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Mentoria também é um mecanismo para a empregabilidade?

Para jovens que não têm referências no ambiente corporativo, prática amplia chances de reconhecimento e oferece contexto, rede e direção.

Por Eduardo Moura, diretor-executivo da Pulse Mais 7 mar 2026, 14h00
Ilustração de Homem subindo escadas feitas de ilustração de bolhas de texto
 (Moor Studio/Getty Images)
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  • Durante muito tempo, a mentoria foi tratada como um “plus” nos programas de formação: algo inspirador, motivacional, quase acessório. Mas, diante dos desafios concretos de acesso ao mercado, especialmente para jovens de baixa renda que desejam construir carreira em tecnologia, é preciso reposicionar essa prática.

    A pergunta que se impõe é direta: mentoria também é um mecanismo de empregabilidade? A resposta, quando observamos dados e trajetórias reais, é sim.

    É comum confundir mentoria com outras estratégias de desenvolvimento. A capacitação técnica entrega ferramenta (aprender programação, análise de dados ou pensamento computacional). O coaching trabalha metas e performance, muitas vezes voltado a lideranças ou profissionais em transição. O networking amplia conexões e cria oportunidades de relacionamento.

    A mentoria, por sua vez, é o encontro entre experiência e potencial, ou seja, é quando alguém com trajetória consolidada compartilha aprendizados com quem está começando, traduzindo o “quando”, o “onde” e o “porquê” das decisões de carreira. Não é apenas aconselhamento, é transferência de repertório e leitura de contexto.

    E é justamente isso que falta para muitos jovens. Existe uma lacuna histórica entre o que a escola ensina e o que o mercado exige. A educação tradicional brasileira ainda é pouco profissionalizante, enquanto setores como tecnologia mudam em ritmo acelerado e valorizam competências que vão além do conhecimento técnico, como saber resolver problemas, comunicar ideias, lidar com frustração, adaptar-se a mudanças e gerir a própria trajetória. Isso tornou-se tão importante quanto dominar uma linguagem de programação.

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    Quando estruturada com método, acompanhamento e intencionalidade social, a mentoria atua exatamente nesse espaço de transição entre formação e mercado. Em iniciativas como as da Pulse Mais, ela não é atividade complementar, mas um dos pilares da estratégia de empregabilidade. Os resultados ajudam a traduzir o que, à primeira vista, parece intangível.

    No último Programa de Mentoria da organização, 96,3% dos jovens afirmaram sentir-se mais preparados para o mercado de trabalho e igualmente 96,3% relataram aumento de confiança para participar de entrevistas. Além disso, 88,9% receberam apoio direto na construção ou ajuste do currículo, e 87% perceberam impacto forte ou alto na própria empregabilidade.

    Mais do que percepção, há efeito prático: mais da metade dos participantes declarou estar trabalhando, em vagas como jovem aprendiz, estágio ou posições juniores, além de muitos relatarem que a mentoria foi decisiva para organizar o plano de carreira, melhorar o posicionamento profissional e enxergar trilhas possíveis dentro da tecnologia. O mentor não “dá” emprego, mas amplia a chance de o jovem ser visto e reconhecido. Quando indica alguém, coloca sua própria reputação em jogo e isso só acontece quando há confiança real.

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    Em um mercado em que quem você conhece abre portas e quem confia em você sustenta sua permanência, a mentoria funciona como ponte entre mundos que raramente se encontram. Para jovens que não têm referências no ambiente corporativo, ela oferece contexto, rede e direção.

    Por isso, tratá-la como ação periférica é subestimar seu alcance. Se empregabilidade é a capacidade de acessar, conquistar e se manter no trabalho, a mentoria atua nas três frentes. Não substitui a formação técnica, mas potencializa seus resultados e, sobretudo, transforma potencial em oportunidade concreta.

    *Eduardo Moura é diretor executivo da Pulse Mais, organização sem fins lucrativos de impacto social que empodera jovens talentos para se tornarem líderes no mercado de tecnologia.

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