Estudar no recesso pode trazer vantagens à carreira – desde que haja equilíbrio
Para alguns profissionais, período é de descanso, mas também de oportunidade para reciclar repertório, aprimorar habilidades e preparar o terreno para 2026.
Final de ano costuma ser período de férias e descanso, mas também, em certa medida, de estresse e expectativas. No entanto, há quem vê o momento como oportunidade para se dedicar aos estudos e à carreira profissional. “Muitas empresas e instituições reduzem o ritmo em dezembro e abrem uma brecha valiosa para quem deseja avançar no mercado enquanto o restante desacelera”, comenta Mariana Lopes, gerente executiva do Movimento Tech 2030, uma coalizão de organizações cujo objetivo é reduzir as lacunas educacionais e preparar jovens e adultos para o futuro do trabalho.
“Nesta época, muitos cursos rápidos, inclusive online, podem ser completados. E isso vale para quem está na escola ou faculdade e para quem trabalha ou busca uma mudança de carreira”.
A sugestão da especialista, porém, vem com um alerta: “é preciso ter cuidado para não se sobrecarregar, pois pausas e descansos são essenciais”. Uma pesquisa publicada na APA PsycArticles indica que as férias aumentam significativamente o bem-estar dos trabalhadores, especialmente quando conseguem se desconectar do trabalho. Por outro lado, segundo Mariana, deve-se considerar também outros efeitos. Um estudo feito pelo Savvy Learning, por exemplo, mostra que jovens podem perder o equivalente a dois meses de proficiência em leitura durante o recesso e que mais de 70% dos estudantes perdem habilidades matemáticas.
Para a executiva, a palavra-chave é equilíbrio. “O estudo neste período não precisa funcionar da mesma maneira que o resto do ano”, pondera. “Na verdade, existem diversas formas de aprimorar as próprias habilidades, como formações técnicas e comportamentais, trilhas de aprendizagem, revisões anuais, entre outros modelos de estudo”.
Equilíbrio e vantagem competitiva
Ela destaca ainda as reciclagens, principalmente para quem ocupa posições em mercados voláteis como o da tecnologia. De acordo com Mariana, os profissionais da área que atualizam repertório agora já chegam em 2026 preparados para lidar com modelos mais complexos de automação, integração de dados e inteligência artificial. “Muitas pessoas acabam consumindo notícias naturalmente sobre o mercado em que atuam, mas de forma desestruturada. Essa é uma oportunidade para afiar o olhar”, reforça.
E a prática não precisa se limitar ao aspecto técnico: o desenvolvimento comportamental também pode se beneficiar. Mariana observa que a capacidade de tomada de decisão, a gestão de tempo e a resolução de problemas tendem a evoluir quando são estudadas em um contexto mais calmo, que favoreça as reflexões sobre a carreira – algo que, para a especialista, se perde em meses mais agitados.
“A vantagem deste período é a combinação de agenda mais flexível e menor pressão operacional. Isso cria o momento ideal para preparar o terreno para um começo de ano mais estratégico”, afirma. “Enquanto grande parte do mercado desacelera, quem escolhe se movimentar constrói vantagem competitiva real”.
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