Habilidades comportamentais que mais contam em processos seletivos
Acertar a resposta? Se encaixar em um modelo ideal? Nada disso. O candidato que mais se diferencia é aquele que consegue sustentar uma conversa com verdade.
Ao longo dos processos de seleção, os recrutadores não avaliam apenas as competências técnicas. Eles também buscam entender como aquela pessoa pensa, reage e se posiciona no dia a dia. E isso, de acordo com Natália Simony, CEO do Elite Seja AP, não se ensaia, mas se constrói. Na perspectiva comportamental, ela pontua que não são exatamente habilidades em si que mais pesam, mas a forma como a pessoa se posiciona diante das situações.
“Ainda vemos muitos candidatos preocupados em ‘acertar a resposta’, em falar o que o recrutador quer ouvir, mas, na prática, o que mais diferencia é quem consegue sustentar uma conversa com verdade”, afirma a CEO, que costuma observar o comportamento humano nas entrelinhas, e não no discurso pronto.
Para Natália, hoje, os profissionais que mais chamam a atenção nesses momentos, em relação às soft skills, são os que conseguem ler o contexto, se comunicar com clareza e assumir responsabilidade sobre a própria trajetória. “Parece simples, mas não é tão comum quanto deveria”.
A executiva também ressalta um ponto importante sobre autenticidade. “Muita gente ainda acredita que precisa se encaixar em um modelo ideal de candidato. Só que, quando a pessoa se desconecta de quem ela é para tentar performar um papel, isso aparece”, comenta. “E, geralmente, joga contra”.
Menos ensaio, mais consciência
Desenvolver comportamento profissional condiz com “estar consciente” e não com “decorar técnica ou estar preparado”, acredita Natália. Para a CEO do Elite Seja AP, o processo seletivo não é um espaço de perfeição, é de leitura. “E quanto mais a pessoa se entende, mais se torna natural e consistente, sem precisar forçar uma versão que não se sustenta”. Nesse contexto, a especialista indica três práticas que ajudam a construir o repertório de forma mais consciente, lembrando que “nenhuma delas é imediata”.
Cinco comportamentos sabotadores de carreira
1. Praticar autorresponsabilidade de forma contínua: mais do que reconhecer erros pontuais, é desenvolver o hábito de refletir sobre a própria atuação: entender padrões de comportamento, identificar onde costuma reagir no automático e onde poderia ter conduzido diferente. Quando essa análise vira rotina, a pessoa começa a amadurecer não só o discurso, mas principalmente a postura; e isso aparece muito rápido em processos seletivos.
2. Desenvolver escuta ativa e presença real nas interações: a ansiedade de “responder certo” faz com que muitos candidatos escutem pela metade. E quando isso acontece, a resposta vem desconectada de todo o contexto. Treinar presença é aprender a ouvir de verdade, captar nuances, interpretar o que está por trás da pergunta. Isso eleva o nível da conversa e mostra um tipo de maturidade que vai além do técnico. Não é só falar bem, é também se conectar com o que está sendo dito.
3. Buscar situações que exijam posicionamento genuíno: evitar desconforto limita muito o desenvolvimento comportamental. Conversas difíceis, momentos de feedback, exposição de ideias fortalecem a capacidade de se posicionar com clareza e segurança. Quando a pessoa começa a se colocar mais nessas situações, ela desenvolve repertório emocional. E isso faz diferença porque, no processo seletivo, não basta ter resposta pronta, é preciso sustentar o que se fala.







