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Fabio Josgrilberg

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Professor e pesquisador de comunicação, com ênfase em processos criativos, na Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP). É pesquisador do Centro de Gestão de Inovação Corporativa (FGVin) e do Núcleo de Estudos em Organizações e Pessoas (FGV-NEOP).

O papel da tragédia na vida profissional

Como superações pessoais importantes nos ajudam a dar novos significados às nossas escolhas e, eventualmente, mudar nossos caminhos.

Por Fabio Josgrilberg, colunista da VOCÊ RH 5 abr 2026, 09h16
Fotografia aérea de pessoas andando em um cenário com caminhos distintos.
 (Klaus Vedafelt/Getty Images)
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  • Na Grécia Antiga, antes das academias dos filósofos, existia o teatro.

    Nos teatros, milhares de pessoas assistiam às tragédias de Ésquilo, Sófocles e Eurípides, todas encenadas nas festas em honra de Dionísio. O teatro era o espaço de reflexão coletiva sobre as paixões, a liberdade, os amores, o sofrimento, as alegrias da vida e os dramas da existência humana.

    As tragédias ensinavam e ensinam a ressignificar a vida e os propósitos humanos. Elas estão na base da filosofia grega. Diante da tragédia, parece que recebemos aquele alarme do tipo: “Espera, o que estou fazendo? Qual o sentido disso tudo mesmo?”. Como dizem os anglófonos, um wake up call.

    Foi assim na pandemia, por exemplo. É assim em momentos mais pessoais, como quando uma paixão não é correspondida, perdemos um emprego ou alguém que amamos parte desta vida. Paramos, refletimos, ressignificamos e aprumamos o rumo – sim, às vezes isso demora, ficamos à mercê do Tempo Rei, esperando que ele transforme “as velhas formas do viver”, para usar a linda música de Gilberto Gil.

    Mas é na dor da tragédia que, muitas vezes, evoluímos, e o belo, de maneira quase irônica, emerge. O psicanalista, educador e teólogo Rubem Alves nos ensina que “Ostra feliz não faz pérola”, título de um de seus livros. A joia nasceu da ostra que superou as dificuldades do grão de areia que penetrou a carne, inflamou e, dali, virou pérola; a beleza que não elimina a dor, mas a torna suportável, explica o escritor.

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    A intensidade do mistério

    Nos dias de hoje, quase tudo se tornou parte de um grande cálculo, de uma estratégia. No entanto, não é raro que só uma tragédia nos faça entender o sentido das coisas. Nada contra o cálculo. É só que nem tudo é cálculo. E, sejamos sinceros, a estratégia pode estar errada porque aprendemos a mentir com estatísticas.

    O mais paradoxal é que, em geral, o cálculo costuma ser deixado de lado apenas quando estamos fragilizados, quase sem saída. Paramos de racionalizar, não sei se por falta de energia ou por desespero. Aí, quando não conseguimos racionalizar as soluções, passamos a agir por intuição. Por isso, é mais fácil falar de buscar inovação em empresas que estão mal das pernas do que naquelas que estão indo bem.

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    A intuição não é um Santo Graal. De novo, às vezes, funciona; outras vezes, damos com a cara no chão. Ela nasce do sentido que damos ao mundo, que se apresenta em perfis cheios de mistérios. Só conseguimos ver parte dos fenômenos que nos circundam. Ah, os mistérios a gente também pode chamar de vida.

    O curioso é que encarar um mistério, por intuição, quando você não domina todas as variáveis em jogo, pode ser algo muito mais intenso. O frio na barriga de uma intuição, de tomar uma decisão cheia de dúvidas, mas que, lá no fundo, sentimos que é provavelmente a decisão mais certa, é uma experiência que nos enche de adrenalina, de vitalidade, que acho que vem da coragem de lutar pela sobrevivência. Não precisamos esperar pela tragédia para ressignificar para onde vamos.

    Falar é fácil…

    As tragédias pessoais produziram grandes escritores e artistas, mas também empreendedores e lideranças executivas que tiveram de renascer das cinzas. Histórias de superação que fazem dessas pessoas seres mais fortes e de uma beleza magnética, assim como a pérola de Rubem Alves.

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    Bom, este texto era para tratar da vida profissional. Mas acho que acabou sendo só sobre vida mesmo. A vida se ressignifica a partir da tragédia; aprendamos com as pérolas. E, hoje, ando meio fascinado com a ideia de também me aventurar na intensidade das dúvidas que os mistérios dos próximos passos suscitam.

    Fácil falar, difícil viver tudo isso – eu mesmo já me acovardei muitas vezes. Mas a reflexão é bela. E “é pela beleza que se caminha à liberdade”, escreveu o poeta e filósofo Friedrich Schiller na segunda carta de Educação Estética do Homem (sic) (1795). Só ela reconcilia o sensível (instinto, matéria, necessidade) com o formal (razão, lei, dever).

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