Endomarketing: 3 ações que o RH deve promover junto ao marketing
Antes de aplicá-las, porém, especialista recomenda ajustar a lógica: "o conceito não é um roteiro de iniciativas, mas um sistema de construção de entendimento".
“Colaboradores participam, mas não compreendem”. Apesar do aumento das ações de endomarketing, muitas organizações ainda se queixam desse problema. “Existe um descompasso claro entre o volume de comunicação interna e o nível de entendimento real dentro das empresas”, afirma Victor Paiva, fundador da HIP, especializada em storytelling e marketing B2B.
Segundo ele, nunca se produziu tanto conteúdo para dentro: campanhas, comunicados, vídeos, eventos. “Mas isso não necessariamente se traduz em clareza e compreensão. E esse é o ponto que muitos profissionais ainda não perceberam”.
O erro, para o executivo, está em tratar endomarketing apenas como uma frente de engajamento, quando, na prática, ele deveria ser essencialmente uma ferramenta de alinhamento. “Muitas vezes, as pessoas participam das iniciativas, mas não entendem o que estão construindo”. A consequência disso é de se esperar: falta de conexão entre o que é dito, o que é feito e o que é percebido. “No fundo, estamos replicando dentro das empresas o mesmo problema do marketing externo: muita mensagem, pouca estrutura”.
Um ajuste de lógica
Algumas práticas de RH e marketing podem e devem ajudar na concepção e no funcionamento da estrutura de endomarking no ambiente corporativo. Porém, o primeiro passo, de acordo com Victor, é ajustar a lógica. “Endomarketing não é uma agenda de iniciativas. É um sistema de construção de entendimento”.
Quando as áreas operam separadas, a tendência, segundo ele, é gerar ruído. “Uma fala de cultura, a outra de marca, mas sem uma base comum. E nesse cenário, qualquer ação vira esforço isolado”, descreve o especialista. Confira três medidas corretivas indicadas por ele.
1. Construir um storytelling interno claro e consistente: a maioria das empresas tem missão, visão e valores, mas isso não significa que essas ideias sejam compreendidas. Existe uma diferença grande entre ter discurso e ter entendimento. Por isso, trabalhar a mensagem como um sistema com causa, direção e impacto faz com que ela sobreviva fora das apresentações institucionais. Quando o comunicado é claro o suficiente, ele não depende de repetição constante para existir.
Os erros de comunicação mais cometidos pelos líderes
2. Conectar comunicação interna com a operação real: um dos principais erros do endomarketing é funcionar como uma camada paralela à realidade da empresa. A comunicação fala uma coisa, mas o dia a dia entrega outra. Quando isso acontece, a confiança se perde rapidamente. Por isso, cada ação precisa estar ancorada em práticas: decisões, processos, comportamentos de liderança.
3. Traduzir estratégia em mensagens simples e acionáveis: grande parte das estratégias morre na complexidade. Ou seja: são bem estruturadas no papel, mas não chegam de forma clara na ponta. Nesse caso, a função do marketing, junto com o RH, é transformar o complexo em algo compreensível e utilizável no dia a dia. Isso significa simplificar sem perder profundidade. Quando a pessoa entende o que precisa ser feito e por qual motivo, o alinhamento deixa de ser um esforço e passa a ser consequência.
Por fim, Victor ressalta que o endomarketing não falha por falta de criatividade, mas por falta de estrutura. “Em um ambiente onde a interpretação é o que define valor, não basta comunicar. É preciso garantir que aquilo faça sentido, de forma consistente, todos os dias”, resume.







