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O que executivos dizem na terapia – e como isso impacta as organizações

Muitos líderes chegam aos consultórios carregando inseguranças silenciadas que podem gerar ambientes tóxicos e afetar a confiança e produtividade das equipes.

Por Rogério Bragherolli, mentor e psicanalista 13 mar 2026, 18h00
Terapeuta profissional em sessão de aconselhamento com um paciente em um consultório moderno
 (Fiordaliso/Getty Images)
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  • No mundo corporativo atual, onde a pressão por performance e resultado é imensa, os executivos lidam cotidianamente com uma série de desafios emocionais e psicológicos. No entanto, as questões mais profundas, as inseguranças e os medos, frequentemente permanecem ocultos, sendo discutidos apenas em consultórios ou em mentorias. Esta dinâmica apresenta diversas implicações que podem impactar diretamente a saúde organizacional e a eficácia das empresas. Além disso, a pressão não falada pode levar a um estado contínuo de estresse e ansiedade.

    Muitos executivos chegam aos consultórios carregando inseguranças relacionadas ao desempenho, ao medo da demissão, à perda de reputação ou ao fracasso. Em ambientes onde a vulnerabilidade é frequentemente interpretada como fraqueza, esses sentimentos são abafados. O silêncio se torna uma estratégia de sobrevivência no poder que, muitas vezes, se traduz em decisões apressadas e reações impulsivas em situações de alta pressão.

    Durante as sessões de terapia, é comum que líderes discutam ansiedades relacionadas à imagem profissional, dilemas éticos complexos e conflitos internos que não encontram espaço legítimo dentro das próprias organizações. Muitos desejam relações mais autênticas no ambiente corporativo, mas enfrentam o risco do chamado “sincericídio” – a expressão impulsiva de pensamentos sem a devida ponderação estratégica. Aprender a equilibrar autenticidade e responsabilidade é parte essencial da maturidade da liderança.

    Além disso, esses silêncios podem gerar um ambiente de trabalho tóxico, onde os colaboradores se sentem pressionados a se conformar com um ideal de “força” que não reflete a realidade humana. A desconexão entre como os executivos se sentem internamente e como atuam externamente pode minar a confiança das equipes e afetar diretamente a produtividade.

    Consequências para a organização

    As questões que os executivos trazem para a terapia podem ter impactos significativos nas empresas. Aqui estão alguns pontos que as organizações devem considerar:

    1. Tomada de decisão inadequada: Profissionais sobrecarregados emocionalmente têm mais chances de tomar decisões impulsivas ou reativas, que podem não estar alinhadas com os melhores interesses da empresa.

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    2. Inovação e criatividade limitadas: Um ambiente onde os líderes não se sentem à vontade para reconhecer suas próprias tensões inibe a inovação. Uma cultura e um clima emocional saudável incentivam a troca de ideias e opiniões.

    3. Aumento do turnover: A falta de suporte emocional pode levar a um aumento na rotatividade de funcionários, já que colaboradores percebem a desconexão entre a liderança e o pessoal.

    4. Saúde mental comprometida: O bem-estar emocional dos executivos se reflete no de toda a organização. Quando os líderes não conseguem elaborar seus próprios conflitos, essa tensão se dissemina para suas equipes e pode resultar em um ambiente de trabalho mais rígido e defensivo.

    Oportunidades de intervenção

    Diante disso, as empresas precisam implementar políticas que incentivem a saúde mental e emocional dos profissionais. Isso inclui:

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    • Programas de apoio psicológico: Oferecer acesso a terapia e suporte deve ser uma prioridade para garantir que os executivos tenham um espaço seguro para discutir seus desafios.
    • Promoção da comunicação aberta: As organizações devem cultivar uma cultura onde a comunicação aberta e a vulnerabilidade sejam encorajadas, permitindo que os líderes compartilhem experiências e aprendizados sem comprometer sua autoridade.
    • Implementação de um processo de experiência do colaborador: Visando um melhor clima organizacional, trabalhando o bem-estar pessoal e da equipe através de processos ganha-ganha entre empregado e empregador.
    • Treinamento em inteligência emocional: Capacitar executivos em habilidades de inteligência emocional pode auxiliá-los a reconhecer e lidar melhor com suas emoções, refletindo assim em sua liderança.

    Ainda existe preconceito considerável em torno da terapia entre profissionais do mundo corporativo. Muitos acreditam que solicitar ajuda é sinal de fraqueza. No entanto, a experiência demonstra que o autoconhecimento fortalece a capacidade de liderança. Profissionais que se permitem esse processo desenvolvem maior clareza sobre seus valores, mais consistência na comunicação e maior equilíbrio nas decisões.

    O que os executivos discutem nos consultórios não é apenas uma questão individual. Reconhecer a dimensão humana da liderança é essencial para a saúde geral da organização. Ao promover um ambiente que favoreça o suporte emocional e a maturidade psicológica, as empresas fortalecem seus líderes e potencializam o capital humano muitas vezes desconsiderado.

    No fim, decisões moldam organizações. Mas são pessoas – com seus conflitos, dúvidas e responsabilidades – que moldam as decisões.

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    *Rogério Bragherolli é mentor e psicanalista especializado no atendimento de executivos e alta liderança.

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