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Liderança transformacional: quando o controle vira confiança, todos evoluem

O profissional que tem espaço para crescer dentro da empresa, carrega a compreensão da cultura, dos clientes e da responsabilidade da companhia com a sociedade.

Por Ingrid Lucena, em colaboração especial para a Você RH* 12 dez 2025, 15h19 | Atualizado em 12 dez 2025, 15h21
Quatro lâmpadas, duas azuis e uma amarela, dispostas em ordem crescente.
 (Freepik/Reprodução)
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O debate sobre liderança nunca foi tão urgente. Em um mercado cada vez mais pressionado por mudanças rápidas, novas tecnologias, exigências de ESG e por um consumidor mais atento, o papel dos líderes deixou de ser operacional e passou a ser estratégico. Mas, para muitas organizações, especialmente nos setores historicamente tradicionais como segurança privada, logística, infraestrutura e indústria, essa transição ainda é um desafio.

É nesse contexto que a liderança transformacional se torna um divisor de águas. Liderar de forma transformadora é ter a capacidade de levar um time ao patamar em que ele ainda não consegue enxergar sozinho. É reconhecer competências e potenciais antes mesmo que o próprio colaborador perceba. É construir caminhos para que as pessoas cresçam, assumam novas responsabilidades e encontrem significado naquilo que fazem.

Essa liderança não se ancora no controle, mas na confiança. Não dita o “o quê”, mas inspira o “por quê” e o “como”. Ela mexe na estrutura, na cultura e até na identidade da empresa. Desafia padrões, questiona processos que já não fazem sentido e abre espaço para outras ideias, outras vozes e outros perfis. E aqui entra um ponto essencial: a diversidade como força transformadora.

A mudança só acontece com diversidade no processo

Quando falamos de setores tradicionalmente masculinos, como segurança e operações, a presença feminina ainda é pequena. Esse cenário também se repete em áreas estratégicas, como o mercado financeiro: segundo levantamento da ANBIMA, embora as mulheres representem 51,5% da população brasileira, elas ocupam apenas 35,4% das vagas no setor e menos de 6% dos fundos do país são geridos por executivas.

E esses números não são acidentais. São resultado de estereótipos persistentes, barreiras culturais, falta de políticas estruturadas de inclusão, redes de contato desiguais e da conhecida dupla jornada. Em muitos ambientes, a liderança ainda é vista através de lentes masculinas, associada a firmeza, rigidez e autoridade.

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Ao mesmo tempo, dados globais mostram que empresas com mais presença feminina em cargos estratégicos têm melhores resultados financeiros, maior capacidade de inovação e mais resiliência em momentos de crise. Não por acaso: um time diverso amplia repertório, avança na qualidade das análises e oferece novas perspectivas para riscos e oportunidades.

Entendo que liderança transformacional sem diversidade é apenas estética. Para transformar de fato, é preciso convidar mais mulheres, mais origens, mais experiências e mais realidades para dentro da tomada de decisão.

Crescimento interno: o motor da transformação verdadeira

Também acredito que nenhuma empresa cresce para além das pessoas que a constroem todos os dias. Desenvolver talentos internos não é uma ação de RH,  é estratégia de longo prazo. Quando promovemos qualificação, damos autonomia e abrimos espaço para que os profissionais se tornem protagonistas de suas trajetórias, estamos estimulando engajamento, inovação e produtividade. Profissionais que se desenvolvem dentro da organização carregam consigo algo que nenhuma contratação externa trás pronta: compreensão da cultura, dos clientes, da responsabilidade que temos com a sociedade e da história que construímos até aqui.

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Quando reconhecemos competências internas, especialmente de mulheres em áreas com baixa representatividade, criamos um círculo virtuoso: inspiramos outros profissionais, quebramos padrões rígidos e fortalecemos a qualidade das decisões. Diversidade não é concessão. É inteligência corporativa.

Liderança transformacional exige uma postura ativa: abrir portas, derrubar barreiras históricas, cultivar talentos e permitir que novos perfis ocupem espaços que antes pareciam inacessíveis. Ela demanda perspectiva, coragem para rever estruturas e, sobretudo, compromisso com as pessoas. No fim, transformar não é apenas atingir metas. É preparar o terreno para que outros possam ir além. É gerar futuro para a empresa, para os times e para a sociedade – um futuro que começa justamente por quem está no comando.

*Ingrid Lucena é diretora de marketing da Corpvs Segurança.

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