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João Roncati

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João Roncati é especialista em mudança organizacional, cultura e estratégia e CEO da consultoria People+Strategy

Eficiência tóxica: quando demitir por IA sai mais caro que manter talentos

41% das empresas – como CNN e Dropbox – planejam reduzir suas equipes por causa da inteligência artificial. Saiba o que elas perdem com essa decisão.

Por João Roncati, colunista de Você RH
12 out 2025, 15h24 •
Colagem de meio-tom representando conceito de negócios
 (Natalya Kosarevich/Getty Images)
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  • A caixa de Pandora foi aberta. O que era uma discussão futurista em painéis de tecnologia tornou-se a pauta fria das reuniões de diretoria: a aceleração das demissões justificadas pela inteligência artificial. Quando o diretor executivo da Amazon, Andy Jassy, admite publicamente que a IA substituirá funcionários, ele não prevê o futuro: está apenas nomeando o que já acontece nos bastidores.

    A febre da “eficiência algorítmica” se espalha, e os números são assustadores. Uma pesquisa recente do Fórum Econômico Mundial é clara: 41% das empresas planejam reduzir suas equipes nos próximos cinco anos especificamente por causa da IA.

    Não estamos falando de algo abstrato. Empresas como CNN, Dropbox e Block já colocaram a IA como pivô de seus cortes. O relatório “Futuro dos Empregos 2025” vai além, prevendo a eliminação de 92 milhões de empregos (o que representa 8% da força de trabalho global atual) até 2030.

    Como especialista acostumado a analisar reestruturações, vejo um padrão perigoso emergindo. É o mesmo roteiro da terceirização desenfreada que vimos no passado: uma promessa de eficiência que ignora a perda de controle, qualidade e conhecimento. O erro não está em adotar a IA; mas sim na forma como ela é usada como justificativa para um corte cego.

    A arrogância da gestão “Plug-and-Play”

    A tendência agora ganha uma arrogância corporativa preocupante. Veja o caso da gigante de tecnologia Shopify. A empresa inverteu o ônus da prova: as equipes agora precisam provar que a IA não é capaz de executar uma tarefa antes de solicitar uma nova contratação. Já o Duolingo vai substituir gradualmente seus colaboradores externos (tradutores e revisores, entre outros) por IA.

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    O que essas empresas, e as centenas que seguirão seu exemplo, parecem esquecer é que a IA, em seu estado atual, é uma ferramenta de produtividade fenomenal, mas uma péssima gerente de crise. Ela não possui discernimento, ética ou pensamento crítico.

    O custo oculto do corte humano

    Na minha experiência, grandes cortes de pessoal, como os vistos historicamente em grandes empresas, sempre geram um “fantasma organizacional”: a perda do conhecimento, a quebra da cultura e a sobrecarga dos remanescentes. Agora, adiciona-se uma nova camada de complexidade: substituindo conhecimento por um código que nem sempre se pode explicar.

    A companhia sueca de tecnologia financeira Klarna anunciou uma reviravolta em sua abordagem sobre o uso de IA. A organização está abandonando sua política de automatização após o principal executivo da empresa ter admitido que a qualidade de seus serviços despencou.

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    Há dois anos, foi iniciada uma parceria com a OpenAI para automatizar funções, sendo que sua IA poderia equivaler à produtividade de 700 empregados. Mesmo com uma economia de US$ 10 milhões em marketing, análise de dados e atendimento ao cliente, a empresa prepara uma nova fase de recrutamento de pessoal para essas posições.

    A IA ainda precisa desesperadamente do pensamento crítico humano. Ela pode redigir um contrato, mas não negociar os termos sensíveis. Ela pode analisar dados de mercado, mas não sentir a mudança no humor do consumidor.

    A pressa em eliminar o “custo humano” trará problemas em massa. Veremos empresas enfrentando crises de conformidade, desastres de relações públicas e uma queda brutal na qualidade da entrega – como aconteceu com a Klarna. Cortar e acreditar que a operação continuará normalmente não é otimismo, é delírio gerencial.

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    O futuro do trabalho não é o homem versus a máquina. É o homem com a máquina. As empresas que simplesmente demitem em vez de requalificar, ou que priorizam o algoritmo sobre o julgamento, não estão se preparando para o futuro. Apenas cavam, de forma muito eficiente, a própria sepultura.

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