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Colocar uma escola de samba na avenida é uma aula de performance para empresas

Saiba como o desfile de Carnaval, com sua governança rígida e execução de alta performance, pode ser um laboratório de gestão corporativa.

Por Marcelo Veras, CEO do Ecossistema Inova 16 fev 2026, 16h00
Máscara de carnaval veneziana azul com penas sobre fundo amarelo
 (DBenitostock/Getty Images)
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  • Carnaval: o espetáculo que anualmente toma as avenidas brasileiras costuma ser associado, à primeira vista, apenas à criatividade e à estética. No entanto, para CEOs e gestores de projetos, os minutos de um desfile representam um dos cases de gestão mais complexos e eficientes do mundo. Por trás do brilho das fantasias, reside uma estrutura de governança rígida e uma execução de alta performance que oferece paralelos diretos com os desafios do universo empresarial. Marcelo Veras, especialista em Trilhas de Liderança e CEO do Ecossistema Inova, defende que o fenômeno das escolas de samba é uma demonstração prática de ambidestria corporativa – a capacidade de uma organização ser eficiente no presente enquanto inova para o futuro.

    “A ambidestria é o equilíbrio entre cuidar do resultado de curto prazo e preparar a organização para o que vem a seguir. Na avenida, a eficiência operacional é mandatória; um erro técnico pode significar o fracasso de um ano inteiro de investimento. Mas, enquanto o desfile acontece, o pensamento estratégico já está debruçado sobre o enredo do próximo ciclo. É o binômio entre execução impecável e visão de longo prazo que mantém essas organizações competitivas”, analisa.

    Diferente de muitos projetos corporativos que sofrem com prazos flexíveis, o Carnaval impõe uma data imutável. Essa urgência exige que os gestores operem com um planejamento retroativo rigoroso, mapeando cada processo de trás para frente para garantir que todos os recursos – financeiros, humanos e o escasso tempo – estejam alinhados no momento da entrega final. Segundo o especialista, não há espaço para a procrastinação quando o custo do atraso é a perda de competitividade frente ao mercado.

    A engrenagem humana: propósito e governança em harmonia

    Essa cultura de prontidão se estende para o capital humano, talvez o maior trunfo das agremiações. Em um cenário em que o mercado de trabalho enfrenta o desengajamento de talentos, as escolas de samba operam movidas por paixão e propósito claro. Marcelo destaca que essa conexão emocional é fruto de uma liderança inspiracional, capaz de engajar colaboradores que, muitas vezes, investem recursos próprios para participar da entrega.

    “O engajamento surge quando o indivíduo se identifica com a responsabilidade da organização perante a sociedade e a cultura. Nas empresas, a evasão de bons talentos é frequentemente o custo invisível de uma liderança que não consegue criar esse senso de pertencimento. A escola de samba ensina que, quando o propósito é tangível, a equipe não apenas executa uma tarefa, ela entrega o seu melhor desempenho sob pressão”, pontua.

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    Essa entrega, contudo, não depende apenas de motivação, mas de uma clareza de papéis absoluta. A hierarquia nas escolas é detalhada: cada ala possui diretores que funcionam como gestores de linha de frente, garantindo o ritmo e a harmonia sem ruídos de comunicação. Essa agilidade organizacional é testada ao limite em situações críticas. Se um carro alegórico apresenta falhas, a liderança precisa de autonomia e planos de contingência definidos para agir em segundos, evitando que o quesito ‘Evolução’ seja comprometido. Veras ressalta que a falta de adaptabilidade e de um “plano B” robusto é o que frequentemente gera prejuízos pesados em grandes corporações durante momentos de transição ou crise.

    O ciclo de gestão se encerra na apuração, momento em que a transparência se torna absoluta e cada métrica de desempenho é avaliada publicamente. Para o mundo executivo, esse rito se assemelha à “hora da verdade” com o mercado e o cliente. “A apuração é o momento em que a justiça das métricas se coloca. Nas empresas, o cliente é quem valida se o planejamento parou de pé. A governança, seja no barracão ou no conselho de administração, é o instrumento que nos permite tomar decisões sustentáveis e preparar os próximos ciclos com base em indicadores reais. O Carnaval é, acima de tudo, uma aula de como transformar planejamento estratégico em uma execução vibrante e de alta performance.”

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