Oferta Relâmpago: Você RH em casa por 9,90
Imagem Blog

Luciana Rovegno

Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Coach executiva, membra do Comitê de Ética da ICF (Brasil), mediadora e mestre em educação de adultos.

O poder da vivência no desenvolvimento de competências

Imersões colaborativas, em ambientes de comunidade, impulsionam protagonismo e aprofundam capacidades interpessoais.

Por Luciana Rovegno, colunista da VOCÊ RH 3 Maio 2026, 10h39
Colagem de duas mãos próximas com bocas no entorno.
 (Deagreez/Getty Images)
Continua após publicidade

Aos 10 anos, comecei a estudar inglês e passava horas buscando decorar palavras e expressões novas. Em um passado não tão longínquo – em que não havia internet, músicas só eram acessíveis pelo rádio, fitas K7 ou discos, e filmes eram em VHS com legenda em português –, encontrar espaços de prática intencional e estruturada fora da sala de aula era um grande desafio.

Quando queremos nos tornar competentes em alguma nova habilidade (como falar um idioma estrangeiro), existem três dimensões que precisamos observar: nosso conhecimento, nossa habilidade em si e nossa atitude. O acrônimo CHA, muito utilizado nas organizações para definir “competência”, resume esses três aspectos (conhecimento, habilidade e atitude).

Há pouco mais de uma década, decidi “aprender” CNV, Comunicação Não Violenta. Eu vinha trabalhando a inteligência emocional por meio de leituras (conhecimento) e pela terapia (atitude). Entretanto, sentia falta de espaços de prática intencional, pois, sem prática, é difícil aprimorar habilidades.

Minha busca por aprendizado

Para cuidar dessa necessidade de praticar, comecei, como muitos de nós costumamos fazer, a frequentar cursos, pois em ambientes de aprendizagem em grupo não raro são propostos exercícios práticos. Também busquei o apoio de outros aprendizes, em uma relação que na CNV chamamos de “par empático”, alguém com quem praticamos a escuta ativa e somos escutados e acolhidos. Participei de projetos de voluntariado durante a pandemia, quando oferecíamos escuta empática a profissionais da rede pública de saúde, que estavam vivendo um período de grandes dificuldades e poderiam se beneficiar do acolhimento que um processo de escuta empática proporciona.

Com o tempo, os cursos existentes passaram a ser um tanto básicos, agregando pouco ao processo de refino de minhas habilidades. Foi ficando cada vez mais claro que uma vivência mais completa de CNV se tornava necessária para amadurecer a prática, da mesma maneira que, um dia, entendi ser necessário ir estudar em países cujo idioma era o inglês para conseguir adquirir proficiência. Porém, diferentemente do idioma inglês, em que é possível definir facilmente onde é falado para escolher onde ter essa vivência, o “idioma” da Comunicação Não Violenta não é o “idioma oficial” em nenhum país. Era preciso criar um espaço para esse fim.

Foi assim que, em 2019, comecei a participar, primeiro como intérprete voluntária e, mais tarde, como participante, de retiros de prática de CNV. Alguns desses retiros são internacionais (daí a necessidade de intérpretes voluntários), organizados pelo CNVC (https://www.cnvc.org/pt/), com duração de nove dias. Outros são nacionais, organizados pela Comunidade Práxis (https://sinergiacomunicativa.com.br/praxis/), criada pelos queridos amigos Sandra Caselato e Yuri Haasz.

Continua após a publicidade

Como dar adeus aos treinamentos chatos

Decisões comunitárias

Passei o último feriado de Tiradentes em um desses retiros da Práxis, na companhia de aproximadamente 20 pessoas. A vivência em comunidade tem elementos diferentes daquela que é possível acessar em cursos, pois não praticamos apenas em momentos específicos, criados para esse fim. Praticamos o tempo todo, uma vez que é a comunidade quem define o quê, como, quando será pauta, quem vai conduzir quais atividades e assim por diante, com base em ofertas e pedidos do grupo. Iniciamos os dias com um encontro da comunidade, que é um convite à presença e à partilha. Questões importantes para a organização do dia são compartilhadas, necessidades que precisam ser atendidas são debatidas e estratégias para cuidar delas, em comunidade, são criadas. Na sequência, as ofertas de oficinas, laboratórios, dinâmicas entre outras, vão acontecendo e ninguém é “obrigado” a nada. É difícil compreender o quão libertador é perceber que se tem, de fato, autonomia.

