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Side stacking: empregos secundários aumentam especialmente na geração Z

No Brasil, prática de combinar diversas fontes de renda funciona como mecanismo de proteção financeira e expansão de oportunidades – mas requer cuidados.

Por Izabel Duva Rapoport
12 dez 2025, 19h28 • Atualizado em 12 dez 2025, 19h32
Visão aérea de uma pessoa digitando em notebook, que está acima de uma mesa com itens de papelaria.
 (Freepik/Reprodução)
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  • Nos Estados Unidos, dados oficiais do governo mostram que 8,9 milhões de pessoas já acumulam mais de um trabalho no país – e o Brasil também está nesse caminho, especialmente entre a geração Z, a faixa etária com o maior número de atividades paralelas no mundo. Esse movimento, chamado side stacking, que combina diversas fontes de renda além do emprego principal, cria um portfólio de carreira e não é “bico”: é estratégia, segundo afirma Adriana Melo, especialista em finanças e tributação.

    “O modelo reflete a lógica do polywork e da economia sob demanda, onde autonomia, criatividade e múltiplos papéis profissionais convivem ao mesmo tempo”. No Brasil, com ciclos econômicos instáveis, ela conta que o side stacking vem aumentando e já passou a funcionar como mecanismo racional de proteção financeira e expansão de oportunidades. “É a realidade batendo na porta”, diz.

    “Temos visto cada vez mais gente equilibrando o trabalho principal, o extra, o freela e aquele ‘projeto secreto’ que pode virar negócio um dia. Isso funciona… até cansar”, alerta ela, que não considera o side stacking vilão, mas entende que a prática precisa de cuidado, limite e planejamento financeiro para não virar um buraco difícil de sair.

    Já Igor Lucena, economista e doutor em relações internacionais, não vê nada de positivo no movimento. “O emprego secundário tem crescido pela necessidade de as pessoas terem rendas adicionais além do máximo que conseguem obter com suas habilidades e com as oportunidades disponíveis no mercado”. Para ele, isso revela um elemento importante: “o custo de vida está muito maior do que os salários básicos e isso impacta a trajetória de crescimento e o trabalho dentro das empresas”, diz o economista. “Pode parecer algo moderno ou diferente, mas, quando analisamos sob a ótica de longo prazo, estratégia e evolução de carreira, não é desejável”.

    Impactos na empresa e na vida profissional

    O efeito do side stacking, segundo Adriana, é ambivalente tanto para colaborador quanto para empresa. “Trabalhadores ampliam renda, desenvolvem novas habilidades, constroem reputação paralela e acessam mercados antes inacessíveis graças às plataformas digitais”, descreve a especialista, se referindo ao aumento de autonomia e à expansão de competências. Além disso, ela traz como vantagem a possibilidade de profissionalização da renda paralela em um momento cujas atividades básicas já mostram sinais de saturação. “Quem se destaca investe em qualidade, reputação, avaliações e construção de marca pessoal”.

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    Porém, a mentora financeira reconhece que há maior chance de sobrecarga. “Com milhões de pessoas acumulando múltiplos papéis, cresce o risco de burnout”, ressalta. “Por isso, esses profissionais precisam ser disciplinados, impor limites, acompanhar a própria capacidade e evitar dizer ‘sim’ a tudo”. Outro ponto negativo indicado por ela é a proteção trabalhista que os empregos paralelos não oferecem. “Isso exige do colaborador um planejamento financeiro robusto, além de reserva para períodos de baixa, seguro de vida, saúde e previdência complementar”.

    Com relação às empresas, Adriana acredita que elas podem se beneficiar com trabalhadores de múltiplas frentes, pois eles costumam ter repertório ampliado, visão empreendedora e maior adaptabilidade. “Por outro lado, a organização deixa de ter a antiga exclusividade sobre a identidade profissional do colaborador e precisa seguir regras de prestadores de serviços para evitar ações trabalhistas futuras”. Ela lembra ainda que nem todas as companhias conseguem absorver esse perfil. “As flexíveis, sim, mas as rígidas tendem a sofrer com engajamento e retenção. Autonomia requer responsabilidade ampliada”.

    Igor é taxativo em ambas as perspectivas: “o side stacking desestabiliza a vida profissional e até mesmo as capacidades operacionais da empresa, afetando inovação e comprometimento”. Para ele, atuar em atividades econômicas que não sejam ligadas à ocupação principal do colaborador desestimula o crescimento de carreira. “Na prática, o profissional perde o foco que deveria ter – e isso pode diminuir o rendimento”.

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    “Pensando na economia é ainda pior: quando o trabalhador tem vários empregos, ele reduz o tempo livre, a convivência com a família e ao próprio lazer, aumentando o estresse e os problemas psicológicos”, destaca o economista. “Jornadas múltiplas não são benéficas nem para as pessoas nem para as empresas: diminuem produtividade, reduzem a inovação e têm efeitos muito negativos”.

    Por que trabalhos paralelos têm crescido no mercado?

    Sendo a favor ou não, há um ponto específico que Adriana recomenda não ignorar diante da tendência e do aumento da prática especialmente entre os mais jovens: “se o futuro do trabalho pede profissionais múltiplos, atualizados e com várias habilidades, então as empresas também precisam escolher o lado da história”, reflete. “Ou criam um ambiente que estimula a carreira interna e mobilidade real ou reconhecem que o funcionário vai buscar isso fora. Com a volta do presencial rígido, muita organização está prestigiando só um lado da balança”.

    “No fim, não é sobre ter dois empregos. É sobre ter espaço para construir uma vida profissional que caiba no mundo de hoje”, resume a especialista em finanças e tributação, que lista as principais razões desse movimento:

    • Economia instável e compressão salarial: No Brasil, salário real e custo de vida caminham em direções opostas. Side stacking torna-se amortecedor financeiro. Pesquisas nacionais mostram avanço da economia sob demanda em resposta ao desemprego estrutural, visível no aumento de motoristas e entregadores de aplicativos, freelancers qualificados, influenciadores e abertura massiva de MEIs.
    • Mudança de mentalidade – da carreira linear à carreira-portfólio: As novas gerações já não estruturam sua identidade profissional em torno de um único emprego. A multiplicidade virou estratégia de autonomia, segurança e mobilidade.
    • Crescimento do trabalho on-demand: O trabalho fragmentado e mediado por plataformas se tornou estrutural. A soma entre informalidade alta, flexibilização de vínculos e busca por renda extra consolidou a diversificação como prática permanente.
    • Tecnologia que reduz barreiras e fronteiras: Ferramentas digitais permitem atuar em múltiplos mercados simultaneamente: vender serviços, produzir conteúdo, ensinar, dirigir por apps, atender clientes internacionais ou explorar nichos especializados. Como os side stacking básicos saturaram, cresce a busca por atividades mais sofisticadas, escaláveis e sustentáveis.
    • O surgimento dos “ANDers”: Cresce o número de profissionais que trabalham, fazem side stacking e ainda estudam uma primeira ou segunda graduação. Esse perfil usa a combinação renda + educação + experiência paralela para acelerar mudanças de carreira.
    • Efeito futuro – institucionalização do side stacking: Especialistas apontam que habilidades desenvolvidas em side stacking serão cada vez mais contabilizadas para promoções, crescimento interno e trilhas de desenvolvimento. E a tendência é que a prática entre no planejamento financeiro formal das famílias, como fonte complementar estável.
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