A importância das férias para a produtividade do colaborador
Mais que um direito trabalhista, o período de descanso é estratégia de recuperação física, emocional e cognitiva – desde que seja, de fato, respeitado.
Em ambientes corporativos cada vez mais exigentes, o desgaste vai deixando de ser episódico para se tornar crônico. “Isso não aparece só como cansaço, mas como fadiga cognitiva, dificuldade de concentração, aumento de irritabilidade e uma tendência maior a pensamentos mais rígidos e autocríticos, o que muitas vezes pode levar o funcionário a um Burnout”, diz a especialista em saúde mental e professora da DomEduc, Erica Rodrigues.
Para o RH, isso representa um desafio que vai além do bem-estar: trata-se também de sustentar a capacidade produtiva das equipes no longo prazo. “As férias funcionam como uma interrupção necessária desse ciclo”, afirma a executiva. Segundo ela, quando há uma desconexão real do trabalho, ocorre uma redução do estado de alerta, o que permite recuperação emocional e melhora na clareza mental, além da retomada de recursos cognitivos importantes para a produtividade e, claro, para a manutenção da qualidade de vida desse funcionário. “Diminuindo, inclusive, afastamentos e presenteísmos”.
Extensão silenciosa do trabalho
Mas, se as férias existem para restaurar energia, por que tantas pessoas voltam mais cansadas do que saíram? Para o RH, essa pergunta revela um ponto crítico: o problema não está no descanso em si, mas na forma como ele é conduzido dentro das organizações. “O que percebo como erro mais recorrente é acionar o funcionário durante as férias, mantê-lo em grupos de WhatsApp ou criar uma expectativa implícita de disponibilidade”, descreve Erica, reforçando que esse tipo de prática impede a desconexão real do colaborador e mantém seu cérebro em estado de alerta, reduzindo, portanto, o efeito do descanso.
Outro ponto é a falta de planejamento: quando não há organização prévia, as férias geram sobrecarga na equipe ou acúmulo de demandas para o retorno. “Isso aumenta a ansiedade, a culpa e, muitas vezes, leva a uma nova sobrecarga, criando a sensação de que sair de férias não vale a pena”.
A especialista em saúde mental destaca também a existência de uma valorização silenciosa de quem “não se desconecta”, reforçando uma cultura em que descansar parece falta de comprometimento com a empresa e com a própria carreira. “No longo prazo, isso resulta em equipes mais cansadas, menos concentradas e com menor qualidade nas entregas e decisões”. E o desfecho, para ela, é só um: “quando as férias não são respeitadas, o impacto não é apenas individual, é coletivo, afetando o desempenho da equipe”.
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Como garantir o descanso
Mais que um direito trabalhista, as férias, portanto, são também consideradas uma ferramenta estratégica de recuperação física, emocional e cognitiva. No entanto, é preciso se atentar. “Essa cultura é incentivada pela gestão de pessoas principalmente por práticas concretas do dia a dia”, diz Erica. Ou seja: definir regras claras de ‘não contato fora do horário e durante férias’, retirar colaboradores de canais de comunicação nesse período e alinhar previamente quem assume as demandas.
“Além disso, líderes precisam parar de premiar, ainda que de forma indireta, quem está sempre disponível, porque isso sustenta a ideia de que descansar é falta de comprometimento”, pontua a professora, indo direto ao ponto. “Valorizar o descanso, aliás, não compromete resultados, pelo contrário: pessoas menos exaustas têm mais clareza, melhor qualidade nas decisões e maior consistência no desempenho”.
Ignorar isso, ela ressalta, pode até gerar entregas no curto prazo, “mas compromete a saúde das pessoas, aumentando afastamentos, atestados e o presenteísmo, que também tem um custo alto para a empresa”. Já quando a qualidade de vida é considerada, a especialista conclui que há uma ausência pontual no período de férias, mas a produtividade se mantém no longo prazo, sustentando o negócio.







