustentável.

    Fora das organizações, movimentos semelhantes pressionam o modelo tradicional. Turmas organizadas em coortes, com desafios e entregáveis aplicáveis, bootcamps ultracurtos focados em prova de habilidade, microcredenciais empilháveis e reconhecimento de aprendizagens prévias ganham força, impulsionados inclusive por políticas públicas. A prática e a evidência passam a falar mais alto do que a duração do percurso. 

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    Em 2026, a aprendizagem corporativa passa a ser medida pela potência que ajuda a construir. Potência para decidir melhor, sustentar escolhas estratégicas e atravessar ciclos de mudança com coerência. O foco está em dar corpo à ambição estratégica da organização, que se revela na capacidade de desenvolvimento das suas pessoas no dia a dia do trabalho. É nesse terreno concreto que Treinamento e Desenvolvimento encontram seu papel mais nobre: transformar intenção em potência organizacional, capaz de permanecer mesmo quando o contexto se transforma.

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