As 8 regras da The School of Life para viver e trabalhar com mais leveza
Conheça os princípios da escola do filósofo Alain de Botton, para que a correria do dia a dia não destrua sua qualidade de vida.
Sempre investi boa parte da minha energia e das minhas horas no trabalho, com muito prazer. Sempre gostei de trabalhar. Para você ter uma ideia, fui PR Manager do Gustavo Kuerten do começo ao fim da carreira dele (mais de uma década). E, na maior parte desse período, eu dirigia e editava uma revista de tênis. Paralelamente, coordenava equipes de comunicação de algumas competições. Tudo enquanto acompanhava o Guga em muitos torneios pelo mundo.
Desde aquela época, eu sigo com uma rotina profissional bem intensa, aliando minhas habilidades e experiências de comunicação com a fundação da The School of Life no Brasil e hoje estando na liderança da escola. Mas minha qualidade de vida mudou profundamente quanto compreendi que, de tempos em tempos, é útil parar para lembrar por que existimos, o que nos move, quais são os nossos princípios fundamentais. Pois, assim como acontece na trajetória de uma empresa, precisamos estar constantemente conectados ao nosso “core” para nos manter engajados.
Hoje, quando sinto a necessidade de realinhar rotas, rotinas ou pensamentos para viver de uma maneira mais plena, gratificante e verdadeira, recorro às “8 Regras da The School of Life”. É uma maneira de não ser “levada” pela correria do dia a dia, sem parar para pensar. São princípios que não se limitam à esfera pessoal: atravessam também o ambiente de trabalho, as relações profissionais e a forma como lideramos, colaboramos e tomamos decisões.
Em conversas com o Alain de Botton, filósofo moderno e fundador da escola, ele sempre fala: “Pense mais”. E essas regras realmente me ajudam a pensar mais. Veja o que elas significam.
1. Aceitar a imperfeição
A psicologia e a filosofia nos mostram que somos, por natureza, imperfeitos e cheios de conflitos, e que a perfeição está além do alcance humano. E, mesmo com todo o avanço da inteligência e da ciência, nunca eliminaremos completamente a dor e o erro. Isso quer dizer que o sofrimento continuará sendo parte central da experiência humana.
Quando olhamos de perto, todos somos inseguros, assustados, cheios de arrependimentos, desejos e falhas. Ou seja, ninguém é verdadeiramente “normal”. E as únicas pessoas que parecem normais são aquelas que ainda não conhecemos bem.
2. Compartilhar a vulnerabilidade
Saber revelar nossa vulnerabilidade é a base das relações genuínas e da verdadeira amizade – algo que todos desejamos, inclusive no ambiente profissional. Para isso, precisamos julgar menos e compreender mais, reconhecendo que quem fracassa não é um perdedor. Além disso, em algum momento, podemos estar no mesmo lugar de vulnerabilidade.
Vale destacar que, culturalmente, ainda se espera que gestores não demonstrem fragilidade, o que agrava o isolamento emocional. Inclusive, recentemente, a The School of Life, em parceria com a Robert Half, mapeou que mais de 60% dos líderes que estão enfrentando questões de saúde mental não se sentiram confortáveis para compartilhar essa informação com seus gestores diretos.
É fato: LinkedIn gera ansiedade. Mas é possível lidar com ela
3. Conhecer a própria insanidade
Não é possível ser totalmente são. E a maturidade começa quando compreendemos de que forma somos “loucos” e conseguimos alertar aqueles que convivem conosco sobre nossos padrões mais difíceis. Fazer isso antes de causar danos maiores. Deveríamos ser capazes de responder, sem ficar na defensiva, à pergunta: “como são as suas loucuras?”.
4. Aceitar as próprias tolices
Somos todos, inevitavelmente, tolos em algum grau. Assumir isso, além de ser libertador, nos torna mais confiantes diante dos desafios, mais tolerantes com nossos erros e mais dispostos a estender a mão aos outros. Quando abrimos mão do orgulho excessivo, sobra espaço para a colaboração e para a aprendizagem real.
5. Ser boa o suficiente
O oposto da perfeição não é o fracasso, mas a aceitação de que somos “bons o suficiente”. Bons profissionais, bons líderes, bons pais, bons humanos. Ser comum não é sinônimo de fracassar. Quando olhamos com mais atenção, é justamente na vida comum que estão os elementos mais valiosos da existência. A vida não está em outro lugar, nem em um futuro idealizado. Ela acontece aqui e agora.
6. Superar o romantismo
A ideia da “pessoa certa”, seja no amor ou no trabalho, é uma construção cruel. Ninguém é totalmente certo ou errado. Uma relação genuína, profissional ou pessoal, exige paciência, compaixão e disposição para lidar com as fragilidades mútuas. Não se trata de aceitar tudo passivamente, mas de crescer junto. Compatibilidade não é o ponto de partida; é uma conquista construída com esforço e diálogo.
7. Desesperar-se alegremente
Vivemos sob uma pressão constante para parecer bem e sorrir o tempo todo. Mas a realidade é que muita coisa não vai funcionar como esperamos. Precisamos reconhecer que a frustração faz parte da condição humana. Ainda assim, mesmo em meio à imperfeição, pequenas coisas boas continuam existindo: uma conversa honesta, um gesto de cuidado, um momento de silêncio. Desesperar-se alegremente é aceitar a tragédia da existência sem perder a capacidade de apreciar o que há de belo.
8. Transcender
Não somos o centro de nada, e isso é profundamente libertador. Somos pequenos em um universo vasto e indiferente. Justamente por isso podemos aliviar o peso do ego, da ansiedade e da autoimportância. Nossos dramas não precisam comandar tudo. Podemos ter uma vida com mais leveza, humor e perspectiva.
Em teoria, já sabemos dessas ideias. O problema é que nossas memórias são frágeis e nossas resoluções se dissipam rapidamente na rotina e na pressão do dia a dia. Por isso, precisamos revisitar esses princípios com frequência e de maneira intencional. E é exatamente esse o convite que deixo para você: volte, revisite, ensaie e pratique.







