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Flavia Nardon

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Diretora Global de Pessoas e Responsabilidade Social (CHRO) da Gerdau.

Por que a cultura corporativa depende de intencionalidade e coerência

Descubra como as microdecisões diárias e a consistência da liderança moldam os valores que garantem a perenidade do negócio.

Por Flavia Nardon, colunista da VOCÊ RH 26 abr 2026, 13h42
Ilustração de Mão de direção da equipe na ilustração vetorial do cartão de colagem retro
 (cienpies/Getty Images)
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A perenidade de uma empresa não reside apenas em balanços financeiros ou ativos industriais, mas na solidez de sua cultura, que deve ser o sistema operacional do negócio. Frequentemente, a cultura organizacional é tratada como um conceito etéreo, algo que se resolve com um conjunto de valores emoldurados e divulgados aos times. No entanto, sabemos que ela é, na verdade, o reflexo das escolhas do cotidiano, o que as pessoas veem acontecer diariamente em uma organização. 

Não estamos falando aqui apenas das grandes decisões, que demandam meses de análises, reuniões e discussões calorosas. Falamos das microdecisões diárias – nas quais as lideranças investem seu tempo, reagem a um erro ou a uma nova ideia levantada pelo time, os diálogos acontecem, perguntas são feitas, comportamentos são reconhecidos e valorizados.  

O que nosso grilo falante não deixa esquecer

O agir intencional da liderança na construção de uma cultura é essencial. Um líder precisa estar sempre atento ao que comunica, não apenas usando palavras, mas especialmente por meio de suas ações. Para essa difícil tarefa, é importantíssimo contar com o apoio de colegas e pessoas na equipe que o apoiem nessa auto-observação. 

Na Gerdau, desde que iniciamos a transformação cultural da empresa, instituímos a figura do “grilo falante” – uma alusão ao personagem Jiminy Cricket de Aventuras do Pinóquio (livro de 1883, do italiano Carlo Collodi, que ganharia uma versão para o cinema da Disney em 1940) –, que observa e traz à consciência do líder o reflexo dos seus atos. Ter um grilo falante é um ato de vulnerabilidade que nos faz crescer como seres humanos e como líderes. 

Estamos vivendo, mundialmente, uma crise de confiança nas lideranças, que resultam em dados assustadores de falta de engajamento dos profissionais com os seus ambientes de trabalho. Esse fato torna ainda mais necessária a comunicação constante, a proximidade com os times, a transparência e a consistência que tanto fortalece as conexões humanas. Nada é mais forte que as conexões verdadeiras entre seres humanos que atuam com clareza, diálogo aberto e um propósito comum.   

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Os erros de comunicação mais cometidos pelos líderes

A perenidade da cultura exige monitoramento

A coerência entre as atitudes da liderança e o conjunto de valores fixados na parede é o que determina a força de uma cultura organizacional. Por isso, é fundamental que a gestão da cultura aconteça de forma constante. 

A transformação cultural da Gerdau começou há mais de dez anos. De lá para cá, temos monitorado a nossa cultura por meio de pesquisas anuais e escutas periódicas dos colaboradores. Seguimos a premissa de que sempre que há mudanças na estratégia ou na liderança de uma organização, ela deve verificar de forma estruturada se a sua cultura está alinhada com a visão atual. Afinal, uma empresa jamais será inovadora, por exemplo, se a sua cultura for um bloqueio a novas ideias.  

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Assim, em 2021, convidamos a liderança da organização para um novo debate a respeito da nossa cultura, entendendo o que nos impulsionava ou nos impedia de evoluir. O desafio, mais uma vez, foi nos desenvolver em comportamentos-chave e sermos exemplos desses comportamentos. 

Afinal, uma organização de 125 anos, com 30 mil colaboradores em sete países, necessita estar constantemente trabalhando sua cultura. Todos os dias temos novos profissionais entrando na organização, novas lideranças assumindo posições. Todos os dias, é preciso manter viva e na pauta a cultura da empresa, de forma que ela seja vista, percebida e sentida. Nesse caminho, é fundamental explicar as decisões conectando-as aos valores organizacionais. O que é óbvio para alguns nem sempre é para todos. 

O que deve ficar é: a agilidade de uma organização emana da clareza sobre os princípios que guiam o coletivo. A consolidação de uma cultura não decorre de um único ato ou de uma intenção isolada. Ela é, na verdade, o resultado orgânico e contínuo de valores e crenças internas profundamente enraizados e mantidos no dia a dia, especialmente em tempos difíceis. “Quando a água baixa, as pedras aparecem” é uma frase muito utilizada pelos profissionais que estudam cultura organizacional. Ou seja, em tempos difíceis e com recursos escassos, tornam-se ainda mais necessárias a coerência e a intencionalidade nas ações da liderança, evitando a paralisia coletiva.  

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