Empresas criam cargos intermediários para acelerar formação de líderes
"Laboratórios de liderança" possibilitam que profissionais desenvolvam repertório enquanto as organizações avaliam seus comportamentos em contextos complexos.
Um novo levantamento da Robert Half, consultoria global de soluções em talentos, constatou que empresas estão expandindo suas estruturas intermediárias como estratégia para preparação da nova geração de líderes.
Segundo Mario Custódio, diretor de recrutamento executivo da consultoria, esses cargos funcionam como “laboratórios de liderança“, fornecendo aos profissionais repertório em temas críticos. Além disso, também permitem que as organizações observem o comportamento desses talentos em contextos complexos.
“Mesmo que nem todos os cargos avancem diretamente para cadeiras de alto escalão, cumprem um papel imediato ao fortalecer a linha de sucessão e reduzir o risco de lacunas de gestão em momentos decisivos”, diz Mario.
A pesquisa também mapeou quais são os cargos intermediários em empresas privadas e de capital aberto. Nas primeiras, há uma maior ênfase em funções que combinam execução estratégica e proximidade com a alta liderança:
- Diretores Adjuntos ou Assistentes – 54%
- Líderes de Projetos Estratégicos – 50%
- Líderes de Transformação Digital – 46%
- Gestores de Inovação e Mudança – 42%
- Gerentes de Programas de Desenvolvimento de Liderança – 42%
- Planejamento de Sucessão – 42%
- Líderes de Mentoria e Coaching – 28%
- Funções de Chief of Staff – 28%
- Equipes de DEI/ESG – 24%
- Diretores Regionais ou de Divisão – 16%
Já nas organizações de capital aberto, os cargos estão mais ligados a setores diretamente ligados à transformação dos negócios e à execução de estratégias:
- Líderes de Transformação Digital – 56%
- Diretores Adjuntos ou Assistentes – 52%
- Gestores de Inovação e Mudança – 46%
- Planejamento de Sucessão – 46%
- Gerentes de Programas de Desenvolvimento de Liderança – 46%
- Líderes de Projetos Estratégicos – 44%
- Diretores Regionais ou de Divisão – 28%
- Líderes de Mentoria e Coaching – 22%
- Equipes de DEI/ESG – 22%
- Funções de Chief of Staff – 18%
As 5 competências dos líderes mais disputados
De acordo com a Robert Half, o desenho desses cargos reflete uma mudança na forma como as companhias encaram a sucessão. Agora, em vez de reagir às saídas ou promover líderes apenas quando surge uma vaga, as empresas estão investindo em preparação contínua, com trajetórias de desenvolvimento mais claras e intencionais.
Ao mesmo tempo, essa estratégia também amplia a capacidade de resposta em um ambiente de negócios cada vez mais dinâmico e constrói uma base de líderes mais resiliente e alinhada às demandas futuras.
“As companhias estão revisando a maneira como formam suas lideranças porque perceberam, na prática, que não convém mais ‘acelerar’ uma promoção somente quando surge a vaga. Essas posições intermediárias colocam o profissional no centro das decisões antes do cargo chegar e isso pode mudar o nível de preparo”, afirma o diretor.
E conclui: “Quando profissionais passam por funções que lidam com transformação, estratégia e pressão real de negócio, podem ascender muito mais rápido e com uma leitura que não se constrói em sala de treinamento”.







