70% das mulheres relatam queda de produtividade durante o período menstrual
Uma solução é integrar ciclos hormonais à eficiência, cultura e resultado, e questionar a ideia de performance constante no ambiente de trabalho.
A AD Digital, especializada em soluções em vídeo, acaba de lançar o Ciclo de Cuidado, um programa que incorpora os ciclos hormonais femininos como parte da lógica de produtividade dentro das organizações. A ideia é propor um novo olhar sobre eficiência no ambiente corporativo e desafiar o modelo linear de trabalho, considerando dados recentes.
Segundo a empresa, cerca de 70% das mulheres relatam queda de desempenho durante o período menstrual, enquanto aproximadamente 80% dizem não receber suporte adequado das organizações para lidar com questões relacionadas ao ciclo. De acordo com Daniela Souza, CEO da AD Digital, o tema ainda é visto como tabu em muitos escritórios, mas começa a ganhar relevância diante da agenda de eficiência e bem-estar.
“Durante muito tempo, a produtividade foi tratada como sinônimo de constância, mas isso ignora a forma como o corpo feminino realmente funciona”, pontua a executiva. “Quando as empresas passam a reconhecer os ciclos como parte da equação, elas não estão flexibilizando a performance: estão se tornando mais inteligente, sustentável e alinhada com a realidade das pessoas”.
Mudança de abordagem
Entre os objetivos está a abertura de espaço para discutir como os fatores biológicos impactam diretamente na energia, foco, criatividade e tomada de decisão, trazendo implicações relevantes para gestão de pessoas, cultura organizacional e resultados de negócio.
“O Ciclo de Cuidado parte de um princípio simples: o corpo feminino passa por diferentes fases ao longo do mês, cada uma com características específicas”, diz ela em referência às semanas de maior vitalidade, introspecção e clareza analítica, que se alternam. “Ainda assim, o ambiente corporativo segue exigindo constância absoluta”, reforça.
Essa desconexão, para a especialista, pode levar a efeitos conhecidos (mas pouco discutidos) nas empresas: exaustão, culpa e sensação de inadequação. “A proposta é sair da tentativa de padronização e avançar para uma gestão mais inteligente da energia, alinhando expectativas, entregas e contexto.”
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Uma provocação para líderes
Estruturado como um programa contínuo na AD Digital, a iniciativa oferece encontros, conteúdos e práticas voltadas ao autoconhecimento e à construção de uma relação mais sustentável com o trabalho. Ao mesmo tempo, Daniela diz que levanta uma provocação para lideranças e áreas de RH: “como adaptar modelos de gestão para uma força de trabalho diversa, sem abrir mão de eficiência?”
Segundo ela, em um cenário dominado por automação, inteligência artificial e alta cobrança por resultados, cresce também a necessidade de revisitar modelos de trabalho sob uma ótica mais humana e estratégica. “Quando falamos de inovação humana, estamos falando de reconhecer a complexidade das pessoas”, diz a CEO, direcionada a trazer mais inteligência para a maneira do mercado lidar com a performance das mulheres.
“Empresas podem inovar não apenas em tecnologia, mas na forma como estruturam suas relações e expectativas”, afirma, sem deixar de lançar uma questão reflexiva aos líderes: “considerar a não-linearidade humana – especialmente a feminina – é uma agenda de inclusão ou uma decisão estratégica de negócio?”







