Como a COP30 deve impactar o propósito e o engajamento das empresas
Para especialista, evento endossa a liderança que entende a sustentabilidade como estratégia, para que cada colaborador enxergue seu papel na agenda ESG.
Para Alessandra Lotufo, sócia e managing director da Afferolab, a COP30 – Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, ocorrida neste mês em Belém, no Pará, inaugurou uma nova fase nas empresas. Ela acredita que os objetivos corporativos não serão mais “meras narrativas”, passando a ser mensuráveis. “O evento marca a transição de intenções para implementações, provando que organizações e talentos que geram impacto ganham vantagem competitiva de carreira e de mercado”, diz.
Segundo a executiva, a conferência também destacou a sustentabilidade como um modelo de negócio, para que cada profissional enxergue seu papel na agenda ESG. “A tradução de metas globais em planos anuais, com responsabilidades claras e orçamento definido, dá sentido prático para as ações sustentáveis no dia a dia”, explica. “Isso traz um senso de pertencimento aos times no momento de reduzir emissões, adaptar operações e inovar na cadeia”.
O líder necessário no futuro
Outro ponto que ela ressalta sobre a COP30 é o quanto o evento endossou o perfil de liderança que entende que a cultura organizacional engajada na sustentabilidade é estratégia. “Isso está acontecendo porque diversos líderes já estão sendo cobrados por decisões com sinal de preço de carbono embutido, metas anuais de mitigação ou adaptação e critérios socioambientais na governança”, descreve Alessandra. “Essas demandas, por sua vez, modelam questões como incentivos, rituais de gestão e sistemas de promoção”.
“Os gestores estão sendo chamados a liderar com coerência”, pontua a executiva da Afferolab. “Propósito não pode ser uma frase na parede, mas o jeito como uma empresa atua para potencializar agendas globais”, afirma ela, lembrando que, por isso, as lideranças que medem sucesso pelo impacto positivo no mundo real serão cada vez mais necessárias no futuro.
Tendências já se mostram realidade
A partir dos debates e discussões na COP30, alguns insights chamaram a atenção da especialista, revelando possibilidades para as empresas combaterem as mudanças climáticas e implementarem práticas ESG, especialmente em termos de propósito e engajamento. Alessandra aponta três tendências que, de acordo com ela, já se mostram realidade e devem ganhar força nos próximos anos. São elas:
- Soluções baseadas na natureza: usar a inteligência dos ecossistemas para resolver problemas humanos e empresariais, como o reflorestamento para conter enchentes, manguezais para proteger cidades costeiras e agricultura regenerativa para aumentar a produtividade e capturar carbono. “Essas soluções demonstram que, hoje, um valor não se mede só em lucro, mas pela capacidade de regenerar o que sustenta o lucro”.
- Descarbonização de escopo 3* por design: repensar produtos, processos, fornecedores e escolhas ao invés de compensar depois. “É onde sustentabilidade e eficiência se tornam sinônimos, porque projetar com consciência reduz custos e riscos”.
- Finanças de transição e coalizões locais: se engajar ao surgimento de modelos inéditos de parceria entre empresas, cidades e comunidades – como aconteceu, inclusive, na própria COP30. “Realizar o evento no coração da Amazônia foi um gesto que simboliza o desafio e a oportunidade, visto que a agenda climática global se encontrou com o território onde as consequências e as soluções são mais visíveis”.
*a redução das emissões indiretas de gases de efeito estufa na cadeia de valor de uma organização.







