Habilidades práticas ou diplomas: o que será mais valorizado na próxima década?
Quase metade dos profissionais acredita que competências terão mais peso que a formação tradicional no futuro, indica pesquisa da people tech Impulso.
Por meio da plataforma da MindMiners, um levantamento conduzido pela Impulso, people tech especializada em produtividade e reestruturação de equipes, buscou mapear quais são as habilidades que farão diferença no mercado de trabalho na próxima década. E constatou que, para 47,5% dos mil respondentes da pesquisa, as habilidades práticas serão mais importantes que diplomas formais no futuro, sinalizando uma mudança relevante na forma como as qualificações profissionais são percebidas.
Segundo Sylvestre Mergulhão, especialista em mercado de trabalho e CEO da Impulso, essa virada reflete uma mudança estrutural, especialmente no setor de tecnologia. “Com um déficit de cerca de 500 mil profissionais em falta no mercado, o setor já não consegue mais esperar o tempo das formações tradicionais. O que importa hoje é a capacidade de aprender rápido, aplicar conhecimento e acompanhar a evolução das ferramentas em tempo real”, explica.
A transformação no perfil profissional também impacta o modo como as pessoas buscam qualificação. De acordo com o levantamento, 61% dos entrevistados afirmam que cursos rápidos e formatos de aprendizado informal devem facilitar a entrada no mercado de trabalho.
Hoje, afirma Sylvestre, qualquer pessoa com acesso à internet pode aprender programação, análise de dados ou design de produtos digitais. “Bootcamps intensivos, cursos online e comunidades de tecnologia oferecem caminhos acelerados para quem quer fazer a transição de carreira ou iniciar na profissão. O que falta, muitas vezes, não é acesso ao conhecimento, mas orientação sobre como e onde começar.”
Soft skills em alta
Apesar do avanço das competências técnicas, o estudo mostra que habilidades comportamentais seguem como peça-chave para o futuro do trabalho. 66,4% dos respondentes acreditam que competências como comunicação e trabalho em equipe serão altamente valorizadas nos próximos anos.
A adaptabilidade também é apontada como um dos principais pilares: 73% concordam que profissionais capazes de aprender continuamente e se adaptar às mudanças terão mais chances de se manter no mercado. “A tecnologia muda rápido demais para que o conhecimento técnico seja estático. O diferencial está em quem consegue aprender, desaprender e reaprender continuamente, além de colaborar bem em ambientes cada vez mais dinâmicos”, diz o CEO da Impulso.
As soft skills mais importantes de 2026
A percepção geral sobre o impacto da tecnologia no trabalho é majoritariamente positiva. Para 53% dos entrevistados, as inovações devem gerar mais oportunidades do que problemas ao longo da próxima década. No entanto, o cenário também traz um alerta: acompanhar esse crescimento exige preparo. A rápida adoção de tecnologias como inteligência artificial, automação e análise de dados amplia a demanda por profissionais atualizados e reforça a importância do desenvolvimento contínuo de habilidades.
“A tecnologia abre portas, mas só para quem está preparado para atravessá-las. O maior desafio hoje não é a escassez de oportunidades, e sim a velocidade com que as habilidades precisam ser desenvolvidas”, destaca o executivo.
Cursos rápidos e online
Para quem quer entrar ou se reposicionar no mercado de tecnologia, o ponto de partida pode ser mais acessível do que parece. Abaixo, Sylvestre lista oito opções de plataformas e formações com boa reputação no mercado e emissão de certificado ao final. Confira:
Udemy – marketplace global de cursos online com opções acessíveis e foco prático. Reúne formações em programação, dados, cibersegurança e ferramentas digitais, com aulas sob demanda e certificado de conclusão. Indicado para quem quer aprender uma habilidade específica rapidamente.
Coursera – plataforma internacional que oferece trilhas estruturadas de 3 a 6 meses em áreas como Suporte de TI, UX Design, Análise de Dados e Cibersegurança. Muitos cursos são desenvolvidos por empresas como Google e IBM e são reconhecidos por empregadores globais. Disponível em português.
Alura – plataforma brasileira com mais de 500 cursos em tecnologia, incluindo programação, design, UX e data science. Organiza o aprendizado em trilhas de carreira com certificações progressivas. Ideal para quem busca evolução contínua dentro de uma área.
DIO (Digital Innovation One) – com cursos gratuitos e pagos, plataforma é conhecida pelos bootcamps em parceria com empresas de tecnologia. Forte foco em empregabilidade, com desafios práticos e conexão com vagas no mercado.
Rocketseat – escola de tecnologia com foco em desenvolvimento web e mobile (JavaScript, React, Node.js). Trabalha com metodologia intensiva e projetos reais, sendo bastante procurada por quem quer migrar para programação sem formação prévia.
LinkedIn Learning – biblioteca com mais de 20 mil cursos em tecnologia, negócios e soft skills. Os certificados são integrados diretamente ao perfil do LinkedIn, aumentando a visibilidade para recrutadores e facilitando o networking profissional.
AWS Skill Builder – plataforma oficial da Amazon Web Services, com treinamentos voltados para computação em nuvem, uma das áreas mais demandadas do mercado. Oferece cursos gratuitos e trilhas preparatórias para certificações reconhecidas globalmente.
FIAP On – iniciativa da FIAP com nanocursos de curta duração (2 a 8 horas) em temas como inteligência artificial, blockchain, internet das coisas e metodologias ágeis. Boa opção para atualização rápida e contato inicial com novas tecnologias.
Fundação Bradesco (Escola Virtual) – plataforma gratuita com cursos em TI, programação, Excel e marketing digital. Indicada para iniciantes ou para quem busca certificação sem custo como primeiro passo na área.
Nave do Conhecimento – iniciativa pública com unidades no Rio de Janeiro que oferece cursos presenciais gratuitos em informática básica, ferramentas digitais e introdução à tecnologia. Voltada para inclusão digital, é uma porta de entrada importante para quem está começando e ainda não teve acesso à formação na área.
“A forma de se preparar para o mercado mudou. O profissional precisa assumir o protagonismo do próprio desenvolvimento e manter uma rotina constante de aprendizado para acompanhar as transformações diárias da área de TI”, finaliza o CEO.







