IA reduz turnover de 57% para 28% em um ano e eleva a qualidade das contratações
Com o uso da tecnologia, a rotatividade de colaboradores em hospital do Amazonas caiu de 151 para 54. O absenteísmo também teve impacto, ficando abaixo de 2%.
A incorporação de inteligência artificial aos processos de recrutamento e seleção do Grupo Samel, rede hospitalar no Amazonas, reduziu a rotatividade de 57,6% para 28,6% em um ano, além de elevar a qualidade das admissões e fortalecer a retenção.
Os resultados, que também registram um absenteísmo abaixo de 2%, comparam a gestão de pessoas feita no período sem a ferramenta, de janeiro a setembro de 2024, com o mesmo período de 2025, já com a solução ativa. “A IA trouxe mais segurança e consistência ao nosso processo”, conta Bruna Cardozo, gerente de Recursos Humanos na Samel. “Quando contamos com dados estruturados sobre aderência e perfil, reduzimos contratações feitas por urgência, que muitas vezes resultam em saídas precoces”. Segundo a especialista, isso impacta diretamente na estabilidade das equipes e gera uma economia indireta, ao diminuir custos com rescisões e novas admissões.
A nova tecnologia, batizada de SAMIA, passou a operar o processo seletivo de ponta a ponta: o candidato se inscreve por meio de um link direto, sem intermediação de bancos terceirizados, e, a partir daí, a IA organiza e cruza dados, aplica testes, corrige provas e analisa entrevistas gravadas, “sempre com ciência do candidato e em conformidade com a LGPD, consolidando um score final de aderência à vaga”, ressalta Bruna. “Com isso, substitui tarefas repetitivas e fortalece a tomada de decisão do time”.
Gestão mais estratégica
Antes da digitalização, a executiva conta que a triagem manual demandava cerca de seis minutos para pequenos volumes de currículos. “Atualmente, dezenas de candidaturas são analisadas em até 29 segundos, com capacidade de processamento superior a mil perfis por hora”. Com o ganho de escala, a ideia é liberar o time para atividades de maior valor agregado, como acompanhamento individual, integração e fortalecimento da cultura organizacional.
Como o RH pode apoiar a adoção da IA
De acordo com ela, a assertividade nas recomendações aumenta porque a SAMIA disponibiliza uma análise cruzada entre desempenho em prova, consistência da entrevista e histórico profissional. Já a decisão final, continua sendo humana. “Mas agora baseada em dados consolidados e estruturados”.
Com a automação de tarefas operacionais, a equipe passou a atuar de forma mais estratégica, concentrando esforços em escuta ativa, desenvolvimento e engajamento. “A lógica deixa de ser burocrática para se tornar orientada a valor: menos retrabalho, mais foco em quem cuida”, explica a gerente de RH.
Após um ano do lançamento, a iniciativa já avança para uma segunda etapa, com expansão para Treinamento & Desenvolvimento, por meio de uma plataforma interna. “A transformação digital do RH, antes restrita a sistemas de folha e ponto eletrônico, passa a incorporar modelos preditivos capazes de impactar cultura, desempenho e sustentabilidade das equipes”, diz a especialista, de olho no futuro: “a próxima fronteira não está na substituição de profissionais, mas na qualificação das decisões.”







