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Mulheres na liderança: o diferencial que transforma diversidade em resultado

Quando ocupam espaços de decisão, as mulheres contribuem para a criação de organizações mais humanas, inovadoras e preparadas para os desafios futuros.

Por Viviane Alvarenga, diretora de Gente & Gestão da Febrafar e Farmarcas 8 mar 2026, 16h30
Fotografia de mãos de mulheres de diferentes cores de pele empilhadas ao centro.
 (fotostorm/Getty Images)
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  • Neste mês em que celebramos a força do empoderamento feminino, é fundamental além de tratar de avanços obtidos nesse tema, refletir sobre os desafios que temos pela frente. A data reforça a importância da igualdade de oportunidades e impulsiona transformações concretas nas relações de trabalho e na sociedade, ampliando a presença das mulheres nos espaços de decisão.

    Em um ambiente corporativo cada vez mais atento a temas como sustentabilidade, impacto social e governança, falar de mulheres na liderança deixou de ser um debate aspiracional para se consolidar como uma meta estratégica, sustentada por evidências e escolhas consistentes.

    Os dados ajudam a fortalecer essa temática. Um estudo global da McKinsey & Company aponta que empresas com maior diversidade de gênero na liderança executiva têm uma probabilidade 39% maior de apresentar desempenho financeiro acima da média em comparação com organizações do mesmo setor que não adotam políticas de inclusão e igualdade. Mais do que um indicador social, a diversidade se mostra um ativo estratégico, ao reduzir vieses e qualificar a tomada de decisão, conectando-se diretamente à geração de valor no longo prazo e ao desempenho sustentável dos negócios.

    No Brasil, entretanto, o contraste entre qualificação e ocupação de espaços de poder ainda é evidente. Dados do IBGE mostram que as mulheres representam mais de 50% da população com ensino superior completo, mas ocupam menos de 40% dos cargos de direção e gerência. Esse cenário evidencia que o principal desafio da igualdade de gênero nas empresas não está na formação dessas profissionais, mas nas estruturas que regulam o acesso a postos de liderança.

    Falar de mulheres na liderança é, portanto, falar de igualdade de oportunidades e de modelos de gestão mais alinhados à realidade contemporânea. Liderança não se define apenas por resultados, mas pela capacidade de construir ambientes mais seguros e colaborativos, capazes de sustentar a performance ao longo do tempo. Em contextos marcados por transformação digital, pressão por resultados e mudanças rápidas, competências como escuta ativa, inteligência emocional, visão sistêmica e capacidade de mediação ganham, dia após dia, ainda mais protagonismo.

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    Embora essas competências não sejam exclusivas de um gênero, têm sido exercidas com mais consistência por mulheres em posições de liderança, contribuindo para decisões mais equilibradas e relações de trabalho mais saudáveis. Ainda assim, o caminho até os cargos estratégicos segue atravessado por barreiras conhecidas, como vieses inconscientes, modelos tradicionais de liderar, menor acesso a projetos de alta visibilidade e a sobrecarga histórica de responsabilidades fora do ambiente profissional, que ainda recai majoritariamente sobre as mulheres.

    Superar esse cenário exige mais do que boas intenções. Requer culturas organizacionais que reconheçam diferentes estilos de liderança, critérios claros de sucessão e investimento contínuo em desenvolvimento. Nesse contexto, a área de Gente & Gestão exerce um papel decisivo ao estruturar programas de desenvolvimento, mentorias, trilhas de capacitação e processos que garantam equidade real de oportunidades. A igualdade de gênero não acontece por inércia, mas por decisões consistentes e alinhadas à estratégia de negócios das organizações.

    O modelo associativista reforça essa lógica. A colaboração, a escuta ativa e a construção coletiva fazem parte de nossa cultura organizacional. Na Farmarcas, cerca de 60% das posições de liderança são ocupadas por mulheres, reflexo de um ambiente que valoriza competências, fit cultural e alinhamento aos valores. Em um setor diretamente conectado à saúde e ao bem-estar, essa diversidade amplia a capacidade de compreender diferentes realidades e construir relações baseadas em confiança.

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    Como mulher em posição de liderança, aprendi que liderar vai além do cargo. Autoconhecimento, propósito e consistência são essenciais para sustentar decisões difíceis e atravessar momentos de incerteza.

    O futuro do trabalho exigirá líderes capazes de integrar estratégia, tecnologia e relações humanas. Mulheres em cargos de liderança têm muito a contribuir com esse processo, não por uma questão simbólica, mas pela pluralidade de experiências e perspectivas que carregam. A sensibilidade para compreender diferentes perspectivas e a habilidade de mediação também se mostram fundamentais para fortalecer o alinhamento organizacional e manter o foco em resultados de longo prazo.

    Agora, no mês de março, em que as mulheres são celebradas em todo o mundo, o convite é claro: vamos tratar a igualdade de gênero como prática contínua, incorporada à cultura e às decisões do dia a dia, e não apenas como um tema pontual no calendário corporativo. Quando mulheres ocupam espaços de decisão, não ampliamos apenas a representatividade. Na verdade, contribuímos e muito para a criação de organizações mais humanas, inovadoras e preparadas para os desafios futuros.

    *Viviane Alvarenga é psicóloga, especialista em diversidade e diretora de Gente & Gestão da Febrafar e da Farmarcas.

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