Como manter o engajamento das equipes em períodos de baixa produtividade
Para especialista, a comunicação interna, diária e no contexto de cada profissional, é o principal elo nesses ciclos de flutuação de performance e demanda.
O engajamento entre profissionais nunca foi tão baixo. É o que indica a pesquisa Engaja S/A, realizada pela Flash em parceria com a FGV EAESP, que registrou apenas 39% das pessoas engajadas, o menor nível da série histórica. Essa desconexão com o trabalho, que envolve altos índices de turnover e presenteísmo, pode chegar a custar R$ 77 bilhões por ano no Brasil. Além disso, o engajamento pode ser ainda mais afetado em períodos de baixa demanda e produtividade, de acordo com Andréa Migliori, CEO da Workhub, ecossistema de intranet e experiência do trabalho.
“O papel da liderança e do RH são fundamentais para aumentar o engajamento, especialmente em épocas aparentemente mais calmas”, comenta. “Na verdade, essa pode ser a época perfeita para rever processos e alinhar expectativas”. A especialista ressalta que a redução do ritmo de entrega não significa, necessariamente, falta de comprometimento. Para ela, muitas vezes é reflexo de sobrecarga ou mudanças no contexto do negócio.
Até mesmo os cargos mais altos enfrentam dificuldades. O relatório da FGV mostra uma queda de 72% para 65% no engajamento das lideranças executivas em relação ao ano passado, e de 54% para 49% no caso da gerência. Ainda assim, é a gestão a maior responsável por criar espaços de escuta ativa, diálogo e maturidade emocional.
O papel da liderança
“A comunicação interna é o principal elo nesses ciclos. Rotinas de atualização, mensagens coerentes com a realidade da empresa e transparência sobre prioridades reduzem as incertezas e aproximam as pessoas, o que é especialmente importante quando há flutuação de performance ou demanda”, afirma Andréa. Engajamento de verdade, segundo ela, nasce da construção diária de conexão, clareza e respeito ao contexto de cada profissional.
O Relatório de Uso de Intranets no Brasil, produzido pela Workhub, reforça o impacto da comunicação nesse sentido – mas com foco na tecnologia. O Índice de Engajamento Digital (IED) registrado pela pesquisa é de 51%, ou seja: pessoas estão se envolvendo com atividades e conversas das empresas mais por meio de intranets do que a média nacional apontada pela FGV. Para a executiva, um dos principais pontos de vantagem disso é a conexão de diferentes perfis e níveis hierárquicos.
Andréa também recomenda que as empresas trabalhem com mais consistência. “Treinamentos e eventos pontuais podem ser positivos, mas não sustentam o engajamento das equipes da mesma forma que uma comunicação estruturada e fixa”. Segundo a especialista, o engajamento não é só um objetivo, mas uma estratégia que sustenta a entrega e a cultura da organização. “Aquelas que vão passar por um período mais calmo nos próximos meses têm a oportunidade de investir nisso verdadeiramente, e garantir frequência e propósito em todas as ações de comunicação daqui para frente”, conclui.







