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Rafael Souto

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CEO e fundador da Produtive, consultoria especializada em gestão e transição de carreira, e membro do conselho da Amcham.

Saber harmonizar tensões é o novo desafio da liderança

Ser líder é navegar na incerteza. Saiba por que uma gestão com equilíbrio exige conciliar forças opostas, como eficiência e inovação, autonomia e controle.

Por Rafael Souto, colunista da VOCÊ RH 21 abr 2026, 08h00
Fotografia de pratos sendo empilhados por varetas.
 (Ray Massey/Getty Images)
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A calmaria ficou no passado. Hoje, a liderança não significa mais atravessar uma tempestade e chegar ao porto seguro. O porto agora é o próprio mar revolto. Vivemos em um contexto de incerteza contínua, no qual o maior desafio não é escolher entre um caminho ou outro, mas sustentar forças opostas que coexistem o tempo todo.

É a gestão do “E” e não do “OU”. Antigamente, falávamos em escolhas excludentes. Hoje, o líder precisa equilibrar pratos que parecem contraditórios: eficiência e inovação; curto e longo prazo; autonomia e controle; performance e bem-estar; humano e tecnologia.

Nesse processo, é vital estimular o conflito construtivo. Muitas vezes, busca-se uma “harmonia artificial” para reduzir a pressão, mas essa calmaria é ilusória e estagna a organização. O verdadeiro comprometimento nasce do debate transparente de ideias que, inevitavelmente, gera tensão. Sustentar esse desconforto em favor de uma decisão melhor é o que mantém a liderança no radar da relevância.

Essas tensões não são problemas a serem resolvidos; elas são a estrutura da nossa nova realidade. O papel do líder contemporâneo é sustentar esse equilíbrio sem que o sistema entre em colapso.

O risco de quem centraliza demais

Na prática, isso exige três movimentos objetivos: primeiro, nomear as polaridades, tornando explícito para o time que ambos os lados são prioridade; segundo, estabelecer rituais de checagem, alternando o foco entre execução e criação para que nenhum prato caia; e, terceiro, definir margens de manobra, nas quais a equipe sabe exatamente até que ponto pode arriscar sem comprometer a governança.

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Nesse cenário de alta complexidade, o maior erro que um executivo pode cometer é tentar resolver tudo sozinho, sendo o herói solitário. Muitos líderes cresceram na carreira com uma alta capacidade de execução e agem como se soubessem tudo, centralizando decisões e microgerenciando.

As 5 competências dos líderes mais disputados

O problema é que, em um mundo de tensões permanentes, quem centraliza vira o gargalo. Se você é o único a decidir e conduzir, você impede que a organização flua. A centralização excessiva é um dos principais gatilhos de burnout, tanto para quem lidera quanto para quem é liderado.

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A saída para sustentar essas forças opostas está em mudar a chave de “líder redutor” para “líder multiplicador”, como no conceito da pesquisadora Liz Wiseman. Não se trata apenas de passar tarefas, mas de promover o pensamento crítico, sustentar tensões produtivas e dar responsabilidade real. Para lidar com a tensão entre erro e aprendizado, é preciso criar um ambiente no qual errar e debater façam parte do crescimento. O líder que tenta ser indispensável acaba se tornando obsoleto. O multiplicador entende que formar pessoas é um dever e o que realmente constrói legado.

Sustentar as tensões da liderança atual exige mais do que técnica; implica maturidade para aceitar que você não terá todas as respostas. Ser um multiplicador hoje não é mais apenas uma questão de desenvolvimento. É a única forma de continuar liderando com relevância.

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