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Cochilos, autonomia e bons salários: conheça estratégias de motivação

Especialista em motivação, Daniel Pink explica quais são os segredos para motivar e mostra quais erros empresas e líderes mais cometem

Por Elisa Tozzi
Atualizado em 4 fev 2022, 16h45 - Publicado em 18 out 2021, 07h00
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m dos grandes especialistas em motivação do mundo, Daniel Pink tem algumas ideias para aumentar o tão sonhado brilho nos olhos: dar mais autonomia e estimular cochilos curtos. É isso mesmo. Para ele, dormir do jeito certo no meio do expediente pode trazer grandes vantagens aos funcionários e às empresas. Além disso, o norte-americano acredita que companhias que não se tornarem menos controladoras terão sérios problemas em manter e atrair novos talentos.

Em entrevista para VOCÊ RH, Daniel explica quais são os principais erros que as empresas cometem ao tentar motivar e como a pandemia mudou nossa relação com o trabalho. Confira a seguir.

Grande parte das pessoas está sobrecarregada de trabalho. Como convencê-las de que tirar um cochilo é uma boa ideia?

É só mostrar a ciência! Foi isso que me convenceu. Eu costumava detestar os cochilos. Eu os tirava ocasionalmente, mas sempre me sentia péssimo depois – tanto física quanto moralmente. Então percebi que estava cochilando errado. O cochilo ideal é muito curto: de 10 a 20 minutos. Se cochilarmos por mais tempo, começamos a desenvolver a “inércia do sono”, aquela sensação confusa e nebulosa que muitos de nós experimentamos ao acordar. Há agora uma pilha de evidências mostrando que esses cochilos muito curtos restauram a energia e aguçam a acuidade mental sem promover a inércia do sono. Portanto, a maneira de convencer o chefe é posicionar os cochilos não como uma concessão ou como um presente, mas como uma ferramenta para aumentar a produtividade individual e o desempenho corporativo.

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Uma das suas especialidades é a motivação. Quais são os erros que as empresas cometem ao tentar motivar os funcionários?

Eles confiam muito no que eu chamo de recompensas “se”, como: em “Se você fizer isso, você terá aquilo”. Cinquenta anos de pesquisa nos dizem que recompensas “se” são eficazes para tarefas simples com horizontes de tempo curtos, porque estreitam nosso foco. Mas são muito menos eficazes, e às vezes prejudiciais, para tarefas complexas com horizontes de tempo mais longos. Para esse tipo de trabalho, que está se tornando mais comum porque o outro tipo de trabalho está sendo terceirizado e automatizado, a melhor abordagem para motivar é pagar bem às pessoas — e então oferecer autonomia, domínio e propósito.

Com a pandemia da covid-19, muitos de nós estamos repensando nossa vida e carreira. Quais serão as consequências disso para a motivação?

Essa é uma questão fascinante e com a qual as pessoas ao redor do mundo estão lidando. Muitas pessoas estão procurando um significado maior para seu trabalho  portanto, organizações sem alma terão problemas para atrair talentos. Além disso, fizemos uma experiência internacional massiva com trabalho remoto. E ela mostrou que os funcionários merecem confiança e podem lidar com autonomia. Isso será algo muito difícil de desfazer. E as empresas que voltam aos mecanismos de controle — monitorando o que é digitado, exigindo que os trabalhadores de escritório estejam fisicamente presentes em um determinado local o tempo todo, e assim por diante — da mesma forma terão dificuldade em encontrar talentos.

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