Afastamentos do trabalho por agressão contra mulheres crescem 152% em dois anos
Essa violência, um câncer da sociedade que chegou ao seu maior patamar em 2025, reforça a importância de acolhimento estruturado nas empresas.
A violência contra a mulher não termina na porta de casa: ela chega ao trabalho e afeta diretamente a saúde, a renda e a produtividade feminina. Dados inéditos da VR, empresa de soluções para trabalhadores e empregadores, revelam que os afastamentos do trabalho por agressão contra mulheres cresceram 152% entre 2023 e 2025. Nesse intervalo, foram registrados 122 casos de atestados médicos enviados via SuperApp VR pelos cerca de 4 milhões de trabalhadores da base de clientes da empresa, sendo 47% mulheres. Somente em 2025, foram 58 ocorrências de agressão, acima dos 41 registros de 2024 e dos 23 casos de 2023, consolidando o maior patamar da série histórica.
A análise das CIDs (Classificação Internacional de Doenças) mostra que 85% dos afastamentos estão relacionados a agressões físicas, seguidos por maus-tratos (10%), negligência e abandono (3,2%) e agressão sexual por força física (0,82%). O segundo semestre concentra o maior número de ocorrências, especialmente entre setembro e dezembro, com pico em novembro. Regionalmente, São Paulo lidera os registros (45%), seguido por Paraná (11%), Goiás (7%) e Pernambuco (6%).
Os dados acompanham o contexto nacional de aumento das notificações de violência contra a mulher e demonstram que o impacto vai além das estatísticas criminais, alcançando indicadores corporativos. “Os números mostram que a violência contra a mulher também é uma questão de saúde do trabalho”, afirma Willian Gil, diretor-executivo de Pessoas, Jurídico e Governança Corporativa da VR. “O afastamento não é apenas consequência de um episódio isolado, ele representa impacto emocional, físico e financeiro que chega ao ambiente corporativo. As empresas precisam estar preparadas para acolher e apoiar essas trabalhadoras.”
A responsabilidade das empresas
Diante desse cenário, cresce a necessidade de políticas internas de suporte às colaboradoras em situação de vulnerabilidade. Programas estruturados de apoio tornam-se cada vez mais relevantes para empresas que buscam promover bem-estar e responsabilidade social. A VR, por exemplo, oferece aos seus clientes o Programa de Apoio ao Empregado (PAE), que promove atendimento 24 horas por dia, sete dias por semana, por meio de equipe multidisciplinar composta por assistentes sociais, psicólogos, advogados, orientadores financeiros e consultores previdenciários. O serviço auxilia trabalhadoras e familiares a lidar com situações de crise, oferecendo acolhimento psicológico, orientação jurídica e suporte financeiro. Além disso, soluções digitais permitem acompanhamento estruturado de jornadas e afastamentos, contribuindo para maior visibilidade e gestão responsável desses indicadores pela liderança.
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Diante desse cenário, o papel das empresas vai além de oferecer benefícios ou cumprir protocolos: trata-se de assumir uma posição ativa na construção de ambientes que não apenas reconheçam a violência como um problema social, mas que também se comprometam com o cuidado e a proteção de quem a enfrenta. Cada política de acolhimento, cada liderança preparada para ouvir e cada iniciativa de apoio representam um passo concreto para romper ciclos de silêncio e vulnerabilidade. No fim das contas, organizações verdadeiramente responsáveis entendem que promover um ambiente seguro para as mulheres é um compromisso com a dignidade, a justiça e com o futuro do trabalho.







