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Quase 80% dos pagamentos B2B no Brasil são feitos a prazo, diz pesquisa

Boleto bancário atrelado à duplicata concentra mais de 70% do valor e mais da metade das operações leva acima de 15 dias para ser liquidada.

Por Izabel Duva Rapoport 3 abr 2026, 16h41
Uma balança equilibrando um relógio e uma pilha de moedas nas extremidades.
 (Aleksandra Chalova / Getty Images/Reprodução)
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Dados do Panorama do Contas a Pagar, feito pela Qive, revelam que 77% das operações no B2B são pagas a prazo. Com mais de 500 milhões de notas fiscais analisadas, emitidas entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025, o levantamento mostra que, para as operações via boletos e duplicatas, 385 milhões do montante tiveram gap entre a emissão e o pagamento superior a um dia, indicando R$ 4,1 trilhões a prazo. Considerando 15 dias ou mais, esse número é de mais da metade (51,2%) do volume total de notas, e soma cerca de R$ 2,41 trilhões em operações de crédito que impactam os caixas das organizações.

“No B2B brasileiro, pagar a prazo não é exceção, é regra. E parte da infraestrutura da economia real”, comenta Ísis Abbud, Co-CEO e cofundadora da Qive. Segundo ela, o Panorama constata que a maioria das operações leva mais de 15 dias para ser liquidada. “Isso transforma prazo em demanda de capital de giro e risco de crédito entre companhias. Ou seja, o financiamento corporativo vai muito além dos bancos”, explica.

Apesar do prazo para pagamento, a pesquisa mostra também que o mercado busca liquidez rápida: em média, 77% das transações de maior gap são feitas em apenas uma parcela. Ísis afirma ainda que o instrumento preferido para sustentar essa dívida comercial é, historicamente, o boleto bancário atrelado à duplicata, título de crédito emitido por empresas para formalizar vendas a prazo ou prestação de serviços. “No período avaliado, eles concentraram em média 74% de todo o valor movimentado a prazo, reforçando o papel de alicerce do sistema de pagamentos corporativos”.

Setores mais dependentes do crédito

O varejo é o segmento que aparece em primeiro lugar, concentrando 65,6% das compras a prazo (72,5 milhões de documentos) e 50% de todo o montante movimentado (R$ 655 bilhões). A indústria vem logo em seguida, respondendo por 15,1% do volume e retendo 35,2% do valor no ano (R$ 463 bilhões). Juntos, representam 87% de todo o montante via boletos e duplicatas a prazo.

Em terceiro lugar vem o setor de saúde, que apresentou uma dependência crítica do crédito, com 90,2% do valor movimentado a prazo. Desse total, 72,2% foram pagos por boletos ou duplicatas.

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“No varejo, o prazo com fornecedores é uma ferramenta estratégica de gestão de caixa em um setor de margens apertadas e alta rotatividade de estoque. Na indústria, o cenário exige ainda mais precisão e controle no backoffice para evitar impactos no fluxo de caixa e na produção”, diz a especialista. “Já quando falamos do segmento de saúde, essa conexão está ligada aos prazos extensos de recebimento de operadoras e convênios médicos. A análise que pode ser feita aqui é a importância de processos estruturados e visibilidade sobre as obrigações financeiras para proteger capital de giro, relacionamento com fornecedores e a continuidade das operações”, complementa.

O que esperar do mercado de RH em 2026

Duplicata Escritural eletrônica será obrigatória

Nesse contexto, entra em cena a Duplicata Escritural, documento que registra dívida ou venda a prazo de forma eletrônica. Até o final de 2026, o formato será obrigatório para as grandes corporações, estendendo-se para médias e pequenas empresas até o fim de 2027. “Ou seja, o modelo tradicional de duplicata em papel será substituído por uma versão 100% digital, com mais segurança e transparência para as operações”, explica Christian de Cico, Co-CEO e cofundador da Qive.

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Na visão do especialista, a  Duplicata Escritural tende a ser um divisor de águas para reduzir fraudes e aumentar a eficiência do crédito entre organizações.  “Ao contrário do modelo físico e analógico, o digital é registrado em sistemas autorizados e vinculado diretamente à Nota Fiscal Eletrônica, ampliando a transparência”.

Para ele, essa formalização cria uma fonte única, permitindo ainda que bancos e fundos antecipem esses recebíveis com segurança jurídica. “Isso pode liberar recursos em questão de horas e oferecer taxas de juros menores para as empresas”, finaliza o executivo.

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