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Nathalia Arcuri

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Fundadora da Me Poupe!, ecossistema de educação financeira, e autora dos livros "Guia Prático Me Poupe! – 33 dias para mudar sua vida financeira", "Me Poupe! – 10 passos para nunca mais faltar dinheiro no seu bolso" e "Eu Chefe de Mim".

O Brasil já tem mais cartões de crédito do que pessoas

Colaboradores usam esse recurso de forma errada. Empresas devem dar educação financeira para que endividados não percam produtividade e saúde mental.

Por Nathalia Arcuri, colunista da VOCÊ RH 12 abr 2026, 17h44
Cartão de crédito preso a um anzol.
 (Francesco Carta fotografo/Getty Images)
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Um dado recente chama a atenção e ajuda a entender o momento que o país vive em relação ao dinheiro: o Brasil encerrou o primeiro semestre de 2025 com aproximadamente 243 milhões de cartões de crédito ativos, segundo o Banco Central. O número ultrapassa a população brasileira e mostra como o crédito passou a fazer parte da vida de todo mundo.

Cartão de crédito não tem nada de novidade, virou uma ferramenta comum para pagar compras, organizar despesas e até ganhar prazo no orçamento. O problema é quando essa facilidade chega antes da informação, porque grande parte dos brasileiros recebe o primeiro cartão sem nunca ter aprendido como ele funciona e acaba confundindo limite com renda, acreditando que parcelar compras pequenas não traz impacto relevante, sendo que, aos poucos, essas decisões vão se acumulando.

A real é que o cartão de crédito não representa dinheiro extra, cada compra realizada é um compromisso que vai ter de ser assumido lá na frente. Quando esse mecanismo não está claro, ele deixa de ser um facilitador e passa a pressionar a pessoa com parcelas que se somam mês após mês e passam a disputar espaço com despesas essenciais da casa, tornando-se um peso que não fica restrito ao orçamento doméstico porque a preocupação com o dinheiro acompanha a pessoa ao longo do dia, inclusive no trabalho.

Aí é só observar, funcionários endividados já chegam pensando nas contas atrasadas, cobranças e na dificuldade de fechar o mês. Esse tipo de preocupação afeta a concentração, a produtividade e até o equilíbrio emocional.

A empresa precisa orientar como o funcionário lida com seu dinheiro

Por muito tempo, a educação financeira foi tratada como um assunto exclusivamente pessoal, em que cada um deveria resolver sua própria relação com o dinheiro. Mas a realidade mostra que essa visão precisa evoluir porque dinheiro, saúde mental e desempenho profissional caminham juntos e empresas que se preocupam com o desenvolvimento das pessoas, também olham para o bem-estar financeiro de suas equipes.

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A ideia não envolve ensinar investimentos sofisticados, nem transformar funcionários em especialistas em mercado financeiro. O ponto de partida está nas bases da organização: entender como funciona o cartão de crédito, planejar gastos mensais, avaliar compras parceladas e aprender a manter a fatura dentro do orçamento. Pequenas atitudes que fazem uma enorme diferença na vida de qualquer pessoa.

Quando esse conhecimento chega, o cartão passa a ocupar o lugar correto, ele deixa de ser extensão da renda e se torna apenas uma ferramenta de pagamento, útil, com gastos já previstos no orçamento.

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Os problemas surgem quando o crédito passa a compensar essa falta de planejamento, mas as empresas que investem em programas de educação financeira percebem resultados consistentes, funcionários que entendem melhor o próprio dinheiro demonstram mais tranquilidade, foco e capacidade de tomar decisões. Todo o ambiente de trabalho ganha com isso também.

O dado dos 243 milhões de cartões de crédito revela que o acesso já está consolidado no Brasil e o próximo passo precisa ser o da informação. Pessoas que sabem usar o crédito com consciência ganham autonomia para construir estabilidade financeira – uma transformação que não acontece do dia para a noite, mas começa sempre pelo mesmo ponto de partida: informação clara, decisões conscientes e responsabilidade.

A ideia é que o cartão de crédito deixe de ser um problema na vida das pessoas, passe a ser apenas uma ferramenta que, quando usada com sabedoria, pode, sim, trabalhar a favor de quem a utiliza.

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