Dia das Mães: 10 habilidades que a maternidade ensina e o mercado subestima
Enquanto empresas afirmam buscar profissionais mais resilientes, estratégicos e adaptáveis, mães ainda são vistas como pouco disponíveis e menos ambiciosas.
Mais competências, menos reconhecimento. No paradoxo da maternidade corporativa, mães desenvolvem habilidades valorizadas no mercado, mas, ao mesmo tempo, enfrentam vieses profissionais e perda de espaço nas organizações.
“Ainda existe uma leitura distorcida sobre a maternidade no ambiente de trabalho”, diz Mariana Achutti, CEO da newnew, especializada em educação corporativa. “O que se observa é que muitas das habilidades mais demandadas hoje, como capacidade de priorização, gestão emocional e adaptação constante, – consideradas centrais para a liderança em contextos complexos – são intensamente desenvolvidas, mas seguem subestimadas”.
No Brasil, não por acaso, uma parcela significativa de mulheres deixa o mercado até dois anos após a licença-maternidade. Entre as que permanecem, muitas relatam estagnação de carreira, redução de renda ou mudanças na forma como são percebidas nas empresas. Globalmente, o padrão se repete: mães ainda são associadas a menor disponibilidade e, por consequência, menor potencial de crescimento.
No entanto, a experiência materna reorganiza a maneira que operam no dia a dia: o tempo se torna mais escasso, a gestão de energia ganha centralidade e as decisões passam a ser tomadas com maior nível de intenção. “Não se trata de reduzir ambição, mas de refiná-la. Há mais clareza sobre o que gera valor e o que não gera”, ressalta a CEO.
Na prática, esse repertório, de acordo com Mariana, se traduz em 10 competências aplicáveis ao ambiente corporativo:
- Clareza de prioridades: nem tudo cabe no dia; mães desenvolvem leitura apurada do que realmente importa.
- Tomada de decisão em cenários imperfeitos: decidir com informação incompleta e ajustar a rota é rotina.
- Inteligência emocional aplicada: lidar com emoções intensas exige regulação, escuta e resposta.
- Comunicação clara e objetiva: menos tempo leva a interações mais diretas e eficientes.
- Adaptabilidade: planos mudam constantemente, e recalibrar a rota vira habilidade.
- Resolução criativa de problemas: encontrar soluções com os recursos disponíveis amplia repertório e agilidade.
- Gestão de energia: mais do que agenda, há um uso mais consciente da energia.
- Visão estratégica de longo prazo: decisões passam a considerar impactos futuros com mais consistência.
- Negociação constante: escuta, firmeza e flexibilidade fazem parte do dia a dia.
- Liderança que sustenta: mais do que direcionar, é preciso acompanhar, ajustar e sustentar ao longo do tempo.
Filhos e carreira: como facilitar essa combinação
O problema nunca foi falta de competência
Para reduzir distorções históricas no mercado de trabalho e alinhar valor e prática, o primeiro passo é ampliar o reconhecimento dessas mulheres. “A maternidade não deveria ser vista como um desvio de trajetória, mas como uma das experiências mais completas de desenvolvimento de liderança disponíveis hoje”, acredita a CEO. “Mães não são profissionais apesar da maternidade. Em muitos casos, são profissionais melhores por causa dela”.





