IA no RH: 72% das empresas têm ganhos de eficiência, mas estratégia ainda é rara
A maioria usa a tecnologia para automatizar tarefas e só 7% como apoio às tomadas de decisão. Para especialistas, isso revela uma jornada pela frente.
“Um RH em plena transição”. É o que revela a recente pesquisa feita pela LG lugar de gente, HR Tech especializada em soluções para gestão de pessoas, em parceria com a plataforma Futuros Possíveis. “A inteligência artificial já não é mais uma promessa distante. Ela se tornou uma realidade, mas que ainda está sendo digerida pelo mercado”, afirma Marcello Porto, diretor de produtos, inovação e IA da LG lugar de gente.
Entre as empresas que usam a tecnologia no RH, 72% percebem ganhos de eficiência e otimização de processos. No entanto, apenas 13% afirmam melhoria na experiência e satisfação do colaborador e só 7% a utilizam como apoio às tomadas estratégicas e People Analytics. Outras 7% já registram redução de custos operacionais.
Já entre os respondentes que não utilizam a inteligência artificial no RH, a eficiência seria o principal objetivo de 64% das empresas. E seguindo o fluxo, apenas 16% delas pensariam na experiência do funcionário como prioridade e 10% levariam a IA para as decisões. Outros 10% usariam especialmente para gastar menos.
“Está clara que a porta de entrada da IA no RH é a busca por eficiência”, resume Marcello. Hoje, a maioria das organizações estão aplicando a tecnologia para automatizar tarefas operacionais e otimizar processos como, por exemplo, a triagem de currículos, que historicamente consomem muito tempo. “Isso é um passo natural e compreensível. Ao ganhar agilidade nessas atividades, o RH é liberado para atuar em outras frentes”.
O executivo também aponta, por meio dos números, para um diagnóstico sobre a maturidade inicial da adoção da tecnologia: ele acredita que ainda estamos na primeira curva de uma jornada a ser percorrida. “O potencial da IA vai muito além da automação, ela é a ferramenta que pode nos dar insights profundos para cuidar das pessoas de maneira mais intencional e inteligente”.
Da eficiência à estratégia
A principal implicação desse movimento, segundo Marcello, é que a IA vai acelerar o protagonismo do RH nos rumos das organizações. Com as tarefas repetitivas automatizadas, a tecnologia libera os profissionais do setor para se concentrarem em áreas mais estratégicas, como análises e tendências. “O foco do RH se desloca da execução para a inteligência analítica, permitindo decisões mais rápidas [e assertivas], enquanto as equipes podem se desenvolver de forma mais eficaz”.
O diretor da LG lugar de gente ressalta ainda que o futuro do trabalho não será sobre competir com a máquina, mas sobre colaborar com ela. “O profissional de RH que aprender a usar a IA como uma parceira para analisar dados, prever tendências e personalizar a experiência dos colaboradores será o agente de transformação dentro de sua organização” descreve o executivo, considerando a passagem do RH de um centro de custos para uma área estratégica fundamental para o negócio. “A pesquisa é um mapa que indica onde estamos e, mais importante, o caminho que precisamos seguir”.