Eu só conseguiria me juntar ao grupo no sábado de manhã e, acostumada à rigidez de muitos espaços de aprendizagem, fiquei apreensiva sobre qual seria o melhor horário para chegar sem atrapalhar. Ao compartilhar essa preocupação com a Sandra, ela me disse algo que atendeu plenamente à minha necessidade de autonomia e pertencimento: “venha a hora que for melhor para você”. Senti um alívio imediato – aquele tipo de relaxamento que só surge quando percebemos que realmente temos espaço para exercer nossa autonomia.

Open Space

A proposta nesses retiros é que a comunidade se organize a partir das premissas da metodologia de facilitação conhecida como Open Space, que parte do princípio de que as pessoas produzem melhor quando têm liberdade para tratar de temas que realmente as apaixonam. Os quatro pilares que sustentam a metodologia são:

Continua após a publicidade
  1. Quem quer que venha é a pessoa certa: O foco não é o cargo ou o status, mas o interesse e o compromisso. Se alguém está presente, é porque tem algo a contribuir ou a aprender.
  2. O que quer que aconteça é a única coisa que poderia ter acontecido: Isso incentiva o grupo a focar no presente e nas oportunidades reais, em vez de se perder em expectativas ou no que “deveria” ser.
  3. Quando quer que comece é a hora certa: A criatividade e a inovação não seguem o relógio de forma rígida. O diálogo flui quando a energia do grupo está pronta.
  4. Quando acabar, acabou: Não se deve forçar a continuidade de uma conversa se o assunto já foi exaurido. Se o objetivo foi atingido em 20 minutos ou 2 horas, respeita-se o tempo do processo.

A lei da mobilidade e da responsabilidade

Além desses princípios, a metodologia conta ainda com a “lei dos dois pés”, também conhecida como a lei da mobilidade e da responsabilidade. Ela dita que, se em algum momento você perceber que não está aprendendo nem contribuindo em uma sessão, você tem a responsabilidade de usar seus dois pés e se deslocar para um lugar no qual possa ser mais produtivo.

Essa “lei” possibilita a existência de alguns papéis simbólicos, como as abelhas e as borboletas:

  • Abelhas são os participantes que saltam de grupo em grupo, levando ideias de uma conversa para outra e criando conexões inesperadas.
  • Borboletas são aqueles que, às vezes, não entram em nenhum grupo. Eles ficam pelos cantos, no café ou circulando. Muitas vezes, acabam atraindo outras pessoas para conversas informais e profundas que nem estavam na agenda oficial.
Continua após a publicidade

Essa metodologia viabiliza uma conexão muito mais profunda com as nossas próprias necessidades e com as necessidades dos outros. Essa conexão é a base da Comunicação Não Violenta. Para Marshall Rosenberg, o criador da CNV, as necessidades humanas universais são o “motor” de tudo o que pensamos, dizemos e fazemos. Elas representam a energia vital que busca expressão em cada indivíduo.

Para ele, os sentimentos não são causados pelo que os outros fazem, mas sim pelo estado das nossas necessidades.

  • Necessidades atendidas: Geram sentimentos como alegria, alívio, satisfação ou curiosidade.
  • Necessidades não atendidas: Geram sentimentos como frustração, raiva, medo ou tristeza.

Assim, os sentimentos funcionam como um “painel de controle” que indica se algo essencial para nós está sendo nutrido ou negligenciado.

Continua após a publicidade

No retiro, exercitamos nossa habilidade de escutar necessidades e ler nosso “painel de controle”. Como as necessidades são universais, elas funcionam como uma ponte para a empatia e facilitam a colaboração. Assim, a prática não fica limitada a alguns poucos exercícios durante oficinas, mas se transforma no próprio tecido social que vamos tecendo durante os dias em que estamos em comunidade.

Todo processo de aprendizagem e desenvolvimento precisa ser cuidado como um jardineiro cuida de seu jardim. Precisa receber adubo, água e sol na medida certa. Precisa de paciência, pois cada planta tem seu ritmo e tempo certos. O processo não é linear. Com o tempo, o jardim começa a florescer. Não porque o jardineiro forçou as plantas, mas porque criou as condições para que elas expressassem seu melhor.

Aprender é isso: cultivar-se. É permitir que, com cuidado, paciência e intenção, aquilo que somos se expanda e floresça. É buscar inspiração sempre, para não deixar o processo murchar.  O que você tem feito para “adubar” seu desenvolvimento?

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

OFERTA RELÂMPAGO

Digital Completo

Gestores preparados vencem!
Por um valor simbólico , você garante acesso premium da Você RH Digital à informação que forma líderes de verdade.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 52% OFF

Revista em Casa + Digital Completo

Receba Você RH impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
De: R$ 26,90/mês
A partir de R$ 12,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).