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Quatro comportamentos dos gestores que inibem a participação em reuniões

A qualidade das conversas depende da qualidade da condução, que precisa acontecer com presença, precisão e abertura.

Por Camila Rigo, em colaboração especial para a Você RH* 11 dez 2025, 18h14
Miniatura de liderança em destaque-se da multidão.
 (Wong Yu Liang/Getty Images)
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Muitas lideranças têm buscado formas de destravar a produtividade e o engajamento de suas equipes. A queixa se repete em diferentes setores e níveis hierárquicos: as reuniões consomem muito tempo e geram poucos avanços.

A crença mais comum é de que o problema está na agenda, na ferramenta ou na pauta das reuniões. Mas o que define a qualidade das entregas é a qualidade das conversas. E ela é diretamente influenciada pela forma como o encontro é conduzido.

Quando uma reunião não flui bem ou tem pouca participação dos envolvidos, a tendência é responsabilizar o grupo. Na prática, porém, muito do que acontece em uma conversa depende da condução. Ela cria o clima, sustenta o ritmo e estabelece quão autorizadas as pessoas se sentirão a contribuir.

A facilitação de conversas é uma forma estratégica de destravar temas que precisam vir à tona para que a produtividade e o engajamento apareçam de fato. Mas os gestores ainda acreditam que abrir questões críticas para a equipe pode fragilizar a liderança. O que ocorre é o oposto: convidar pessoas a discutir o que importa amplia o repertório para a tomada de decisão, fortalece a confiança e reúne a equipe em torno do que precisa ser construído.

Em muitas situações, quem conduz a reunião e tem o papel de cuidar do processo – adota certos comportamentos que limitam o diálogo e reduz o potencial das conversas. Veja quatro deles a seguir:

1. Excesso de palco

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Quando quem conduz a reunião ocupa tempo demais com explicações, comentários ou esclarecimentos, o espaço coletivo se estreita. A mensagem implícita é clara: pouco do que o grupo disser fará diferença. O resultado é previsível: as pessoas se retraem e aguardam instruções.

Uma condução mais cuidadosa apresenta o propósito, oferece uma pergunta norteadora e se afasta do centro, permitindo que o grupo se reconheça como protagonista.

2. Falas longas ou explicações detalhadas demais

A intenção é ajudar, mas o efeito costuma ser o contrário. Orientações breves, acompanhadas de uma checagem rápida de entendimento, são suficientes. Não se preocupe em comentar tudo que os participantes trouxerem. Deixar que eles conversem entre si fortalece a autonomia e o trabalho coletivo.

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3. Escuta interpretativa

Eis um dos principais motivos para a baixa participação em reuniões: a pessoa que conduz a conversa dar respostas que não correspondem ao que foi dito anteriormente por seus interlocutores. É um deslocamento sutil, que acontece por pressa ou falta de interpretação do facilitador – e corrói a confiança.

A alternativa é cultivar uma escuta precisa: validar percepções, pedir esclarecimentos e repetir o que foi compreendido antes de seguir adiante.

  4. Dar respostas

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Em muitos contextos, quem conduz se sente responsável por trazer soluções. Mas quando as respostas vêm sempre de fora, o grupo perde a chance de elaborar suas próprias compreensões e a responsabilidade compartilhada enfraquece.

Perguntas que ampliam o olhar são mais úteis do que respostas rápidas. O facilitador pode questionar, por exemplo: O que ainda falta considerar? Que alternativas surgem quando juntamos o que já foi dito? Quais os próximos passos fazem sentido para vocês? As perguntas devolvem ao grupo o protagonismo que permite amadurecer soluções mais consistentes.

Facilitar é criar condições

Metodologias ajudam, mas o que sustenta uma conversa é a forma como quem conduz cuida do processo e das relações. O trabalho começa antes da, no propósito claro, nas perguntas bem-formuladas, no desenho de um percurso coerente. E continua depois dela, nos desdobramentos que legitimam o que foi construído.

Quando a condução acontece com presença, precisão e abertura, surgem conversas capazes de produzir entendimento compartilhado. E é desse entendimento que nascem movimentos mais maduros, claros e corresponsáveis.

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Boas conversas não são obra do acaso. São resultado de um espaço que convida e de uma condução que confia no grupo e no que pode emergir dali.

*Camila Rigo é sócia da consultoria CoCriar, facilitadora de conversas e mentora de líderes.

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