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72% dos brasileiros acreditam que PcDs ainda são discriminadas ao buscar emprego

Dia Nacional da Acessibilidade: práticas de inclusão de pessoas com deficiência avançam no mercado de trabalho, mas ainda há barreiras persistentes.

Por Izabel Duva Rapoport
5 dez 2025, 15h41 • Atualizado em 5 dez 2025, 15h43
Uma mulher cadeirante diante de uma mesa, segurando um tablet.
 (Freepik/Reprodução)
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  • O estudo Oldiversity, feito pela Croma Consultoria, mostra sinais positivos na inclusão de pessoas com deficiência (PcDs) no mercado de trabalho e consumo, mas também evidencia que o caminho para a plena equidade ainda é longo. A percepção de discriminação nos processos de contratação caiu de 81% em 2023 para 72% neste ano,  uma redução expressiva que indica o efeito de políticas afirmativas e iniciativas de diversidade – como a criação da Dia Nacional da Acessibilidade, celebrado hoje. No entanto, o número ainda revela uma barreira persistente: sete em cada dez brasileiros acreditam que PcDs ainda sofrem preconceito ao buscar emprego.

    A pesquisa também aponta melhora na perspectiva de acolhimento e adaptação: 60% dos entrevistados afirmam que empresas e marcas estão se ajustando melhor às necessidades desse público, reflexo do avanço da acessibilidade e da personalização de produtos e serviços. Outro resultado mostra que 67% dizem preferir não consumir marcas preconceituosas, um dado que reforça como o posicionamento inclusivo tornou-se critério de escolha e fidelização de consumidores.

    Edmar Bulla, fundador da Croma Consultoria e idealizador do relatório, explica que o material (assim como a data celebrativa) é um convite à reflexão e redefinição de estratégias e posicionamento de marcas e negócios. “O estudo se propõe como parâmetro e indicador avaliativo de empresas que pensam, preocupam-se, promovem e defendem temas e iniciativas ligadas à longevidade e à diversidade, a partir das perspectivas da sociedade brasileira”, diz o executivo. “Em sua quarta edição, a pesquisa renova o compromisso de colaboração na formação de uma sociedade mais justa, inclusiva e com oportunidade para todos”.

    Outro dado comparativo é o aumento da expectativa de investimento para este público: 57% dos respondentes com algum tipo de deficiência acreditam que as organizações devem criar serviços e soluções específicos a eles, ante os 37% observados em 2023. A demanda por iniciativas concretas cresce na mesma medida em que cai o índice de PcDs que relatam ter sofrido preconceito: de 41% em 2023 para 33% em 2025, um sinal de progresso ainda desigual, mas contínuo.

    Acessibilidade física e comunicacional é desafio central

    Assim como em 2023, apenas 9% dos entrevistados este ano disseram achar “estranho” ser atendido por um profissional com deficiência em um comércio. Apesar disso, apenas 42% das PcDs concordam que os estabelecimentos estão preparados para atendê-las adequadamente. Ainda que este índice tenha melhorado em relação há dois anos (38%), a acessibilidade física e comunicacional segue como desafio central. Os números, segundo Edmar, reforçam a necessidade de ampliar ações de inclusão e treinar equipes para garantir experiências realmente acessíveis e empáticas.

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    “Em síntese, o relatório mostra um país em transformação: o preconceito cede espaço, a representatividade cresce e o mercado começa a reconhecer que a diversidade é também um vetor de competitividade e inovação“. O especialista confirma reconhecer os avanços consistentes no combate à discriminação com PcDs, especialmente sob a ótica do próprio grupo, mas reforça: “mesmo assim, a infraestrutura aquém do necessário e a taxa persistente de relatos de discriminação mostram que o discurso de inclusão ainda não se transformou em prática ampla”.

    Para consolidar este progresso, Edmar acredita que as companhias precisam investir em acessibilidade efetiva, oportunidades reais de carreira e treinamentos contínuos contra vieses. “Isso garante que a inclusão deixe de ser promessa e se torne realidade concreta”, acrescenta.

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