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Jackie De Botton

Por The School of Life Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Diretora criativa da The School of Life

Quer melhorar o vínculo com seus colegas? Peça ajuda com mais frequência

Ao pedir auxílio, você se coloca nas mãos do outro e dá a ele a chance de ser valioso para a relação de vocês. É assim que uma conexão verdadeira se forma.

Por Jackie De Botton
28 jan 2026, 18h00 •
Colagem de duas mãos segurando umas as outras.
 (Deagreez/Getty Images)
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  • Existe um paradoxo na psicologia: quando pedimos ajuda a alguém, essa pessoa tende a gostar mais de nós. Tenho aprendido muito sobre isso com os psicólogos da The School of Life Brasil. E talvez você esteja se perguntando: “Como isso funciona exatamente?”; “Qual é a base dessa ideia?”; e “Como colocá-la em prática no trabalho?” 

    Costumamos acreditar que estamos atrapalhando nossos colegas quando pedimos ajuda. Eles já estão ocupados demais. A tentação é grande de se fechar e procurar outra solução, especialmente quando sentimos certa distância de alguém. Muitas vezes, de forma inconsciente, temos medo de que os outros nos vejam como menos competentes quando precisamos da ajuda deles.

    O curioso é que acontece justamente o contrário. Ao pedir ajuda, você passa a ser mais valorizado pela outra pessoa. Isso porque dá ao outro a oportunidade de ser significativo para você. E, ao fazer isso, ele passa a te respeitar mais. Pedir ajuda, portanto, é uma forma poderosa de se conectar mais profundamente com seus colegas.

    O Efeito Benjamin Franklin

    Um dos fundadores dos Estados Unidos, Benjamin Franklin se interessava profundamente pelas relações humanas. Em sua autobiografia, ele escreveu sobre uma rivalidade com outro legislador, de quem se sentia bastante distante. Um dia, por necessidade, Franklin pediu ao rival que lhe emprestasse um livro raro de sua biblioteca.

    O resultado o surpreendeu: o mesmo homem, que antes o ignorava em encontros, passou a puxar conversa espontaneamente e uma amizade próxima e duradoura nasceu entre os dois nasceu. E a ideia de que pedir ajuda pode aumentar a conexão entre duas pessoas ficou conhecida como Efeito Benjamin Franklin. Embora as evidências científicas sejam limitadas, alguns estudos já confirmaram esse fenômeno. A teoria também aparece com frequência em meios online como uma técnica eficaz de venda.

    Na cultura japonesa, existe até uma palavra para um princípio semelhante: amae, que pode ser traduzida como “aproximação por meio de uma relação semelhante à de pai e filho”. Ao se tornar “dependente” de outra pessoa, você apela para o cuidado dela. E isso cria vínculo.

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    O que foi amplamente estudado, no entanto, é o conceito de dissonância cognitiva. Trata-se da ideia de que, de forma inconsciente, evitamos crenças contraditórias porque elas nos causam desconforto mental. A dissonância cognitiva nos leva a alinhar nossas ações à maneira como vemos o mundo, e vice-versa.

    Mas por que ajudaríamos alguém de quem não gostamos? Pelo que aprendi com as ideias da psicologia, nossa aversão inconsciente à dissonância cognitiva faz com que passemos a gostar mais das pessoas que ajudamos. Psicólogos usam esse conceito como explicação para a observação feita por Benjamin Franklin.

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    Colocando em prática

    Agora pense em um colega em relação ao qual você costuma sentir certa distância. Reflita sobre em qual ponto essa pessoa é boa e como isso poderia apoiar o seu trabalho. Pense, de preferência, em algo que apenas ela possa ajudar. Assim, você realmente precisará recorrer a ela.

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    Recorde o que você sentiu da última vez que alguém lhe pediu ajuda. Isso afetou seu humor? Como se sentiu em relação a si mesmo? E em relação à pessoa que pediu? É bem provável que tenha sentido algo positivo. Afinal, ajudar alguém costuma ser algo prazeroso.

    Se sabe como alguém pode ajudá-lo, simplesmente faça o pedido. Independentemente de seu colega ser ou não afetado pela dissonância cognitiva, você já deu um passo importante: superou o orgulho e aceitou que ficará, de certa forma, “dependente” daquela pessoa.

    Isso te torna vulnerável. Você se coloca nas mãos do outro e dá a ele a chance de ser valioso de uma maneira única para a relação de vocês. É assim que uma nova conexão verdadeira se forma.

    Use com moderação

    O ponto central dessa ideia está na sinceridade do pedido de ajuda. Se virar um truque e você forçar uma situação para simular dependência o efeito pode ser exatamente o oposto. A outra pessoa pode recusar o pedido, o que confirma e reforça a distância.

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    Segundo a teoria da dissonância cognitiva, quando alguém decide não ajudar, tende a justificar isso passando a ver o outro como menos digno. O Efeito Benjamin Franklin, portanto, não é uma garantia automática de conexão no ambiente de trabalho. Existem mecanismos de defesa. Alguém pode pensar: “Ajudo essa pessoa porque ela me paga” ou “Ajudo para criar boa vontade para o futuro”. Nesse caso, a relação se constrói sobre transações, e não sobre o reconhecimento da “dependência” mútua.

    Ainda assim, não leve isso ao extremo. Talvez o insight mais importante do Efeito Benjamin Franklin seja o seguinte: as pessoas, em geral, estão muito mais dispostas a ajudar do que imaginamos. E, se você realmente quer se conectar com seus colegas, não há como evitar pedir ajuda de vez em quando e de forma honesta. Então faça isso, mesmo que a relação pareça rígida ou esfriada. 

    Quem sabe você não cria, sem querer, como Benjamin Franklin, uma amizade calorosa para a vida toda.

     

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