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Como as mulheres se sabotam até chegar ao topo

Comportamentos, muitas vezes inconscientes, fazem com que profissionais brilhantes se sintam inseguras para assumir ou expressar suas ambições.

Por Susana Azevedo, sócia da Quantum Development 7 mar 2026, 16h00
Colagem de uma garota na extremidade de um gráfico de barras azul.
 (Klaus Vedfelt/Getty Images)
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  • Ao longo da história, as mulheres tiveram participação reduzida no mercado formal, especialmente nos cargos de liderança. Tradicionalmente associadas às responsabilidades domésticas, precisaram disputar espaço em ambientes majoritariamente masculinos e ainda enfrentam barreiras estruturais e culturais que dificultam sua ascensão profissional.

    Mas, além dos fatores externos, existem desafios internos que também podem limitar essa trajetória. É o que chamamos de “autossabotagem”. São comportamentos, muitas vezes inconscientes, que fazem com que mulheres brilhantes se sintam inseguras para assumir ou expressar suas ambições profissionais e pessoais.

    Desde cedo, meninas são educadas para serem cuidadosas, obedientes e perfeitas. Já os meninos são incentivados a experimentar, competir e se arriscar. Ao longo da vida, crenças e comportamentos acabam sendo internalizados e moldando sua forma de atuar. A boa notícia é que padrões aprendidos podem ser desaprendidos.

    Nas organizações, isso costuma se traduzir em mulheres que chegam aos primeiros níveis de liderança justamente por serem dedicadas, responsáveis e consistentes. No entanto, os mesmos hábitos que as levaram até ali muitas vezes passam a limitar sua evolução. Como diz o especialista em desenvolvimento Marshall Goldsmith: “O que te trouxe até aqui nem sempre te levará até lá.”

    A pesquisadora Sally Helgesen, uma das maiores especialistas em liderança feminina, identificou padrões recorrentes de autossabotagem. Entre os mais comuns estão:

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    • Falta de clareza sobre suas aspirações, talentos e ambições, muitas vezes enxergando ambição como algo negativo, em vez de bússola de crescimento.
    • Subvalorizar a própria contribuição, esperando reconhecimento sem reivindicar conquistas.
    • Tentar fazer tudo sozinha, supervalorizando a própria competência e expertise e deixando de construir redes de apoio.
    • A armadilha da perfeição e a necessidade de agradar, que levam ao excesso de controle, dificuldade em delegar e pouca disposição para assumir riscos.
    • Reduzir a própria presença executiva, minimizando opiniões, pedindo desculpas em excesso ou evitando se posicionar em momentos decisórios.

    Esses hábitos costumam ser inconscientes e se manifestam de forma silenciosa, sendo reforçados tanto pela educação quanto pela cultura organizacional.

    Recuperando o protagonismo

    A autossabotagem tende a aparecer com mais força em momentos de transição, como promoções, mudanças de papel, maternidade ou processos sucessórios, quando as inseguranças aumentam e os padrões aprendidos se intensificam.

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    Alguns sinais podem servir de alerta, entre eles sentir-se constantemente sobrecarregada, não se sentir reconhecida ou ouvida, evitar se candidatar a oportunidades por não cumprir 100% dos critérios ou perceber equipes pouco autônomas. Esses momentos podem ser convites para uma pausa e reflexão sobre quanto disso vem do sistema e quanto pode estar relacionado aos nossos próprios padrões.

    O dia 8 de março pode ser uma excelente oportunidade para esse primeiro movimento de consciência. Parar, observar-se e pedir feedback honesto sobre como você está sendo percebida. Um segundo passo é refletir sobre suas aspirações pessoais e profissionais no curto, médio e longo prazo. Sem perceber, muitas mulheres seguem as expectativas externas, da família, da organização ou da sociedade, em vez de assumirem a autoria do próprio destino.

    Ter clareza sobre o ponto de partida e o lugar aonde se quer chegar permite decisões mais intencionais. A partir daí, mapear pontos fortes e de desenvolvimento ajuda a construir um plano mais realista. Buscar mentoria, redes de apoio ou coaching também pode acelerar esse processo. Não é preciso fazer essa jornada sozinha.

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    Autoconsciência gera confiança. Confiança gera protagonismo. E é o protagonismo que transforma não apenas a sua trajetória, mas o mundo ao seu redor.

    *Susana Azevedo é especialista em desenvolvimento profissional e mudanças organizacionais e sócia da Quantum Development

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