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IA generativa inflaciona currículos e desafia recrutadores

Com 66% dos gestores apontando exageros ou mentiras em candidaturas, empresas se veem forçadas a rever critérios de seleção. Entenda.

Por Izabel Duva Rapoport 28 abr 2026, 18h23
Fotografia de uma lupa sobre blocos brancos com miniaturas de pessoas.
 (Andrii Yalanskyi/Getty Images)
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Se por um lado a inteligência artificial generativa ajuda candidatos a se apresentarem melhor no mercado de trabalho, por outro, ela levanta dúvidas sobre a autenticidade das informações que o profissional traz. Segundo dados da consultoria Robert Half, 66% dos gestores de contratação afirmam que o uso da tecnologia aumenta currículos falsos ou exagerados.

Apesar disso, 70% deles ainda não implementaram medidas para lidar com riscos associados a isso durante os processos de seleção, como: avaliações distorcidas de candidatos, informações imprecisas nos formulários de aplicação e menor visibilidade sobre as reais qualificações dos profissionais – o que dificulta a avaliação e exige que as empresas ajustem a forma como atraem e selecionam talentos.

A triagem sob pressão

O avanço da IA generativa também amplia os desafios para a triagem de candidatos. Segundo a pesquisa, ferramentas capazes de personalizar currículos em escala estão aumentando o volume de candidaturas e dificultando a verificação da veracidade das informações com base apenas no que está escrito nos currículos. Como resultado, as empresas estão dando maior ênfase a processos de avaliação mais rigorosos, impulsionados por impactos concretos já observados nessa etapa:

  • 49% dizem que a IA está ampliando o número de candidatos não qualificados
  • 45% afirmam que a tecnologia facilita a criação de identidades profissionais falsas

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“Recrutadores especializados devem estar preparados para identificar inconsistências com entrevistas aprofundadas, validando experiências reais e avaliando competências essencialmente humanas (como pensamento crítico e comunicação), que ferramentas de IA não conseguem replicar”, afirma Fernando Mantovani, diretor geral da Robert Half para a América do Sul.

Aliada – mas com limites

De acordo com o executivo, quando utilizada com critério, a tecnologia costuma ser uma forte aliada dos profissionais. “A IA pode ajudar os candidatos a aprimorarem seus currículos e a se prepararem para o processo de entrevistas”. No entanto, ele ressalta que ela não substitui a trajetória nem a capacidade de demonstrar competências na prática. “A IA é uma ferramenta de suporte, mas é a vivência profissional real que conta na hora da escolha e contratação”, finaliza.

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