Hora da revisão: início do ano é o momento ideal para reequilibrar equipes
Especialista explica a importância de revisitar acordos feitos no passado para entender o que ainda faz sentido e evitar repetir padrões ineficazes.
A segunda quinzena de janeiro costuma ser momento de recomeço operacional. Metas são retomadas, agendas reabertas, times voltam ao ritmo de trabalho. Contudo, para muitas lideranças, o período também tem trazido à tona algo preocupante: equipes tecnicamente eficientes, mas emocionalmente desalinhadas.
Segundo Roberta Rosenburg, especialista em estratégia de negócios e capital humano, isso ocorre porque o retorno das férias gera uma lacuna entre o discurso de eficiência e a experiência real e cotidiana. Após o recesso, se torna evidente quais equipes operavam no piloto automático e quais tinham acordos claros, relações consistentes e direção compartilhada, ela explica.
Daí a importância de aproveitar o momento para reequilibrar o time e rever estratégias, papéis, objetivos e outros alinhamentos. “Isso exige que líderes revisitem acordos feitos no passado, muitas vezes antes mesmo das transformações que redefiniram o trabalho nos últimos anos. Há combinados que simplesmente deixaram de fazer sentido e agora é a hora em que isso aparece com mais certeza”, diz.
Entre os pontos que necessitam de revisão em 2026, na opinião de Roberta, está a noção de equipe equilibrada. “É preciso entender que equilíbrio não é um conceito genérico ou importado de tendências globais, ele precisa ser contextual. O que é equilíbrio para uma empresa em crescimento acelerado não será o mesmo para outra. O erro está em aplicar fórmulas prontas e esperar resultados assertivos.”
Para a especialista, a construção de times equilibrados e eficientes deve ser intencional e não reproduzir modelos de gestão que levam ao desgaste. Afinal, como indicam dados recentes sobre engajamento e bem-estar no trabalho, os profissionais continuam a valorizar desempenho, mas não estão dispostos a sustentá-lo à custa de esgotamento constante.
“Por isso o início do ano é ideal para rever alinhamentos e entender que eficiência real passa menos por cortes e mais por redesenho. Processos, expectativas e formas de tomada de decisão precisam evoluir. Caso contrário, a eficiência vira apenas um discurso que se apoia no esforço excessivo das pessoas e não sustenta equipes mais equilibradas”, Roberta ressalta. E alerta: quem não investe em leitura de contexto, corre o risco de repetir padrões passados e não alcançar os resultados esperados.
Quais tendências que devem pautar o RH em 2026?
Aliás, por falar em resultados, eles já não bastam se não estiverem acompanhados de estruturas organizacionais saudáveis e adaptáveis. De acordo com a especialista, tende a se destacar a liderança que compreender que alto desempenho só se sustenta quando há condições humanas para isso.
“Do contrário, as organizações experimentarão o esgotamento da força de trabalho na forma de aumento da rotatividade, faltas, taxas de erro, inovação mais lenta e experiência do cliente comprometida. Manter uma equipe equilibrada não é uma questão secundária. É fundamental para o desempenho e a sustentabilidade de uma organização”, conclui.





