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Jackie De Botton

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Diretora criativa da The School of Life

Questionamentos de Aristóteles para uma vida que vale a pena ser vivida

Reflexões para inspirar lideranças a cultivar ambientes equilibrados, relações de confiança e práticas que sustentam satisfação e desenvolvimento contínuo.

Por Jackie de Botton, colunista da VOCÊ RH
29 nov 2025, 13h49
Fotografias de cenas de viagens distintas em formato polaroide.
 (Gary Yeowell/Getty Images)
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O que significa viver bem? Aristóteles fez essa pergunta há mais de 2 mil anos, e as respostas dele ainda soam surpreendentemente atuais. Ele não via a felicidade como uma coincidência, mas como algo que você pode praticar: um resultado de hábito, virtude e amizade. Ele é o pensador de tudo o que faz a vida valer a pena, de uma boa conversa à verdadeira amizade e ao crescimento moral. As ideias dele nos ajudam a refletir sobre o que realmente vale a agitação de agora.

Aristóteles nasceu por volta de 384 a.C. no antigo reino grego da Macedônia. Tornou-se um dos filósofos mais influentes de todos os tempos. Preferia ensinar e debater ideias enquanto caminhava. Era fascinado pela forma como as coisas funcionavam e obcecado pela pergunta mais importante de todas: “O que faz a vida de uma pessoa ser verdadeiramente boa?”.

Para Aristóteles, a filosofia estava profundamente vinculada à sabedoria prática. Entre outras coisas, ele estava envolvido nas seguintes questões filosóficas:

O que faz as pessoas felizes?

No livro Ética a Nicômaco, Aristóteles tem como objetivo investigar quais fatores determinam se as pessoas levam ou não uma vida feliz. Ele ressalta que todas as pessoas felizes e bem-sucedidas têm certas virtudes, que precisam ser identificadas para que possamos apreciá-las em nós mesmos e respeitá-las nos outros. Destacando que toda virtude está entre dois extremos do caráter de alguém.

Na visão dele, um dos ingredientes mais importantes de uma vida feliz é saber como ter uma boa conversa. Algumas pessoas se prejudicam porque não têm senso de humor. Tal pessoa é uma “palha seca”: alguém que não é adequado para qualquer tipo de interação social, porque não contribui com nada e se sente ofendido por tudo e por todos.

Há, porém, quem vá longe demais em seu humor: aquele que não pode deixar de fazer uma piada e não poupa a si mesmo ou ao outro, desde que as pessoas riam dele. Diz coisas que alguém com bom gosto nunca diria. Já a pessoa virtuosa caminha no meio-termo, com tato.

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Não podemos simplesmente mudar radicalmente nosso comportamento. Mas é possível, com o tempo, nos tornarmos uma pessoa diferente. A bondade moral, diz Aristóteles, é o resultado do hábito, que exige tempo, prática e incentivo.

Por isso, o filósofo acreditava que as pessoas que não têm certas virtudes não são exatamente ruins. Elas não precisam de um sermão, mas de mais orientação e melhores professores.

Para que servem os amigos?

Aristóteles descreve três tipos de amizade. O primeiro é baseado no prazer: buscamos a diversão, o entretenimento e o agrado que o outro possa nos proporcionar. O segundo tem como base a utilidade, definida por relações com conhecidos estratégicos que nos agregam algum benefício. Por fim, existe o verdadeiro amigo. Não uma pessoa exatamente como nós, mas alguém que amamos tanto quanto a nós mesmos. A tristeza e os prazeres de um verdadeiro amigo também nos pertencem. É uma relação que nos deixa, ao mesmo tempo, vulneráveis e mais fortes.

Ela nos liberta do pequeno círculo de nossas próprias preocupações. Nossa vida se conecta à do outro e, juntos, nos tornamos melhores. Ao compartilharmos as virtudes um do outro, pouco a pouco, os defeitos se atenuam. A amizade nos ensina como devemos ser. É literalmente a melhor coisa da vida.

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Como as ideias podem nos penetrar em um mundo agitado?

Rodeado de tantas pessoas, Aristóteles percebeu que o melhor argumento nem sempre ganha o debate ou recebe o apoio do público. Ele queria saber por que isso é assim e o que podemos fazer a respeito. E teve ampla oportunidade de observar. Principalmente porque, em Atenas, muitas decisões eram tomadas em reuniões públicas realizadas na ágora, a praça da cidade.

Lá, os oradores competiam pela opinião pública. Aristóteles mapeou os fatores que influenciavam grupos e indivíduos. Descobriu que nem sempre se pensava de forma lógica, mesmo quando todos os fatos estavam à disposição. Isso era frustrante e muitas pessoas sérias não suportavam a situação. Algo que fazia com que elas evitassem os debates públicos.

No entanto, Aristóteles era ambicioso e explorou melhor a retórica: a arte de convencer, para que as pessoas concordassem com quem estivesse falando. Mas ele focou em orientar pessoas sérias, com boas intenções, a serem convincentes. Seu objetivo não era simplesmente “atropelar” quem discordava.

Nesse sentido, fez algumas recomendações atemporais: você tem que tirar o medo das pessoas; tem que ver o lado emocional da questão. O que você diz deve ter humor, porque as pessoas não conseguem se concentrar por muito tempo. É possível que tenha que usar imagens e exemplos para ilustrar sua mensagem.

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Na The School of Life, gostamos de relembrar Aristóteles. Algumas pessoas dizem que a filosofia não parece ser uma ciência tão prática hoje em dia, mas isso pode ser porque elas não prestam tanta atenção ao que esse filósofo já disse e escreveu.

Aristóteles nos lembra que uma boa vida não é algo que nos acontece por acaso, mas algo que podemos praticar todos os dias. Em um mundo que gira em torno da velocidade, das opiniões e do desempenho, ele nos convida a desacelerar e reaprender o que significa viver de forma virtuosa, atenciosa e amigável.

Sua filosofia não é uma teoria abstrata, mas um guia para a vida cotidiana.

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