O conceito de “acting your age” pode parecer inofensivo para o RH, mas não é
Quando a gestão trata comportamento com base na idade, ela desloca o próprio foco: sai a performance, entram os rótulos.
Poucas ideias são tão sutis – e ao mesmo tempo tão prejudiciais – dentro das organizações quanto a de que “o comportamento deve acompanhar a idade”. Segundo Marcos Freitas, CEO da Seja AP, o conceito de “acting your age” parece inofensivo, mas vira um problema rápido para o RH. “A gestão deixa de olhar para o que realmente importa: performance, entrega e evolução do negócio”.
Embora o efeito não seja imediato, ele é cumulativo e, na prática, gera uma série de distorções. “A primeira é limitar pessoas antes mesmo delas performarem”, aponta o executivo. “Quando alguém é visto como ‘novo demais’ ou ‘experiente demais’, cria-se uma régua diferente e mais baixa. Isso impacta diretamente o nível de exigência e, consequentemente, o resultado”.
O discurso também fragmenta a cultura corporativa. “Quando cada geração passa a ter um ‘manual próprio’ de comportamento, o time deixa de operar com o mesmo padrão. E empresa que cresce precisa de clareza e consistência, não de múltiplas regras convivendo ao mesmo tempo”, esclarece o CEO.
Outro ponto crítico é a queda de accountability, pois a idade vira justificativa: o jovem “ainda está aprendendo” e o mais velho “já não muda”. Para o especialista, esse tipo de lógica tira a responsabilidade individual e normaliza a baixa performance. “E isso acaba contaminando decisões de gestão”.
Problema estrutural
Marcos explica ainda que, neste conceito do “acting your age”, as contratações e as promoções passam a considerar mais o “perfil etário” do que a capacidade de gerar resultado. “E aí o problema escala: você começa a construir times desalinhados com o que o negócio realmente precisa”.
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Tem também o desengajamento silencioso. “Ninguém quer ser reduzido à própria idade. Quando isso acontece, a tendência é a pessoa se retrair, participar menos e entregar o mínimo necessário”, descreve. No fim, ele acredita que o maior risco para a empresa é formar líderes que usam a geração como desculpa. “É mais fácil rotular do que desenvolver. Só que gestão de verdade é saber extrair resultado de perfis diferentes, e isso não tem relação com idade”.
O caminho, de acordo com o CEO da Seja AP, é simples, mas requer disciplina: parar de gerir por rótulo e voltar ao básico bem feito, exigindo meta clara, cobrança igual para todos, avaliação por entrega e desenvolvimento contínuo. “Idade pode até trazer contexto, mas não pode definir expectativa”, conclui.







