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4 práticas para preparar colaboradores para o uso da IA nas empresas

Os números revelam o cenário atual: sem pessoas capacitadas, a tecnologia acaba sendo subutilizada e não gera o impacto esperado.

Por Izabel Duva Rapoport 6 Maio 2026, 19h58 | Atualizado em 6 Maio 2026, 19h58
Colagem de um cérebro com desenhos de engrenagens.
 (aleksandarvelasevic/Getty Images)
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72% das organizações já utilizam inteligência artificial em alguma medida, segundo estudo da McKinsey & Company. No entanto, apenas 14% delas possuem uma estratégia formal para incorporar a tecnologia no dia a dia, de acordo com pesquisa da Thomson Reuters. Para o especialista Carlos Perobelli, CEO e fundador do theGarage IA, esse desequilíbrio evidencia um cenário em que a transformação digital não tem sido acompanhada pela preparação das equipes – afetando diretamente a produtividade.

Esse movimento, ele acredita, ajuda a justificar por que parte das iniciativas com IA não avança. “A adoção tem acontecido antes da preparação”, conta o executivo, destacando uma equação simples de entender: “Sem pessoas capacitadas e sem clareza de processos, a tecnologia acaba sendo subutilizada e não gera o impacto esperado”.

Investir na capacitação dos colaboradores, na percepção do CEO, passa a ser um fator estratégico para empresas que querem extrair valor da IA e se adaptar às exigências das profissões do futuro. Nesse contexto, Carlos aponta quatro caminhos práticos para estruturar o processo dentro das organizações:

1. Começar pelas pessoas, não pela ferramenta: Um dos erros mais comuns, segundo ele, é iniciar a adoção pela tecnologia. “O processo precisa seguir a lógica inversa: antes de escolher qualquer ferramenta, a empresa precisa entender quem são as pessoas, qual o nível de preparo delas e como elas aprendem”, afirma. “Isso inclui avaliar não apenas conhecimento técnico, mas entender quanto e como cada colaborador consegue se adaptar, assimilar e interpretar as novas tecnologias”.

2. Criar trilhas diferentes para perfis diferentes: Treinar toda a empresa da mesma forma tende a gerar baixo aproveitamento, já que áreas de negócio, lideranças e times técnicos têm necessidades distintas e ritmos de aprendizado diferentes. “Um desenvolvedor, um analista e um gestor não usam IA da mesma maneira”. Ou seja, treinamento genérico, no fim, não atende ninguém direito. “A personalização é o que garante que o preparo vai funcionar”.

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3. Conectar a IA aos processos do negócio: “Capacitação só gera resultado quando está ligada aos processos do dia a dia”, diz o executivo. “Em vez de focar apenas no uso da tecnologia, o ideal é aplicá-la diretamente em processos da empresa, com objetivos claros, como redução de custos ou aumento de receita”. O aprendizado, de acordo com o especialista, se potencializa quando a pessoa entende aonde a IA impacta o dia a dia dela. “Fica mais fácil engajar e gerar resultado”.

4. Tratar a capacitação como um processo contínuo: Diferentemente de outros treinamentos corporativos, a IA exige atualização constante, já que novas ferramentas e aplicações surgem o tempo todo em ritmo acelerado, tornando alguns modelos estáticos obsoletos. “Não existe mais capacitação pontual. A empresa precisa criar uma cultura de aprendizado contínuo, acompanhando a evolução da tecnologia”, afirma o especialista. “Caso contrário, o conhecimento perde valor muito rápido”.

Para Carlos, a diferença não será mais sobre quem usa IA, mas em quem sabe usar melhor. “E isso depende de como as pessoas são preparadas dentro da organização”, conclui.

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