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Busca por segurança financeira é prioridade no mercado de trabalho brasileiro

Sentimento é mais forte entre jovens em início de carreira, mas média gestão e alta liderança também consideram fator relevante, diz estudo da Cia de Talentos.

Por Redação 29 abr 2026, 17h00
Imagem de um cofrinho de porquinho transparente com moedas dentro.
 (Constantine Johnny/Getty Images)
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A estabilidade financeira é a principal expectativa em relação ao trabalho para 60% dos brasileiros, aponta a 24ª edição da pesquisa “Carreira dos Sonhos”, da Cia de Talentos. O sentimento é mais forte entre os jovens (62%), mas não se restringe aos profissionais em início de carreira: entre a média gestão e a alta liderança, 57% e 49% dos respondentes, respectivamente, também apontaram o fator como relevante.

No recorte regional, o eixo Rio-São Paulo reúne 64% dos entrevistados para quem a previsibilidade financeira é prioridade, enquanto nos demais estados esse índice é de 58%. O custo de vida e a competitividade mais elevados em grandes centros também influenciam a preferência pelo tipo de vínculo empregatício: a CLT foi eleita o modelo mais atrativo por 60% dos participantes (e, especificamente, 72% dos jovens do eixo sudestino).

Parte da Geração Z também declara trabalhar em mais de um emprego e demonstra insegurança diante da possibilidade de demissão. “Os jovens seguem interessados em crescimento, inovação e desafios, mas deixam claro que não querem construir carreira sob a ameaça permanente de instabilidade financeira. A aversão ao risco é menos conservadorismo e mais adaptação a um ambiente econômico mais volátil”, analisa Danilca Galdini, sócia-diretora de Pessoas & Cultura e Insights da Cia de Talentos.

Desafios no horizonte

É nesse ponto que a educação financeira passa a integrar o debate sobre empregabilidade. Em um cenário de renda mais volátil, múltiplos vínculos profissionais e insegurança diante de demissões, torna-se essencial saber como organizar o orçamento, formar reserva e lidar de maneira consciente com crédito.

Segundo dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o Brasil registrava 78 milhões de pessoas negativadas em julho de 2025. E o número de usuários de crédito saltou de 71,4 milhões, em 2016, para 113,3 milhões, em 2023, evidenciando que a inclusão avançou, mas convive com fragilidades estruturais na gestão dos recursos pessoais.

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Para a Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), a ampliação do acesso ao crédito precisa ser acompanhada por maior maturidade. A entidade ressalta que organização do orçamento, formação de poupança e prevenção ao superendividamento já integram diretrizes regulatórias do sistema financeiro.

“Em um mercado de trabalho mais dinâmico, a saúde financeira individual passa a ser parte da própria segurança profissional. A expansão do crédito ampliou oportunidades, mas exige planejamento e uso responsável. Fortalecer a educação financeira é fortalecer a autonomia e a capacidade de enfrentar transições ao longo da carreira”, afirma Cintia Falcão, diretora-executiva da associação.

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A busca por estabilidade impacta também as empresas, que são pressionadas a incorporar a educação financeira como parte da trajetória profissional e a rever discursos tradicionalmente relacionados ao crescimento acelerado e alta performance. O levantamento sugere, por exemplo, que instituições financeiras, historicamente associadas à estabilidade e estrutura de carreira mais bem-definidas, seguem relevantes para quem busca reduzir a exposição aos riscos em um ambiente de incerteza.

“Hoje, a decisão de carreira passa também pela capacidade de sustentar períodos de transição. Nesse sentido, a educação financeira deixa de ser um conhecimento complementar para se tornar parte da preparação para o trabalho, impactando diretamente na forma como os jovens lidam com planejamento e escolhas profissionais”, diz Soraya Bahde, diretora de Pessoas, Cultura e Performance do Bradesco.

A pesquisa indica ainda que a atratividade das empresas está cada vez mais ligada à combinação entre evolução e previsibilidade. Assim, propostas centradas apenas em crescimento tendem a perder espaço para modelos que combinem progressão com sustentação ao longo da trajetória profissional.

“Incorporar a dimensão financeira ao desenvolvimento profissional não significa reduzir ambição, mas ampliar a capacidade de decisão. Profissionais mais preparados conseguem fazer escolhas menos reativas e mais consistentes”, conclui Soraya.

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