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Demissão coletiva na Keeta expõe risco reputacional de decisões mal conduzidas

Episódio evidencia a importância de estruturas sólidas de gestão de pessoas, comunicação interna e governança, avalia especialista.

Por Redação 10 mar 2026, 19h10
Dominós caindo em uma fileira.
 (Martin Barraud/Getty Images)
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  • Na última quarta-feira (4), dias após adiar a estreia de suas operações no Rio de Janeiro, a empresa de delivery Keeta demitiu cerca de 200 funcionários que atuariam na capital. Os cortes foram comunicados durante reuniões de alinhamentos e um vídeo registrando o momento do anúncio viralizou nas redes sociais.

    Na filmagem, os trabalhadores demitidos expressam sua revolta e questionam a postura da plataforma. “Eu larguei tudo por uma causa que vocês me chamaram naquele hotel, prometendo mundos e fundos. E aqui vocês estão rompendo com o que vocês prometeram. Isso não é uma empresa. Cadê a maior empresa do mundo? Cadê a empresa bilionária?”, contesta uma das funcionárias dispensadas.

    O caso também gerou um debate sobre a postura das organizações em momentos de mudança estratégica. Para Alessandra Costa, psicóloga, colunista da Você RH e sócia da S2 Consultoria, o episódio evidencia desafios recorrentes em empresas em fases de expansão empresarial, quando há um descompasso entre as metas de crescimento acelerado e a estruturação sólida da gestão de pessoas, comunicação e governança. Ela explica que episódios como o da Keeta levantam três questões centrais para as organizações.

    A primeira é a gestão de riscos durante fases de expansão. “Muitas empresas estabelecem metas agressivas de crescimento sem avaliar plenamente os impactos operacionais e humanos dessas decisões. Quando a estratégia muda, quem sente primeiro são as equipes”, afirma.

    Outro ponto sensível é a comunicação interna. No caso da plataforma de delivery, o anúncio coletivo das demissões gerou forte reação dos funcionários e rapidamente se espalhou pelas redes sociais. A forma de conduzir esse processo é determinante, diz a especialista. “É preciso avaliar com cuidado como comunicar esse tipo de decisão e seus impactos para gerar o menor dano possível às pessoas e à organização.”

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    O terceiro aspecto envolve os efeitos culturais e reputacionais. A repercussão pública do caso, amplificada pelas filmagens dos trabalhadores, mostra como episódios podem rapidamente ganhar dimensão externa, além dos efeitos internos, que não desaparecem com as pessoas desligadas.

    “O impacto não é apenas para quem saiu. Para quem permanece na empresa, situações assim podem gerar insegurança psicológica, quebra de confiança e perda de engajamento. Quando isso acontece, começam a surgir comportamentos defensivos, disputas internas e até manipulação de informações”, alerta Alessandra. “Não há lealdade com a organização.”

    A capacidade de atração de talentos no futuro também pode ser afetada, já que o episódio passa a influenciar a percepção do mercado sobre a empresa. “As pessoas começam a se perguntar se querem trabalhar naquele ambiente”, aponta.

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    Para a psicóloga, o caso reforça que crescimento e estratégia precisam caminhar junto com governança e cultura organizacional. “Processos estruturados de gestão de pessoas e gestão de crise são fundamentais para evitar que mudanças estratégicas se transformem em crises internas e externas. E isso é desde o começo, com comunicação clara e realista, e com acompanhamento de especialistas em ética e comportamento organizacional, de preferência”, conclui.

    O que diz a Keeta

    Em nota à imprensa, a plataforma declarou que o adiamento e os cortes no Rio de Janeiro foram feitos para que a empresa possa “focar na melhoria dos padrões de serviço”. E afirmou ter conduzido o processo demissional “em total conformidade com as leis e exigências locais, agindo com cuidado e respeito aos funcionários”, que receberam indenizações para apoio na transição profissional. Leia a íntegra do comunicado abaixo:

    “A Keeta decidiu adiar o lançamento no Rio de Janeiro para focar na melhoria dos padrões de serviço do mercado para consumidores, restaurantes e entregadores parceiros, o que inclui resolver questões estruturais que inibem a concorrência saudável no segmento de delivery brasileiro, antes de avançar com a expansão geográfica no país. Em razão disso, a empresa realizou desligamentos na equipe localizada no Rio.

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    A Keeta vai manter todos os seus 1.200 postos de trabalho existentes, focando no desenvolvimento das operações na região de São Paulo, e reafirma seu compromisso de longo prazo com o Brasil e o investimento de R$ 5,6 bilhões em 5 anos. A empresa continuará trabalhando com parceiros locais, autoridades e restaurantes para defender um mercado de delivery aberto, competitivo e sustentável, promovendo um ambiente que estimule inovação, concorrência justa e crescimento, em benefício de consumidores, restaurantes e entregadores parceiros.

    A empresa reitera que conduziu o processo com as equipes no Rio de Janeiro em total conformidade com as leis e exigências locais, agindo com cuidado e respeito aos funcionários, assim como sempre fez em suas operações. Cada pessoa que deixou a empresa hoje recebeu um pacote de indenização para apoio na transição profissional. Somos gratos a cada um por suas contribuições.”

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