52,4% dos profissionais de RH se sentem pressionados a trabalhar com IA, diz pesquisa
Ainda assim, maioria dos trabalhadores entrevistados pela Caju é favorável ao uso da tecnologia, que é vista como aliada do trabalho humano
A inteligência artificial está deixando de ser um tema periférico na gestão de pessoas e passando a redefinir competências, fluxos e a própria lógica da área. É o que indica um estudo do relatório “Goles de Inspiração para o RH 2026”, lançado no começo de dezembro pela Caju, empresa de soluções e benefícios corporativos.
A pesquisa, realizada em parceria com a Fundação Dom Cabral, entrevistou 103 profissionais, a maioria de organizações de grande porte e com mais de 10 anos de experiência em RH. Dos respondentes, 68% afirmam que o uso da IA já é uma realidade ou está em fase de testes em suas empresas. Especificamente no setor de recursos humanos, a aplicação da tecnologia impacta principalmente as atividades de recrutamento e seleção (68,6%) e análise de dados (51,4%), mas também comunicação interna (45,7%) e treinamento e desenvolvimento (40%).
Mas, ainda que 61,4% dos participantes tenham confirmado ser o próprio RH quem conduz as decisões sobre IA na área, 52,4% disseram se sentir pressionados a trabalhar com a tecnologia. Essa pressão, sugere o relatório, pode ser derivada de fatores como a velocidade da inovação, as crescentes expectativas por resultados rápidos e a sensação de que dominar as ferramentas se tornou um requisito essencial na área.
Os entrevistados também indicaram que há um alto percentual (46,6%) de empresas que ainda não treinaram seus profissionais para utilizar a inteligência artificial e 63,1% dos trabalhadores sinalizaram a falta de preparo como o principal risco na adoção da tecnologia no RH. Por outro lado, ao analisar a percepção individual dos respondentes, o estudo observou que 62,1% se sentem prontos para trabalhar com IA.
O otimismo predomina
Apesar da sensação de pressão e da preocupação com o despreparo, 90,3% dos profissionais apresentam uma percepção positiva quanto ao uso da tecnologia e a maioria a vê como uma aliada do trabalho humano: apenas 10,7% temem que o setor perca relevância diante da automação e somente 3,9% têm medo de perder o emprego para uma IA.
Em termos de melhorias na rotina de trabalho, a principal é a redução de tempo, citada por 75,7% dos participantes da pesquisa. Essa economia se dá sobretudo nas triagens de currículos e pré-seleção de candidatos, e permite que os profissionais direcionem seus esforços para tarefas mais analíticas e estratégicas, como inovação e melhoria de processos, planejamento estratégico e decisões de negócios, ou acompanhamento de métricas e análise de dados.
Quanto aos maiores desafios para a plena integração da tecnologia, 41,4% dos entrevistados citam questões legais ou regulatórias e 22,9% os processos administrativos, sinalizando a necessidade de uma governança sólida e de um alinhamento ético que possibilite o uso responsável e sustentável das ferramentas, diz o estudo.
Finalmente, no que diz respeito ao futuro da IA no RH, 85,4% dos participantes acreditam que a área de análise de dados e relatórios estratégicos será a mais impactada nos próximos cinco anos. Em seguida, está a de recrutamento e seleção, apontada por 68,9%. E em relação às habilidades que serão mais relevantes para os trabalhadores, 22,3% preveem tomada de decisão estratégica e 20,4% gestão de mudanças.
“A próxima fronteira não será apenas dominar ferramentas, mas liderar ecossistemas de aprendizagem contínua, onde pessoas e máquinas evoluem para gerar prosperidade compartilhada. O futuro da gestão de pessoas será moldado por uma nova lógica: a da inteligência híbrida e ampliada — a combinação de tecnologia avançada e sensibilidade humana”, prediz Paulo Almeida, professor titular da Fundação Dom Cabral e diretor do núcleo de liderança, no relatório.
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