Aumento da empregabilidade intensifica a “guerra” por talentos
Com a queda na taxa de desemprego, os profissionais estão mais seletivos, forçando empresas a repensarem suas estratégias para manter a competitividade.
A taxa de desemprego no Brasil atinge o menor índice desde 2012, tendo como consequência o aumento da dificuldade das empresas atraírem e reterem talentos. Entre os fatores que elevaram o nível de empregabilidade nos últimos dois anos, está o ecossistema de venture capital (VC) na América Latina, que recebeu em 2024 e 2025 investimentos anuais em torno de US$ 4 bilhões impulsionados pela inteligência artificial e fintechs, com o Brasil consolidando sua liderança regional, seguido pelo México. Além disso, organizações estrangeiras vêm buscando cada vez mais talentos aqui para trabalhar remotamente.
O reflexo disso aparece no relatório da ManpowerGroup, ao mostrar que, atualmente, 80% das empresas brasileiras relatam dificuldades para contratar. Esse índice já foi de 63% em 2014.
A guerra por talentos, já bastante acirrada pelo descompasso entre habilidades procuradas e oferecidas, exigências cada vez mais elevadas em um mercado carente de profissionais com alta qualificação profissional, agora enfrenta desafios que demandam dos empregadores uma nova abordagem em relação à atração e retenção.
Estratégias para explorar
A pesquisa People at Work (PAW) do ADP Institute, realizada com mais de 30 mil pessoas ao redor do mundo, mostra que fatores como bem-estar, flexibilidade e oportunidades de desenvolvimento têm papel cada vez mais relevante na decisão dos profissionais de permanecerem em uma empresa. Estes aspectos se mostram até mais importantes do que o salário, na hora da decisão. Neste cenário, a busca por qualidade de vida, propósito e perspectivas de crescimento, acaba impulsionando a valorização de benefícios flexíveis, iniciativas voltadas à saúde mental, modelos de trabalho híbridos e ações que promovem o equilíbrio entre vida pessoal e corporativa.
Outro fator-chave é o desenvolvimento profissional. Mais da metade dos trabalhadores globais considera mudar de emprego caso não veja oportunidades claras de crescimento. Investir em capacitação, planos de carreira e mobilidade interna deixou de ser um diferencial e passou a ser uma necessidade estratégica.
A transformação do mercado de trabalho também passa pela forma como as organizações usam a tecnologia e preparam suas lideranças para encarar uma força de trabalho cada vez mais multigeracional. A IA já contribui para o aumento da produtividade e a automação de tarefas, mas seu impacto positivo depende da preparação das pessoas. Investir em letramento digital e treinamentos ajuda os profissionais a se sentirem mais confiantes diante das mudanças. Ao mesmo tempo, lideranças com comunicação clara, escuta ativa e gestão humanizada fortalecem o engajamento.
O que esperar do mercado de RH em 2026
Um trunfo pouco explorado pelas organizações é o uso estratégico dos dados da folha de pagamento. Além de sua função operacional, essas informações podem revelar padrões de rotatividade, absenteísmo e pressão salarial. Ao analisar esses números de forma integrada ao RH, as empresas conseguem identificar riscos de perda de talentos e agir de forma preventiva, ajustando políticas de retenção, desenvolvimento e competitividade salarial. Uma gestão bem executada ajuda a prever o interesse em migração, dando à companhia fôlego para atuar no resgate da relação com seu talento, a fim de reverter o cenário.
Abordagem integrada
Para se destacar em 2026, as organizações precisam adotar uma abordagem integrada, que combine dados, tecnologia e foco humano. Isso inclui oferecer benefícios alinhados às necessidades dos profissionais, investir em desenvolvimento contínuo, preparar equipes para o uso da IA e fortalecer uma cultura de transparência.
Do outro lado, talentos já não escolhem seu próximo trabalho somente com base na descrição das vagas, salário e benefícios. Antes de qualquer coisa, os candidatos têm avaliado seu potencial empregador, buscando entender o ambiente de trabalho, valores e perspectivas de futuro. Empresas que entenderem isso estarão mais preparadas para enfrentar a concorrência e construir equipes sustentáveis no novo cenário do mercado brasileiro.







