O futuro pertence às lideranças que equilibram eficiência e inovação
Em um mundo cada vez mais dinâmico e imprevisível, esses líderes sabem desafiar modelos estabelecidos sem perder de vista os impactos de suas escolhas.
Vivemos tempos em que liderar exige muito mais do que foco em resultados. As lideranças são constantemente chamadas a equilibrar forças que, à primeira vista, parecem opostas: de um lado, a necessidade de eficiência, controle e previsibilidade; do outro, a urgência por inovação, coragem para arriscar e abertura ao novo. É nesse contexto que surge a figura do líder ambidestro, alguém capaz de transitar com fluidez entre esses dois mundos. Um profissional que valoriza a consistência operacional sem abrir mão da ousadia para experimentar e transformar.
Por muitos anos, a liderança tradicional foi essencial para garantir consistência operacional. Baseada em regras, processos e metas claras, ela priorizava a previsibilidade e o cumprimento de normas. Já o perfil inovador, que ganhou força com a transformação digital e as mudanças no comportamento organizacional, aposta na intuição, na criatividade e no estímulo à experimentação.
A liderança ambidestra emerge como resposta à complexidade crescente do ambiente corporativo. Na prática, líderes ambidestros tomam decisões combinando dados, contexto e sensibilidade. Promovem ambientes seguros para o aprendizado, onde o erro é encarado como parte do processo e não como fracasso. E demonstram coragem equilibrada: questionam o status quo com responsabilidade, desafiando modelos estabelecidos sem perder de vista os impactos de suas escolhas.
Mais do que buscar performance e inovação ao mesmo tempo, esses líderes colocam as pessoas no centro, e é isso que torna suas ações mais sustentáveis no longo prazo. Nesse movimento, criam conexão significativa entre estratégia, propósito e pessoas, alinhando metas organizacionais com valores humanos, o que fortalece o engajamento e o senso de pertencimento.
A ambidestria, no entanto, não se resume apenas a práticas de gestão. Ela se conecta a algo mais profundo: a cultura. Falo da chamada ambidestria cultural, uma forma de liderança que combina coerência com coragem, consistência com conexão, e tudo isso com um olhar centralizado nas pessoas. Líderes ambidestros não precisam escolher entre vulnerabilidade e resultados. Eles entendem que mostrar humanidade é o que constrói confiança, empatia e engajamento, e fazem isso sem perder o foco no desempenho. Porque liderar com equilíbrio é justamente reconhecer que excelência e cuidado caminham juntos.
Em um mundo cada vez mais dinâmico e imprevisível, formar lideranças ambidestras não é apenas uma vantagem competitiva. É uma necessidade estratégica para qualquer organização que deseja crescer com responsabilidade, inovar com propósito e cuidar de verdade das pessoas que fazem tudo acontecer.
*Valdirene Soares Secato é Diretora de Recursos Humanos, Ouvidoria e Sustentabilidade do Grupo Bradesco Seguros.







