Qualidade de vida é o principal fator de desempate entre vagas para 29% dos profissionais, indica estudo
Pesquisa revela quais benefícios influenciam na atração e retenção, além do descompasso entre o que os trabalhadores desejam e o que é entregue pelo mercado.
A EDC Group, multinacional focada em consultoria e outsourcing de RH, ouviu 476 brasileiros para entender o que atrai e mantém profissionais em uma empresa. O resultado da pesquisa mostra que a qualidade de vida tem peso decisivo na escolha dos profissionais: ao comparar ofertas com o mesmo salário, 29% apontam o fator como principal critério de decisão, à frente de plano de carreira (16,8%) e trabalho remoto (14,5%). Por outro lado, o bônus tem a menor relevância, indicado apenas por 2,9%.
Ainda de acordo com o levantamento, ao pensar no futuro profissional ideal, 69% dos entrevistados afirmam desejar um emprego estável, com plano de carreira e vínculo de logo prazo. E na prática, 54,2% preferem construir carreira em uma empresa, ainda que isso demande mais tempo e dedicação.
Analisando os resultados, Bruna Paleari, gerente de RH da EDC Group, afirma que o trabalho deixou de ser visto apenas como fonte de renda. “Quando o salário empata, o profissional escolhe a empresa que oferece mais qualidade de vida, clareza de carreira e condições reais de permanência no longo prazo. Hoje, o emprego precisa caber na vida da pessoa, e não o contrário”, diz.
Expectativa x Realidade
Os benefícios também exercem influência na permanência em uma empresa ou na aceitação de uma proposta: no topo do ranking estão o vale-alimentação/refeição (71%) e o plano de saúde/odontológico (70%), seguidos de bônus acordado (56%), flexibilidade de horário (54%) e modelo híbrido (34%).
Contudo, há um descompasso entre o que os profissionais querem e o que é entregue pelo mercado. Enquanto a flexibilidade de horário é desejada por 54% das pessoas, apenas 32% das empresas oferecem esse benefício. O mesmo acontece com o trabalho remoto e o modelo híbrido.
Esse desalinhamento ajuda a explicar por que tantas empresas perdem talentos mesmo quando oferecem remunerações competitivas, diz Bruna. “O profissional quer benefícios que sustentem a rotina e reduzam atritos do dia a dia. Não se trata apenas de pagar mais, mas de oferecer uma experiência de trabalho viável, saudável e compatível com a realidade das pessoas.”
Diferenças geracionais e de gênero
A pesquisa revela também que os critérios para a escolha de uma vaga mudam conforme o momento da vida, ainda que a estabilidade permaneça relevante.
Entre oportunidades com o mesmo salário, a qualidade de vida é o fator mais decisivo para todas as faixas etárias, com destaque para a Geração X (33,68%), seguida de Gen Z (28,37%) e Millennials (27,88%). Já o plano de carreira tem maior peso entre os mais jovens e adultos em consolidação profissional (17,02% na Gen Z e 19,03% entre Millennials), enquanto, entre os grupos mais maduros, destacam-se itens mais ligados à estrutura da função e ao contexto de trabalho.
Na análise dos benefícios valorizados, a diferença se acentua. O vale-alimentação/refeição aparece como pilar central no início da vida profissional, sendo citado por 74% da Gen Z e 73% dos Millennials. Mas, conforme a idade avança, as preferências mudam: entre os Boomers, 79% citam o plano de saúde, 71% o bônus acordado e 50% a previdência privada.
Maioria da Geração Z é contra o trabalho 100% remoto
O levantamento mostra ainda que, embora homens e mulheres compartilhem o mesmo “top 3” de fatores decisivos, o peso dado a cada item muda. Entre as mulheres, o trabalho 100% remoto tem mais força (18,53%, contra 10,66% entre os homens), assim como o trabalho híbrido (10,34% versus 7,79%) e a flexibilidade de horários (8,19% versus 5,33%). Já entre os homens, ganha mais relevância o plano de carreira (20,08%, contra 13,36% entre as mulheres) e o bônus (4,51% versus 1,29%).
As diferenças também se manifestam na composição dos benefícios mais valorizados. As mulheres dão mais peso para a flexibilidade de horário (57,76%), o modelo remoto (34,91%), a ajuda de custo de home office (21,98%) e o apoio psicológico (12,50%). Já os homens, por outro lado, priorizam mais a previdência privada (24,59%), o bônus acordado (64,34%), o auxílio combustível (21,72%) e o seguro de vida (15,57%).
“Os dados reforçam que não existe pacote universal. As pessoas continuam buscando estabilidade, mas interpretam valor de formas diferentes. Para uns, pesa mais avanço e remuneração direta; para outros, pesam suporte, tempo e qualidade de vida. A empresa que entender isso primeiro vai sair na frente em atração e retenção”, conclui a gerente de RH.







